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quarta-feira, 2 de outubro de 2013

A devida comédia da Madeira está em alta

O que dizer disto que se pode ler no Jornal da Diocese-Governo Regional da Madeira, escrito pelo Dr. Alberto João Jardim? Vamos a três destaques:
 
1.«Por exemplo na Madeira, sabe-se quem foram os apoiantes do actual Primeiro-Ministro, mas agora exibicionistas na contestação interna no PSD, a ver se disfarçam ou fazem esquecer que entregaram Portugal a essa gente e que vêm destruindo o PSD/Madeira». (Nessas benditas últimas eleições para a Assembleia da República, quem ganhou na Madeira e com o apoio de quem? – Por favor, desenganem-se, porque eu não me engano…)

2. «Compram-se votos com pacotes de leite e sacos de arroz, compram-se votos com dinheiro entregue directamente aos eleitores, pagam-se passagens aéreas em troca de votos». (Meu Deus, quem escreve isto…)

3. «Com esta “democracia” a nos obrigar a ir para o fundo com a “democrática” ignorância e com a ausência de Cultura que caracterizam o saldo do regime político, não me calo!» (Também eu não me calo quando vejo diante de mim os responsáveis que afundaram o povo da Madeira, que teimam em tratar alguns como «pata rapadas»; «cachorros»; «estúpidos»; «vadios»; «ignorantes»; «Filhos da…»; «ressabiados» e tantas outras ofensas que bradam aos céus num sistema democrático).

Feita a festa e o rescaldo estamos nisto. Eis uma «devida comédia» que nos faz rir muito. Os vencedores parecem um pouco deslumbrados pela surpreendente vitória. Pode ser que me engane e até pode ser muita alegria.
Os derrotados empurram com a barriga a responsabilidade e inventam bodes expiatórios para o seu desaire. Estas frases acima referidas das várias hipóteses que se seguem são alguma de certeza ou senão todas. Uma ou são uma invenção ou são não-verdades ou este responsável sabe o que sempre fez o seu partido em todas as eleições ou sabe e quer parecer que não sabe ou que os outros afinal é que fazem esses truques. Se me contassem não acreditava, mas está aí, bem escrito e assinado com fotografia e tudo no Jornal mais religioso do mundo.
É preciso serenar. Não se exaltar nem vangloriar muito com as vitórias nem fazer das derrotas vitórias e justificar a tragédia com a culpa atribuída aos outros. Todas estas características são comportamentos infantis e revelam mau perder e mau ganhar, porque em democracia quem perde ou ganha é sempre o povo. E desta vez viu-se isso, há um derrotado porque o povo se revoltou. Não quero que esta observação ofenda quem foi eleito, sei do imenso trabalho e dedicação realizado, nisso também há muito mérito. Mas, temos que ver a conjuntura e realidade em que estamos mergulhados há tanto tempo e a forma como a governação foi conduzida contra o povo. Sem nenhuma humildade e com sempre com uma única ideia, para a frente é o caminho contra tudo e contra todos. Nestas coisas de serviço ao povo a seriedade e a humildade são sempre o melhor caminho.   
Esta vitória é do povo, foi o povo que se revoltou, porque está a pagar seriamente com fome e pobreza, as loucuras de uma governação que nos últimos anos pouco ou nada se importou com a situação concreta do povo. O povo cansado, de ser tratado a abaixo de cão, sem pão em cima da mesa para se alimentar, sem emprego, sem dinheiro para pagar água, luz e todos os compromissos quotidianos próprios de qualquer família, revoltou-se e votou inteligentemente contra todos aqueles que já não se importavam nem mostravam compaixão nenhuma com os mais fracos.
Então esta gente não pensa que algum dia as pessoas tomariam outras opções se fossem ofendidas como foram, se aparecessem outras pessoas do meio do povo que falasse com ele, que lhe desse importância, que o fizesse sujeito da única história que importa construir, a história do povo da Madeira.
Aos eleitos deste momento, exige-se uma diferença muito grande. Um cuidado incansável com todos os que estão na circunscrição do seu poder. Uma dedicação a tempo inteiro ao povo que os elegeu. É com o povo e para o povo que devem governar. Não sei como, não tenho receita, mas é isso que penso ser o caminho para o sucesso, para que não tenhamos outra vez daqui a nada estes ou outros a dominarem e a distribuírem o bem comum apenas e só para a sua clientela partidária como tem sido público e notório nos últimos anos da história da nossa terra. A chave está na simplicidade, na humildade, na simpatia e no acolhimento de todos. Tudo o resto vem por acréscimo.
Mais ainda é preciso seriedade, transparência, justiça, isto é, o fim das mordomias para meia dúzia e oportunidades para todos. Quem sempre achava que podia ir sempre adiante, comprando votos, alimentando mordomias, benesses partidárias para meia dúzia de pretensos sábios e bafejados com a sorte, à conta dos impostos de todos nós, enganou-se redondamente. Este sistema foi derrotado nestas eleições e espero que tenha morrido de vez.

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