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quarta-feira, 6 de novembro de 2013

Questionário do Papa Francisco para o Sínodo sobre a Família (I)

O questionário que consta no Lineamenta, ou seja, o texto que faz a auscultação para o Sínodo extraordinário sobre a Família - desta fez surpreendentemente enviado a todos os católicos dando-lhes a possibilidade de reflectirem e darem o seu contributo – já está a circular por aí. O texto consta de oito conjuntos de perguntas, somando um total de trinta e oito perguntas. A partir de hoje nos dias úteis procurarei responder como sei às perguntas e partilharei neste espaço essas respostas com as respectivas perguntas. Em cada dia vou tentar publicar um conjunto de perguntas e respostas. No final, enviarei para onde me indicarem o meu contributo. 
QUESTIONÁRIO (I)
As seguintes perguntas permitem às Igrejas particulares participar activamente na preparação do Sínodo Extraordinário, que tem a finalidade de anunciar o Evangelho nos actuais desafios pastorais a respeito da família.

Grupo 1. Sobre a difusão da Sagrada Escritura e do Magistério da Igreja a propósito da família

a) Qual é o conhecimento real dos ensinamentos da Bíblia, da “Gaudium et spes”, da “Familiaris consortio” e de outros documentos do Magistério pósconciliar sobre o valor da família segundo a Igreja católica? Como os nossos fiéis são formados para a vida familiar, em conformidade com o ensinamento da Igreja?
- Penso que o conhecimento real sobre a Bíblia, progressivamente vai acontecendo, porque felizmente as pessoas estão a despertar para o valor da mensagem bíblica, participam em grupos de reflexão, fazem cursos bíblicos e alguns diariamente não dispensam a leitura e a oração a partir da Bíblia. Quanto ao conhecimento dos textos da Igreja sobre a família, já me assiste a percepção que será pouco ou nulo para ser mais exacto. Levar as pessoas a pensar, a ler e a estudar os textos da Igreja sobre a família torna-se uma tarefa inglória, dado que na última metade do século XX e nos anos que já soma o século XXI, as pessoas no geral foram sendo influenciadas pelas ideias negativas sobre a família, nomeadamente no que diz respeito à contracepção e tudo o que se relacionada com a sexualidade. Por isso, tristemente, a mentalidade geral considerou e ainda considera que a Igreja não tem que se meter nessa questão, porque tudo o que ensina relacionado com a família, é retrógrado e não está conjugado com a vida dos tempos modernos. O trabalho para purificar e esclarecer as pessoas neste aspecto é duro, mas a meu ver necessário, porque os ensinamentos da Igreja sobre a família são ricos e estou certo que contribuiriam para termos melhores famílias, consequentemente termos uma sociedade mais feliz e o mundo com mais paz.

b) Onde é conhecido, o ensinamento da Igreja é aceite integralmente. Verificam-se dificuldades na hora de o pôr em prática? Se sim, quais?
- Obviamente, que onde é conhecido o ensinamento da Igreja não é aceite integralmente. Quando o ensinamento desemboca na contracepção e nalguns aspectos sobre a sexualidade, a recusa é muito grande e até serve mesmo para centrar todo o debate, o que não permite depois abertura para fazer passar a restante mensagem.  

c) Como o ensinamento da Igreja é difundido no contexto dos programas pastorais nos planos nacional, diocesano e paroquial? Que tipo de catequese sobre a família é promovido?
- Neste âmbito considero que tem sido feito bastante trabalho. As várias propostas pastorais sempre vão trazendo planos e doutrina reflexiva em abundância. Embora às vezes pecando por ser muito teórica e muito pouco prática. Mas, havendo alguma coisa sobre a família, o receio é que tal mensagem chega sempre aos mesmos, isto é, aos fiéis que habitualmente participam na vida litúrgica da Igreja, o meio privilegiado para fazer passar a mensagem sobre a família e outra. Os encontros diocesanos sobre a família também vão acontecendo e o trabalho nas equipas de casais de nossa Senhora, também me parece ser importante e um contributo significativo para que a doutrina sobre a família encontro terreno fértil onde possa ser semeada. Para os que estão, podemos considerar que não tem faltado trabalho neste âmbito da família, porém, o problema mantém-se para os que estão mais afastados e que não se importam nada em pensar e reflectir sobre a família. Como chegar a estas franjas da sociedade? – Esta é que é a questão principal que se deve tomar como desafio.   

d) Em que medida – e em particular sob que aspetos – este ensinamento é realmente conhecido, aceite, rejeitado e/ou criticado nos ambientes extraeclesiais? Quais são os fatores culturais que impedem a plena aceitação do ensinamento da Igreja sobre a família?
- Nos meios extraeclesiais o ensinamento da Igreja simplesmente não entra ou se entra é para ser motivo de chacota. Porque a adversidade do mundo é muito grande. A influência dos meios de comunicação, com a abundância de telenovelas recheadas com casais movidos pelas intrigas, pelas traições e com todos os elementos necessários para a facilidade das separações, o divórcio, o casar e recasar assim de forma tão simples e fácil vão fazendo o caminho na vida real e até criando a mentalidade de que se na televisão é assim, comigo porque não há-de ser… A conjuntura histórica banalizou as relações e a convivência irresponsável nos locais de trabalho, nas escolas e em todos os lugares da vida foram empurrando a família para segundo plano. A banalização do sexo contribuiu sobremaneira para a destruição da família, porque o valor da fidelidade, o respeito por si e pelo outro, mais a facilidade com que as pessoas se entregam umas às outras foram minando a importância do ser família e do dar o máximo, pelo sacrifício, pela dedicação e pelo trabalho em função do projecto familiar que abraçou em um determinado momento da vida. É profundamente triste que cada vez mais se vá ouvindo que os casais que celebram bodas de prata e de ouros estão a rarear cada vez mais e alguns ainda vão mais longe ao dizerem, isso acabou… Horrivelmente parece, que temos que concordar.

5 comentários:

leandro cornachini disse...

Olá Sr.Luiz, parabéns pela excelente visão do mundo.
Me parece que no seu ponto de vista a igreja vem fazendo o seu papel,e há uma relutância dos fieis em colaborar( oque eu concordo ). Não seria o caso de ser incentivado( energicamente a todos) que sigam o conselho escrito em 1corinto 5:11

Einsteiger02 disse...

Olá padre José Luis, gostaria de saber aonde encontrar o questionário completo do Papa e pra onde enviar as respostas do mesmo. será que é somente pros católicos praticantes?
gostei muito do seu blog !! :)

José Luís Rodrigues disse...

Obrigado Einsteiger02. Pode ver aqui o texto preliminar e o questionário: www.agencia.ecclesia.pt/

Para onde mandar ainda não sei de certeza. Penso que se pode enviar para as dioceses ou diretamente para o secretariado do Sínodo. Também penso que todas as pessoas podem responder...

diana mendes disse...

onde posso ver o resto das respostas do questionário ?

José Luís Rodrigues disse...

Cara Diana Mendes... na coluna esquerda do blogue, há uma secção que é «Arquivo do blogue», aí procure o mês de Novembro, neste mês encontrará todas as respostas ao Questionário dobre a Família...