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sábado, 12 de outubro de 2013

As nuvens negras da noite

Poema para o fim de semana...
Nesta hora em que as venço pela força da tecnologia
As negras nuvens da noite trepidam o chão e o tecto
Na maior insegurança do cosmos onde me sento.
Então pergunto à inquietação do mistério que me guia.
Como pode um nada ser tanto ou tudo?
Mais uma sensação que fica neste deslizar sentido
Nos ares do mundo que nos levam adiante.
Esta visão de nada que a cor negra da noite escondeu
As brancas e vaporosas como são todas as nuvens
As desta atmosfera e as do cérebro que se alimenta
Do vapor negro do ódio, do desprezo, da solidão...
De toda pobreza de não ser gente com toda gente.
Livre-nos as nuvens negras do pensamento e da vontade
Porque cerceiam cruelmente o brilho fecundo em cada manhã.
Mais o sol dos dias que o círculo do amor descobre para nós
Na indomável noite e dia que nos presenteia a pulsão eterna da criação.
São negras as nuvens na noite mas só na imperfeição do olhar.
Não fosse depois a pequena réstia de luz dizer
A verdade toda que esse nada que é tudo Deus fez branco
No segredo que cada porto seguro além do horizonte
Espera sereno os pés que nos levam ao lugar do sonho e do desejo.
Foram estas palavras que o poema amou perdidamente
E fez testemunho seguro na viagem daquela manhã
Que nos trouxe ao abrigo da cidade maior onde os homens
Sempre souberam acolher o aconchego da esperança
E tornaram-se para sempre paladinos da fé.

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