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sexta-feira, 15 de novembro de 2013

Questionário do Papa Francisco para o Sínodo sobre a Família (VIII e IX)

Grupo 8 e 9 das perguntas sobre a família para o Sínodo... Hoje terminamos aqui a publicação das respostas às perguntas do questionário do Lineamenta do Sínodo da família... Espero que tenha ajudado à reflexão de várias pessoas e que outras se tenham inspirado a darem também o seu contributo.  

Para quem deseja ler e responder às perguntas pode fazê-lo a partir daqui: http://www.vatican.va/roman_curia/synod/documents/rc_synod_doc_20131105_iii-assemblea-sinodo-vescovi_po.html 
QUESTIONÁRIO (VIII e IX)
8. Sobre a relação entre a família e a pessoa

a) Jesus Cristo revela o mistério e a vocação do homem: a família é um lugar privilegiado para que isto aconteça?
- Sem dúvida nenhuma. A pregação e a catequese da Igreja a este nível passam bem e são acolhidas por todos. Surpreendentemente, às vezes até casais – digamos menos crentes ou menos habituados com a prática litúrgica da Igreja – fazem testemunho entusiástico da importância desta doutrina. Poderá ainda ser necessário intensificar-se mais e criar-se mais dinâmicas de grupos para pensarem e dialogarem sobre esta temática. 

b) Que situações críticas da família no mundo contemporâneo podem tornar-se um obstáculo para o encontro da pessoa com Cristo?
- Haverá muitas situações onde o encontro com a pessoa de Cristo seja obstáculo. As situações extremas de pobreza, que desencantam as pessoas e as rebaixam à condição infra humana, porque se foram injustiçados, agora não encontram vontade nem forças para lutar. Mais ainda se considerarmos que estão abandonados pela sociedade em geral e pelos governantes que estão mais empenhados a promoverem a injustiça contra a verdade do bem comum. Sem o mínimo de pensamento sobre os mais frágeis.
O encontro com Cristo, também pode ser difícil onde houver situações que criaram a mentalidade que o dinheiro resolve tudo e que a abundância de bens materiais é a solução para ser feliz.
Mais ainda se pensarmos nas doutrinas anti cristãs e toda a mentalidade de hoje que vai propagando a ideia que Deus não serve para nada, permitindo com isto uma aversão enorme contra as Igrejas e os seus membros, porque são uns inúteis e que só anunciam mentiras… 

c) Em que medida as crises de fé, pelas quais as pessoas podem atravessar, incidem sobre a vida familiar?
- As crises de fé têm muita influência nas famílias, porque não existindo espaço para a fé, descura-se a educação religiosa dos filhos ou porque algo desiludiu e desencantou ou porque o desleixo toma conta das pessoas. Mais ainda a força crescente de que a vida acaba na morte, que o que importa é «gozar» hoje e depois acabada tudo no cemitério. Tudo isto influi na educação das crianças, porque ficam privadas de acompanhamento catequético e sem tempo/espaço para participarem na comunidade religiosa. A abundância e a variedade de actividades lúdicas têm muita influência nisto. Também não descuramos que a crise de fé em alguns membros da família ou em toda a família contribui para banir do seu espaço familiar todos os momentos de oração e todas as imagens que sugiram qualquer indicação religiosa. Esta perda da espiritualidade e da dimensão religiosa da família contribui imenso para crise das famílias e da sociedade em geral.  

9. Outros desafios e propostas
Existem outros desafios e propostas a respeito dos temas abordados neste questionário, sentidos como urgentes ou úteis por parte dos destinatários?
1º Desafio: Há cada vez mais uma recusa em fazer tantos anos de catequese. As famílias estão agastadas com esta situação, causa-lhes imensos embaraços e lutas enormes dentro da família o facto dos filhos atingindo uma determinada fase de crescimento, nomeadamente, adolescência, não quererem participar na catequese e na liturgia da Igreja. Por causa disto, alguns casais sofrem bastante e às vezes as complicações com os padres e catequistas são difíceis de enfrentar.
- Proposta: Permitir que logo no início da adolescência fosse ministrado o sacramento do Crisma. Após esta etapa, os crismados que quisessem, integravam-se nos grupos das igrejas particulares, grupos de jovens, Escuteiros, catequese e em movimentos e outros grupos paroquiais.

2º Desafio: Relacionado com as famílias e que tantas dificuldades trazem aos párocos são os padrinhos e madrinhas, que hoje vão sendo cada vez mais raros aqueles que se apresentam idóneos e de acordo com todas as regras canónicas que a Igreja apresenta.
- Proposta: Acabar com o peso formal que se dá aos padrinhos/madrinhas para a recepção dos sacramentos. Que a comunidade (todos os presentes no momento do acto) sejam as principais testemunhas do acontecimento e que os pais ou outros que tenham a responsabilidade de fazer crescer e educar as crianças e os adolescentes, sejam os principais responsáveis e isso bastaria. Acabar com toda a burocracia que norteia esta pastoral. A simpatia e o carinho da sociedade pela Igreja em geral seriam mais fortes e mais visíveis. Hoje a sociedade é tão diversificada, passa por tantas dificuldades ao nível da relação familiar e os casais são assolados com tantos desafios ao nível da vida matrimonial, que não encontrariam na Igreja que os acolhe, nenhum embaraço ou impedimento, mas compreensão e misericórdia perante todo o historial de sofrimento que já carregam.

- Por fim, surpreendeu-me não estar neste questionário nenhuma pergunta sobre o aborto e a eutanásia, assim de forma muito concreta e objectiva. Porque são dois temas sempre muito polémicos e profundamente relacionados com a família. Espero que o Sínodo tenha estes dois assuntos em conta, os debata e sobre eles apresente uma mensagem que venha ao encontro das inquietações de muitos católicos quando são confrontados com o debate sobre estes dois assuntos. Aliás, estes temas nas sociedades de hoje, são muito prementes e reincidem frequentemente.

Nota do autor do blogue: Espero que vos tenha ajudado a pensar um pouco. Não pretendi outra coisa senão isso mesmo, fazer pensar. Nada é definitivo neste mundo. Venham outros contributos.

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