Convite a quem nos visita

quinta-feira, 31 de outubro de 2013

Mudar de vida...

Mesa da palavra
Comentário à missa deste domingo
Domingo XXXI Tempo Comum, 3 de Novembro de 2013
Quando conheceu Jesus, foi o que fez Zaqueu. Afinal, fez o que reza a canção belíssima de os «Humanos»: «Muda de vida se tu não vives satisfeito / Muda de vida, estás sempre a tempo de mudar / Muda de vida, não deves viver contrafeito / Muda de vida se há vida em ti a latejar». Nem mais.
O coração de Jesus move-se pelo amor misericordioso, que constantemente faz apelo à conversão e à mudança de atitude perante os bens materiais. A resposta de Zaqueu, vibrante de alegria, expressa que a proposta do amor é forte e faz milagres em todos os corações que O acolhem de verdade.
A disponibilidade para o acolhimento do amor nem sempre se faz realidade como, eventualmente, todos nós desejamos. A multidão de coisas que a vida nos proporciona, impede-nos a visão daquilo que é essencial e nem sempre haverá uma árvore por perto que nos permita subir para alcançarmos melhor visibilidade sobre aquilo que é fundamental para a vida de cada um. O medo da novidade e do diferente é sempre cerceador de muita iniciativa, de muita opção e de muita criatividade. Libertemo-nos disso e avancemos, «o caminho faz-se caminhando», como diz o poeta António Machado.
Pensemos no seguinte, por vezes, ainda são muitas as coisas que se aglomeram à nossa volta. Elas são a constante frequência para o egoísmo, que não nos permite ver o verdadeiro horizonte revelado por Jesus, que implica uma total entrega à causa do amor pelos outros. Outras vezes, é a soberba que nos faz engrandecer perante os bens materiais e perante as nossas qualidades pessoais.
Frequentemente, somos atacados pela incapacidade para encarar o que se é, o que se tem e o que somos aptos a fazer como serviço para os outros. Esta forma eficaz de ser Homem cristão ainda está muito aquém do que seria possível. A resposta ao chamamento faz-se com alegria. E o desejo de mudar de vida é o sinal consequente da descoberta da partilha proposta pelo Reino de Cristo. Por isso, exultemos todos também porque o mesmo Cristo quer hospedar-se na casa de todos os que o procuram com sinceridade de coração.

quarta-feira, 30 de outubro de 2013

Carnaval contra o Papa Francisco

Saudosismos patéticos, carnavalescos que pretendem desafiar o Papa Francisco. É grave que alguém ainda se preste a isto, com vergonha reparo que o antigo Bispo do Funchal, alinhou neste conservadorismo anacrónico e sem sentido nos tempos que correm... Mais vergonha ainda sinto quando recebo a notícia assim:
«Bispo português a celebrar na forma extraordinária (Rito Tridentino em Latim) em Cluny...no ultimo domingo.
Muito latim, rendas , brocados, e luvas vermelhas... Os neoconservadores por cá estão delirantes...
Este Bispo emérito do Funchal, polémico pelo seu encobrimento de padre pedófilo inclusivamente do Padre Frederico, que assassinou um jovem na Madeira há uns anos atrás e fugiu à justiça para o Brasil...
E estas figuras representam que Cristo?»... 
As fotografias não mentem, apreciem e divirtam-se com a palhaçada. Esta gente não pensa que há uma crise tremenda, famílias a passar necessidades básicas graves, um desemprego astronómico que faz sofrer as famílias. Os idosos sem cuidados elementares de saúde, crianças sem pão para se alimentarem condignamente. Tudo o que está aos olhos de toda a gente, mas que estes dignitários não podem ver porque toldou-lhe a visão o luxo de toda a parafernália anacrónica que carregam para celebrar a Eucaristia, que julgo não ser a do Pobre de Nazaré.   O rosto de Cristo está gravemente manchado e sofre horrivelmente por causa de quem se afirma Seu representante. Não conheço e recuso conhecer este Cristo representado por alguns bispos... 










