Convite a quem nos visita

sexta-feira, 6 de dezembro de 2013

Nelson Mandela um Moisés do nosso tempo

Muito bonito que estejam tantos homens e mulheres, governantes de todo o mundo (e extraordinário) cidadãos anónimos de toda a parte, neste dia a expressarem uma frase, um pensamento, a verterem uma lágrima, uma comoção qualquer, um gosto, um comentário… Qualquer sinal, mesmo que seja singelo, mas sentido, por causa da morte de um homem, de um grande homem. Nelson Mandela, Madiba. Não porque tenha sido rico, muito rico em bens materiais, ganhos à conta dos seus feitos gloriosos, não por ser apenas um herói como os outros heróis, mas porque foi um homem quase comum no sentido em que nasceu como os outros homens, cresceu numa família, por sinal, remediada ou pobre, formou-se intelectualmente, foi o primeiro da família a seguir este caminho.
Mais ainda porque compadece-se do sofrimento do seu povo, qual Moisés que nas terras do Egipto chora a violência da segregação e dos maus tratos sobre o seu povo. Diante desse quadro horrível de humanidade contra a humanidade, levantou-se a luta, a reclamação pela fraternidade, a amizade, a liberdade e a igualdade entre seres humanos. A luta pela justiça no seu melhor. Foi preso, não apenas algumas horas, mas 27 longos anos em prisões terríveis. Após essa longa caminhada de deserto na aridez do inquietante sofrimento, chegada a hora da libertação, recusa deixar as grades se os outros companheiros, presos pelas mesmas razões, não forem também libertos. Não, não isto não é um prisioneiro, mas um homem livre, liberto de si mesmo e que prova pelo gesto que afinal nunca esteve preso, presos estavam os seus algozes, os obreiros da segregação racial, os tiranos da opressão, da desigualdade e da injustiça.
Eis um homem livre, sempre livre, por isso, não há tempo para o rancor, para a vingança, mas todo o tempo é pouco para a reconciliação, para luta pela justiça e para a liberdade. Um povo inteiro grato a um homem providencial, um gigante que deixa o mundo melhor do que aquele que encontrou. Afinal, o que nos pede o Papa Francisco na Exortação Apostólica: «Uma fé autêntica – que nunca é cómoda nem individualista – comporta sempre um profundo desejo de mudar o mundo, transmitir valores, deixar a terra um pouco melhor depois da nossa passagem por ela. Amamos este magnífico planeta, onde Deus nos colocou, e amamos a humanidade que o habita, com todos os seus dramas e cansaços, com os seus anseios e esperanças, com os seus valores e fragilidades. A terra é a nossa casa comum, e todos somos irmãos» (Evangelii Gaudium, Papa Francisco, nº 183). Melhor do que ninguém, Madiba é um exemplo de vida concreta sobre este ensinamento.
Para o mundo que fique o seu exemplo, a sua entrega a uma causa, a uma fé que se concretizou na história da sua vida, que hoje todos admiramos e que devemos seguir. Não servem para nada as vinganças, os rancores nem muito menos a loucura desenfreada pelos bens materiais. Mas antes o que faz homens e mulheres grandes será, pelo que se vê claramente em Madiba, o testemunho de perdão e reconciliação, a sua luta pela liberdade e pela justiça, o esquecimento de si em função do pensamento constante pelos outros, a nobreza da delicadeza, da ternura e da simpatia.
Tantas riquezas, se vividas pelas pessoas deixam marca, fazem história e levantam herói, que admiramos. Morreu o corpo de Madela. Fica a sua alma e toda a sua obra em prol do povo Sul Africano, em prol do mundo, da humanidade inteira. Deus é grande e providente. Muitos mais homens e mulheres existirão sempre para nos guiarem e nos apontarem o caminho do amor e da paz. Depois do Moisés bíblico e do Moisés lutador contra o Apartheid, Nelson Madela, tenhamos a certeza segura dessa providência de Deus. Obrigado Deus pela dádiva chamada Mandela. Obrigado Mandela.  

2 comentários:

Maria-Portugal disse...

Pessoas que nos ilumina a estrada!

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Sem duvida que foi um dos grandes paladinos do combate ao racismo. Ficará na História como um grande combatente, politico, estadista e militante da não violência. "Bem aventurados os Construtores da PAZ..."Perpetuemos a sua memória com gestos libertadores.