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segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A resistência contra o mal é dura

No Angelus deste domingo, 20 de Outubro de 2013, o Papa Francisco fez a seguinte afirmação que me chamou atenção: «A luta contra o mal é dura e longa, requer paciência e resistência» (da alocução que precedeu a oração mariana do Angelus, aos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro).
Esta afirmação reveste-se de uma actualidade muito grande. O mundo está tão injustamente desarranjado que precisamos de muita gente consciente desta «luta dura contra o mal» sem desanimar nunca. A paciência terá que ser o valor principal e a força para resistir estoicamente. No fundo, não está dito que precisamos de heróis, mas de mulheres e homens normais que assumam de verdade o caminho da luta contra todo o mal que ensombra o mundo e a vida de hoje. Os valores da justiça, da transparência e da honestidade, são os alicerces desta luta dura contra o mal. Quanto precisamos de gente que se alimenta deste pão todos dias da sua vida…
Precisamos de gente que luta contra a irresponsabilidade e insensibilidade de governantes perante a realidade concreta dos seus povos. Como podemos tolerar que um político desacreditado em toda a linha como Paulo Portas tenha vindo a terreiro dizer que os pobres não se manifestam? - Até sabemos porquê… Porque a insensibilidade de governantes desta estirpe é tanta que decretaram, uma família com rendimento mensal acima dos 500 euros é uma família rica. Extraordinário. Só pode vir de gente que não vai ao supermercado, que não paga água, luz e todas as despesas mensais normais em qualquer família.
Mais ainda se torna urgente uma luta dura contra os mercados e as troicas que tomaram de assalto os Estados subjugando-os pelas dívidas que devem a ser pagas sem pestanejar à conta de juros elevadíssimos com sacrifícios astronómicos para o povo.
A luta também deve ser contra o vazio cultural que paira nas cabeças de quem tem responsabilidades em todos os domínios da sociedade. Uma luta sem tréguas contra a falta de sensibilidade democrática, contra a cleptocracia e contra todas as formas de governo que põem em causa os direitos elementares da convivência democrática. Tudo isto se traduz no desrespeito contra a cultura e contra a pluralidade da sociedade.
Uma luta contra a fome e a pobreza que alastra em todo o mundo. Mesmo até nas sociedades consideradas dentro de determinados patamares de desenvolvimento. Sem o fim da pobreza e da fome a humanidade continua a caminhar para um mais que certo suicídio.
A luta contra o mal que nos rodeia requer persistência e paciência porque o caminho será longo, mas como diz o poeta António Machado, «O caminho faz-se caminhando», que todos se sintam convocados para esta grande luta que fala o Papa Francisco mesmo que tenhamos que derramar lágrimas e sangue.  

1 comentário:

luís rodrigues coelho Coelho disse...

Bom dia Padre
Os seus artigos ajudam-nos numa meditação actual para nos situarmos no meio da Igreja e da sociedade deste tempo.
As forças do mal são cada dia mais poderosas e nefastas.
O homem procura o prazer em vez de procurar o bem em Deus e nos irmãos.
As forças do mal estão vivas e a Fé em Jesus vai esmorecendo. Muitos sendo católicos já O desconhecem.
Desconhecem a Sua mensagem e o Seu amor. São até capazes de O trocar por outra religião...