terça-feira, 29 de outubro de 2013

Vem aí o dia de Todos os Santos

Este ano não é feriado. Mas na liturgia cristã será sempre celebrado com a invocação de sempre, Dia de Todos os Santos. O que são e quem são os santos?
São muitos os santos de cada dia. Se pretendêssemos nomear todos estes seres que povoam o lugar de Deus, não teríamos espaço neste mundo para escrever os seus benditos e virtuosos nomes.
Os santos estão todos para nós. São poderosos exemplos de fé e de esperança. Mas devem ser para os crentes protecções seguras junto de Deus. Mas também são sinais de humanidade virtuosa e apaixonada pela existência ilimitada. Porque, com os santos, aprendemos a contemplar o mistério da vida a partir do quotidiano até ao horizonte da transcendência.
São os santos a certeza de que esta vida não se reduz à crueldade do sofrimento e ao nada da morte. Com eles e por eles estamos nós mais seguros, mais apostados na fé e na esperança em relação ao futuro da existência, pese embora, esse futuro ser um denso e profundo mistério.

segunda-feira, 28 de outubro de 2013

Oração do Papa Francisco à Santa Família

Oração do Papa Francisco à «Santa Família»... Gosto muito desta tradução «Santa» em vez de «Sagrada». Porque «Sagrada», sempre se considera ser uma, a de Jesus, Maria e José. «Santa», logo pensamos em todas as que já são santas e em todas as que venham a ser. Muito feliz esta tradução. Parabéns a quem a fez, fez-me pensar... (Para facilitar a leitura, destaquem a imagem com o rato).

sábado, 26 de outubro de 2013

Semente

Poema para o fim de semana...
O poder criador
Faz a melhor escolha
Pelas mãos gretadas
Nesta terra de um mestre.

A visão gulosa que sinto
Quanto deseja degustar
Esta dádiva eleita
Luzidia e gorda de sabor.

Não. Não é para nós
Mas outra vez para a terra
Que a fecunda com o sémen
Do mistério do círculo da vida.

Ah como calo esta sabedoria
E venha outra vez a flor
O tempo e o fruto
Para nós e para Deus.

Por fim sorri o rosto
Já velho mas terno
Na grandeza da simplicidade
Que só a fé faz o crer ser real.
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 25 de outubro de 2013

Fim da dinastia carolíngia

Este bocadinho de história que apresento a seguir ajuda a perceber os delírios e as asneiras do fim da Madeira Nova... 
Pelo amor de Deus, não há ninguém que avise alguém o seguinte: a 29 de Setembro houve eleições autárquicas e que os eleitores aplicaram uma forte derrota a um determinado partido e outros as ganharam... Custa muito chamar à razão que isto é o mais normal em democracia? - Já não sei onde estou... 
Carlos Magno por Albrecht Dürer

Recebeu o nome de Império Carolíngio  (também conhecido como o Império de Carlos Magno), o império estabelecido pela dinastia carolíngia, da qual foi seu maior representante Carlos Magno (742 – 814). Ocupando grande parte da região central da Europa, este estado medieval é o embrião da actual França.
Com a morte de Carlos Magno, em 813, o poder passou para seu filho Luís, o Piedoso, que governou até 840. Fortemente influenciado pela Igreja, Luís foi um monarca fraco. Terras da Igreja e domínios senhoriais conseguiam livrar-se do controle do poder central, tornando-se autónomos e livrando-se do cumprimento de suas obrigações para com o poder central.
Seu governo coincidiu também com uma nova onda de invasões, que caracterizaram toda a Europa ocidental do século 9. Vindos da Escandinávia, os vikings e seus navios de quilha rasa subiam os rios, espalhando a morte e a destruição por vastas áreas. Os sarracenos, piratas muçulmanos do norte da África, assolaram as zonas litorâneas da Itália e da França. E os magiares (ou húngaros), cavaleiros nómadas das estepes da Ásia central, submeteram o norte da Itália e a Alemanha a contínuas incursões de pilhagem.
A morte de Luís significou o fim da unidade imperial. Seus três filhos repartiram o Império no Tratado de Verdun (843). Carlos, o Calvo, ficou com a França Ocidental (que deu origem ao Reino da França); Luís, o Germânico, com a França Oriental (a futura Alemanha); e Lotário, com a França Central, repartida após a sua morte, em 870, entre Carlos e Luís.
A autoridade real esfacelou-se rapidamente. Condes, duques e marqueses usurpam os poderes reais e passam a exercê-los em nível local. Em 877, os domínios, chamados então de feudos, tornam-se hereditários. Em 911, o rei Carlos, o Simples, incapaz de deter os ataques vikings, cedeu-lhes o ducado da Normandia, origem de sua outra denominação, normandos.
Gilberto Salomão, In UOL

ESPALHA A CONSCIÊNCIA! ...DUM ROUBO DE PROPORÇÕES INIMAGINÁVEIS!

