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quinta-feira, 14 de novembro de 2013

Questionário do Papa Francisco para o Sínodo sobre a Família (VII)

Grupo 7 das perguntas sobre a família para o Sínodo... Manhã finalmente publicaremos o VIII e o IX grupos. 
QUESTIONÁRIO (VII)

7. Sobre a abertura dos esposos à vida

a) Qual é o conhecimento real que os cristãos têm da doutrina da Humanae vitae a respeito da paternidade responsável? Que consciência, têm da avaliação moral dos diferentes métodos de regulação dos nascimentos? Que aprofundamentos poderiam ser sugeridos a respeito desta matéria, sob o ponto de vista pastoral?
- Uma questão difícil. Considero que a maioria dos cristãos tem pouco ou quiçá nenhum conhecimento sobre a Encíclica Humanae Vitae. Eis algo profundamente dramático. Se quisermos particularizar sobre este ponto, «a paternidade responsável», concluiremos que os cristãos têm aqueles conhecimentos que a Lei Natural lhes concedeu, a tradição do meio social onde nasceram, cresceram e vivem. Não devemos também descurar que a educação da casa paterna ou o ambiente familiar também contribui bastante para que assumam a paternidade com responsabilidade. Sejamos também honestos e reconheçamos que alguma catequese, a pregação e a vida das comunidades particulares da Igreja também fazem um pouco esse trabalho da educação para a paternidade responsável.
Hoje todos os casais fazem a regulação dos nascimentos. As condições económicas difíceis, o envolvimento da vida actual com a consequente falta de tempo, a impaciência para gerar e educar filhos, a descoberta da vida sexual como forma de realização pessoal (o dom prazer), isto é, como um bem também desejado e promovido por Deus, induzem, e muito bem, os casais a fazerem a regulação dos nascimentos. Hoje ninguém considera isso mal e muito menos pecado. Mas, antes uma forma responsável de viver em casal e como elemento essencial na constituição da família. Por conseguinte, todos os casais recorrem aos métodos de regulação dos nascimentos propostos pelas entidades de saúde e que estão expostos nas várias lojas comerciais para o efeito. Tudo isto tornou-se quase banal, porque aceite por toda a sociedade. A maior parte dos casais considera os métodos de regulação dos nascimentos naturais impraticáveis e pouco eficazes. As condições difíceis da vida do nosso tempo, influi sobremaneira na instabilidade psíquica e física das pessoas, mais ainda se aliarmos a falta de tempo e a pouco vontade e paciência que dispensam para a sua auto-observação. Todos aceitam, afirmam e defendem que o mais prático e eficaz são os métodos artificiais de regulação de nascimentos.
Sob o ponto de vista pastoral, podia a Igreja escutar mais os casais e não descurar tanto a vida concreta de cada um deles, o seu querer e as suas opções. Respeitar a liberdade de opção de cada casal, admitir que tudo tenham realizado de acordo com a sua consciência e que as suas opções são também manifestação da Presença de Deus nas suas vidas. Também poderia ser benéfica a aceitação de alguns métodos artificiais de regulação dos nascimentos propostos pelas entidades de saúde, porque em muitos casos está mesmo em causa a saúde das pessoas e noutros servirá para evitar que a miséria se propague onde faltam condições materiais necessárias para fazer crescer e educar mais vidas humanas com responsabilidade. Melhor também, talvez seja considerar a sexualidade como um valor e como elemento desejado por Deus para que os casais vivam a comunhão do amor e não descurem a dimensão do prazer sexual como um valor essencial para se realizarem como casal feliz e contribuírem para a edificação de uma família plenamente realizada e integrada na sociedade. Isso não pode ser pecado, mas um dom de Deus dado à humanidade.     

b) Esta doutrina moral é aceite? Quais são os aspectos mais problemáticos que tornam difícil a sua aceitação para a grande maioria dos casais?
- Não. Não é aceite esta doutrina moral. Os casais crentes, às vezes até são os primeiros a assumirem que «violaram» esta doutrina, porque a consideram impraticável e longe de produzir os efeitos desejados.
Os aspectos mais problemáticos prendem-se com os métodos de regulação dos nascimentos. É preciso, é urgente, mudar a mentalidade que considera o uso dos métodos artificiais como pecado, para que se quebre a ideia que vai pairando na sociedade de que a Igreja vive numa «teimosia» retrógrada e completamente fora da realidade. Este aspecto sempre impede o diálogo e não permite que se vá mais além na magnífica doutrina que a Igreja tem sobre a vida em casal e sobre a família.   

c) Que métodos naturais são promovidos por parte das Igrejas particulares, para ajudar os cônjuges a pôr em prática a doutrina da Humanae vitae?
- Tendo em conta que os métodos naturais foram laconicamente recusados pela generalidade dos casais, este assunto tornou-se tabu nas Igrejas particulares. 

d) Qual é a experiência relativa a este tema na prática do sacramento da penitência e na participação na Eucaristia?
- Assunto tabu para a generalidade. Penso que até haverá medo de falar-se neste assunto.

e) Quais são, a este propósito, os contrastes que se salientam entre a doutrina da Igreja e a educação civil?
- Enormes. A doutrina da Igreja não passa. A educação civil tem sucesso garantido à partida.

f) Como promover uma mentalidade mais aberta à natalidade? Como favorecer o aumento dos nascimentos?
- Muito fácil, a meu ver. No geral os homens e as mulheres estão abertos à paternidade e à maternidade, falta-lhes condições materiais para levarem essa tarefa a adiante. A crise económica gerou um desemprego assustador, as políticas contra a natalidade são um desastre e quiçá nalguns momentos nulas. Os apoios financeiros do Estado estão a ser consecutivamente cortados e as políticas neoliberais vão acabando com o sistema de saúde e a educação gratuitas o que vai fazendo com que os casais recuem bastante na ideia e no desejo de gerarem filhos.
O favorecimento do aumento dos nascimentos passa pela criação de emprego e pela implementação de políticas que apoiem esta causa da natalidade. Será a tragédia para algumas nações da Europa se estas políticas neoliberais que nada se preocupam com as pessoas e com os povos não forem travadas. Toda a Igreja deve estar atenta a esta realidade, denunciar tudo o que seja contra a vida humana, contra a família. Os políticos terão de perceber que o futuro faz-se com desenvolvimento económico, mas porque as pessoas, faz-se também e essencialmente com desenvolvimento humano. A Igreja não deve calar perante esta injustiça e lutar seriamente para que todos percebam que o mundo e o futuro constrói-se na base dos povos e para termos povos saudáveis e felizes a promoção da natalidade é caminho elementar.

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