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quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Este mundo não parece ser para pessoas

Outra vez Lampedusa pelas piores razões. Centenas de pessoas morreram neste último naufrágio. Dizem que é a ponta do icebergue. Aquele que parece ser um porto de abrigo, Lampedusa, torna-se todos os dias o porto do desembarque da morte. São milhares de pessoas que fogem da violência, da fome, da pobreza e de tanta miséria que ainda existe neste mundo, que cada vez mais se vai revelando como sendo um lugar que é não é pessoas. 
Na visita simbólica que o Papa Francisco realizou em Julho à ilha de Lampedusa pediu pelo «despertar das consciências» para combatermos a «globalização da indiferença».
Aí está outra vez a notícia pelas piores razões, o azul oceano Mediterrânico engoliu mulheres, crianças de todas as idades… Centenas de pessoas que se foram de forma trágica e o único crime que cometeram é este, colocar em risco a sua vida em nome de condições melhores para serem gente com dignidade. Um ideal aceitável como todos os nossos ideais. É terrível que o mundo não esteja organizado para que os ideias elementares da vida humana não vejam a luz do dia. Ninguém devia morrer nem sofrer por causa deste desejo, desta vontade profundamente humana e divina.
O mundo devia lavar-se em lágrimas de vergonha quando acontecem tragédias deste teor. Para onde vais Europa se te permites assistir às tuas portas à morte de tantos inocentes vítimas de um desenvolvimento desigual? – É preciso acordar e permitir a entrada de toda a gente, criando condições de integração, para que se renovem as nossas sociedades, mergulhadas na maior depressão porque deixamo-nos envelhecer.
Precisamos de sangue novo. Precisamos de humanidade. Precisamos de dar consequência aos princípios elementares da fraternidade que enformou a tradição humanista da Europa. Precisamos de políticas criadoras de uma Europa que junta os valores cristãos que fizeram da Europa este lugar mítico do bem estar tanto para os povos que nela tenham nascido, mas também para os outros que nos seus países não têm condições elementares de liberdade e de desenvolvimento para viverem com humanidade.
Deve ser exigido à Europa que esteja a favor dos que chegam e os proteja com humanidade. Melhor será que a Europa não apoie regimes que não respeitam os direitos humanos, governos cleptocráticos que não se importam com os seus povos e mergulham na corrupção e no saque frequente do bem comum. Estar contra isto é essencial, para que estas tragédias deixem de existir entre nós. E os povos encontrem condições condignas para viverem aí no lugar onde nasceram e não terem necessidade de se lançarem mar adentro correndo todos os riscos horríveis que levam a estas tragédias. É preciso lavar-se em lágrimas, purificar o pensamento e a vontade para fazermos deste mundo um lugar habitável para todos os povos.

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