Vale a pena ver este vídeo. Não percam, são apenas cerca de 4 minutos...

quinta-feira, 24 de outubro de 2013

Deus não está à venda

Mesa da palavra
Comentário à Missa deste domingo
XXX Tempo Comum, 27 Outubro de 2013
São muitas as tentativas para comprar Deus. O que está por detrás de tais gestos pouco humildes é a tentativa de manipular Deus. Isto é, não são raros os que pensam que é possível fabricar um Deus à maneira de cada um e que com palavras benévolas a seu favor e contra os outros, podem dar a volta à misericórdia de Deus e à sua bondade.
Provavelmente, pensamos que podemos desviar a atenção de Deus escondendo os nossos desmandos com palavras mansas e rezas piedosas. Esta lógica da manipulação não se coaduna com o agir de Deus Pai/Mãe de Jesus, que abre a porta do seu coração de par em par para todos, bons e maus, contraindo assim as nossas pretensões justiceiras.
Não é a fé a única razão da dedicação à Igreja para muita gente. Mas muitos haverá, que se envolvem em grupos, movimentos e actividades da igreja não com a intenção de servir a comunidade, mas para se promoverem e mostrarem que são mais importantes que todos os outros e ganharem dinheiro com isso. O espírito sectário em alguns destes grupos é tremendo.
Apontar os erros dos outros é sempre mais fácil. Mas, o valor de uma pessoa está na sua capacidade de reconhecer os seus defeitos e depois tentar melhorar sempre em cada hora da vida.
Jesus quis mostrar que não é com a exaltação pessoal que agradamos a Deus, mas com o reconhecimento das nossas falhas e dos nossos pecados.
Reconheço portanto, que muitos haverá na igreja que sabem verdadeiramente estar ao serviço da comunidade sem interesse nenhum. Não reclamam qualquer reconhecimento. No silêncio da oração e do encontro com Deus mostram quanto a sua fé se alimenta de humildade e de fé verdadeira no Reino de Deus.
Se meditamos assim, somos levados a concluir que Deus detesta ser comprado com ofertas bajuladoras, ritos anacrónicos e sem sentido, orações ocas e sem conteúdo, celebrações faustosas que enchem os olhos sem qualquer consistência na vida prática. É um engano pensar que são as nossas muitas coisas que rezamos e celebramos que nos justificam. O que nos salva é sempre a bondade e a misericórdia de Deus. E Ele salva e justifica quem reconhece a sua inutilidade e miséria, descobrindo que o amor e a justificação são gestos da profunda gratuidade de Deus. Nada em Deus está à venda, tudo é oferta de amor que se derrama em todos os corações disponíveis para o acontecer dessa graça, que transforma a vida e o mundo quando vivido intensamente em cada homem e em cada mulher.

quarta-feira, 23 de outubro de 2013

Maria como discípula mais uma porta que se abre

«Maria é modelo de união com Cristo, vivendo imersa no mistério de Deus feito homem, como sua primeira e perfeita discípula, meditando tudo no seu coração à luz do Espírito Santo para compreender e pôr em prática toda a vontade de Deus» (Papa Francisco na Audiência Geral de Quarta Feira, 24 Outubro de 2013).
Seguindo esta forma de pensar e ver Maria de Nazaré, a 7 de Dezembro de 2011, escrevi no Banquete da Palavra o seguinte que pode ser lido na íntegra aqui: http://jlrodrigues.blogspot.pt/2011/12/maria-de-nazare-mais-discipula-do-que.html

- «Maria, trata-se de uma mulher activa, que vai ao encontro dos outros e resiste de pé firme ao pé da cruz. Antes de ser a Mãe, é a discípula que escuta, mas avança na entrega total à causa de Jesus.
Se esta visão sobre Maria de Nazaré fosse mais rezada, celebrada pelo mundo cristão, as mulheres teriam o seu verdadeiro lugar nas igrejas e estariam em plena igualdade face aos homens. Não haveria acepção de pessoas. Os sacramentos seriam para todos, especialmente, o Sacramento da Ordem que continua vedado às mulheres. Ora, uma reviravolta enorme no pensamento e na mentalidade dos cristãos.
O que se diz ou prega sobre Maria de Nazaré reveste-se de uma desumanidade impressionante. A iconografia mariana é disso um exemplo. As imagens que se contemplam de Maria de Nazaré, revelam uma mulher assexuada, nada próxima da condição do ser mulher. Um rosto sempre tristonho, cabisbaixo e de mãos sempre voltadas para o céu como se o inferno estivesse aí junto aos pés. Esta visão do ser mulher em nada tem que ver com a condição feminina e não espelha a dignidade que esta condição expressa de riqueza e diversidade. A feminilidade ainda continua a ser um perigo para as igrejas profundamente masculinizadas que a tradição máscula arquitectou baseada na imbecilidade de se dizer que é a vontade de Deus. A divinização de tais argumentos é um sacrilégio e uma ofensa ao Deus da universalidade bem patente no Evangelho da Cananeia e no diálogo extraordinário de Jesus com a Samaritana junto ao poço de Jacob».

terça-feira, 22 de outubro de 2013

Folha amarrotada

Para pensar...
Há circunstâncias na vida que nos fazem perder a serenidade e magoar alguém: talvez com uma palavra grosseira, talvez com uma atitude brusca, talvez com uma afirmação injusta ou falsa que fazem sofrer. 
Certa professora tinha na sua turma um rapaz que se irritava com facilidade e ofendia os companheiros. O ambiente tornava-se pesado, sem bom entendimento entre eles. Um dia, ela decidiu dar uma lição bem fácil de compreender a todos os alunos. Chamou o aluno mal educado, entregou-lhe uma folha de papel branco muito perfeita e lisa e mandou-o amassar aquela folha. O rapaz dobrou-a, amarrotou-a até fazer uma bola de papel. Depois a professora ordenou-lhe que alisasse a folha. O aluno desfez a bola de papel, e começou a desdobrar e alisar a folha o melhor que pôde. Mas, por mais que tentasse alisar, as rugas da dobragem permaneciam bem visíveis no papel. 
A professora chamou a atenção de todos e explicou-lhes a lição que pretendia dar-lhes: quando ofendemos alguém – os pais, os professores, os companheiros, qualquer pessoa – produzimos marcas dolorosas – às vezes profundas – no coração dessas pessoas. Depois, talvez arrependidos, peçamos desculpa, peçamos perdão pelas nossas ofensas. Mas as marcas no coração dessas pessoas ofendidas nunca mais desaparecerão totalmente, como as rugas na folha de papel amarrotado. 
O bom entendimento, o respeito mútuo, criam um ambiente de bem estar, de felicidade: em família, nas escolas, nas empresas, nas instituições, nas comunidades cristãs, em toda a parte. Evitemos as palavras duras que ofendem. As atribuições tantas vezes falsas que prejudicam e fazem sofrer. Falemos somente quando as nossas palavras forem tão suaves e inofensivas como o silêncio.
Mário Salgueirinho

segunda-feira, 21 de outubro de 2013

A resistência contra o mal é dura

No Angelus deste domingo, 20 de Outubro de 2013, o Papa Francisco fez a seguinte afirmação que me chamou atenção: «A luta contra o mal é dura e longa, requer paciência e resistência» (da alocução que precedeu a oração mariana do Angelus, aos milhares de fiéis reunidos na Praça de São Pedro).
Esta afirmação reveste-se de uma actualidade muito grande. O mundo está tão injustamente desarranjado que precisamos de muita gente consciente desta «luta dura contra o mal» sem desanimar nunca. A paciência terá que ser o valor principal e a força para resistir estoicamente. No fundo, não está dito que precisamos de heróis, mas de mulheres e homens normais que assumam de verdade o caminho da luta contra todo o mal que ensombra o mundo e a vida de hoje. Os valores da justiça, da transparência e da honestidade, são os alicerces desta luta dura contra o mal. Quanto precisamos de gente que se alimenta deste pão todos dias da sua vida…
Precisamos de gente que luta contra a irresponsabilidade e insensibilidade de governantes perante a realidade concreta dos seus povos. Como podemos tolerar que um político desacreditado em toda a linha como Paulo Portas tenha vindo a terreiro dizer que os pobres não se manifestam? - Até sabemos porquê… Porque a insensibilidade de governantes desta estirpe é tanta que decretaram, uma família com rendimento mensal acima dos 500 euros é uma família rica. Extraordinário. Só pode vir de gente que não vai ao supermercado, que não paga água, luz e todas as despesas mensais normais em qualquer família.
Mais ainda se torna urgente uma luta dura contra os mercados e as troicas que tomaram de assalto os Estados subjugando-os pelas dívidas que devem a ser pagas sem pestanejar à conta de juros elevadíssimos com sacrifícios astronómicos para o povo.
A luta também deve ser contra o vazio cultural que paira nas cabeças de quem tem responsabilidades em todos os domínios da sociedade. Uma luta sem tréguas contra a falta de sensibilidade democrática, contra a cleptocracia e contra todas as formas de governo que põem em causa os direitos elementares da convivência democrática. Tudo isto se traduz no desrespeito contra a cultura e contra a pluralidade da sociedade.
Uma luta contra a fome e a pobreza que alastra em todo o mundo. Mesmo até nas sociedades consideradas dentro de determinados patamares de desenvolvimento. Sem o fim da pobreza e da fome a humanidade continua a caminhar para um mais que certo suicídio.
A luta contra o mal que nos rodeia requer persistência e paciência porque o caminho será longo, mas como diz o poeta António Machado, «O caminho faz-se caminhando», que todos se sintam convocados para esta grande luta que fala o Papa Francisco mesmo que tenhamos que derramar lágrimas e sangue.  

domingo, 20 de outubro de 2013

Mais vale tarde do que nunca está a dizer muita gente

Este soalheiro domingo trouxe-nos a feliz notícia de que alguns «doutores da lei», afinal, vão ser determinantemente proibidos de acumular pensão e salário. O que a ética e o respeito pelo povo que verte suor e lágrimas para pagar água canalizada e luz - bens essenciais para a sua sobrevivência - não fizeram, faz agora um artigo no Orçamento de Estado.
Muito longe de nós andava a ideia, a alguns dias atrás, pensar que viríamos a terreiro defender este Orçamento de Estado. Mais uma vez aprendemos que não devemos julgar o todo pela parte. O Orçamente faz um ataque contra o grosso das pensões de sobrevivência, que são muito importantes para tantas famílias que hoje mergulhadas no desemprego recorrem a esse apoio para matar a fome.
Porém, este Orçamente fica para a história como sendo o documento que corajosamente ataca quem deve ser atacado, que em devido tempo não soube perceber que devia dar exemplo, devia pensar na maioria do povo que sofre as passas do Algarve para viver condignamente. Assim sendo, só podemos regozijarmo-nos e torcer para que os deputados da Madeira votem a favor do Orçamento do Estado 2014, com uma declaração de voto, explicando que estão contra os cortes dos mais fracos e indefesos, mas claramente a favor do corte automático da pensão de todos aqueles que não souberam em devido tempo dar um exemplo de ética e de que se norteavam por princípios elementares de solidariedade em relação ao povo que dizem servir.
Tudo tão simples. Tudo o que é ético e moral é legal mas nem tudo o que é legal nem sempre é ético e moral. Neste caso parece ser elementar nem precisamos de recorrer a muita dose de inteligência para perceber este isto. Não querendo abdicar de um dos valores monetários vá para casa e dê o lugar a outro. Todas as pessoas percebem isto. Não será por acaso que se ouve neste dia radiante de luz várias pessoas a dizerem abertamente, mais vale tarde do que nunca.

sábado, 19 de outubro de 2013

Poema

Pequeno ensaio poético para o fim de semana... Sejam felizes sempre!
Quanto sou sem parecer poucos o sabem
Mas indo e vindo até um infinito que desejo
Neste pensamento que nunca adormeço
Serei em cada hora mais do que pareço.

Então viverei a solene visão do ser que vejo
Na planície da luz enorme e duvidosa
Quando já soube tudo do mar imenso
Que navego em longos sonhos e sobressaltos.
Nunca serão em vão os montes altos
Nas palavras ceifadas na colheita da inspiração
Como os povos nas longas cearas labutam suor
Na esperança que leveda a prometida massa que faz o pão.

Nós então saboreamos agora o que somos
Mais o dom da vida que sorri em descontração
Porque ambos viram e comem o sustento desta procura
Para que nunca nos falte à fome a degustação
E às palavras a sabedoria de cada tema
Que na feliz conjugação se faz o poema.

José Luís Rodrigues

Os tempos novos onde reinará a justiça

Se te revolta, enoja ou simplesmente te põe alerta. Pensa no assunto e luta por um país, uma sociedade mais justa. «O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons» Martin Luther King.
 Reformas mensais... Concedidas com o apoio dos nossos impostos.

sexta-feira, 18 de outubro de 2013

Juízos precipitados

Quando falta a confiança e a obsessão da desconfiança toma o lugar e o tempo todo dá nisto... A precipitação dos juízos nunca foi bom conselheiro. Que nos sirva de lição. A rir aprende-se melhor...

A mãe do Joãozinho, stressada, pede ao filho para ligar ao pai, a dizer-lhe que o jantar está pronto.
- Já ligaste?! O que o teu pai disse?! Já vem?!
- Já liguei três vezes, mãe, mas só atende uma mulher...
A mãe, interrompendo-o, bruscamente, grita:

- ... Aaaah..., deixa comigo!... Quando ele vier, vai ver!!!
Mal o pai chega a casa, ela aplica-lhe uma valente tareia, com tudo o que encontra à disposição: vassoura, frigideira, panela, micro-ondas, enfim....
Os vizinhos correm em socorro, mas para conseguirem tirar o homem debaixo dela, era complicado: ela estava furiosa... ralhava, continuava a atirar com as coisas, enquanto esperavam pela ambulância...
- Ordinário, eu mato-te!!! Joãozinho, anda cá! Diz, aqui, a toda a gente, o que foi que aquela vaca te disse, ao telefone!
- Ela disse: "TMN - o número que marcou não está disponível. Por favor, tente mais tarde. Obrigada."...

quinta-feira, 17 de outubro de 2013

Para que serve rezar?

Mesa da palavra
Comentário à missa do próximo domingo
XXIX Tempo Comum, 20 de Outubro de 2013
Os fariseus de todos os tempos preocupam-se com minúcias e desprezam sempre o fundamental. Estes não se interessam com o bem de todos, sobretudo, os mais pobres e os abandonados. O poder e o domínio sobre os demais sobrepõe-se a tudo o que seja partilha e compaixão pelas necessidades dos outros. As comunidades de Lucas, parece estarem contaminadas com este mal. Então, temos fariseus escravos da vaidade e do orgulho... Os Sepulcros caiados, repletos de hipocrisia e corrupção. A seguir, temos os juristas e escribas em vez de guias, que se converteram em ditadores da opressão. Não são os mestres do jugo suave e da carga leve, mas os monstros dos fardos pesados exclusivamente para os outros.
Coisas que encaixam que nem uma luva neste tempo em que vivemos. Os pretensos doutores que nos desgovernam só, parece, que sabem fazer o seguinte, aumentar e cortar. Aumentar impostos para o povo em geral pagar e cortar no elementar direito à educação e à saúde. Mas, eles são os intocáveis. As benesses são infindas, os salários, as reformas duplas mantém-nas sem que ninguém lhes toque nem com a ponta do dedo. Os fardos deste tempo, que Jesus critica abertamente. 
Porém, ao lado deste quadro de prepotência e cegueira está Jesus, que nos apresenta um Deus cheio de compaixão e amor para com todos, especialmente, os fracos, os simples, os pobres e os abandonados. Daí que tenhamos um Jesus respeitador da letra da lei, mas que diz que a primazia pertence à justiça e ao amor, «E Deus não havia de fazer justiça aos seus eleitos»?
Nós, os cristãos, devemos libertar-nos de todos os esquemas legalistas e procurar o caminho de Jesus de Nazaré que nos torna filhos de Deus cheios de liberdade. A verdadeira lei é Jesus Cristo, que se define com um amor total aos homens e mulheres de todos os tempos, a quem fez irmãos. Deste modo, a oração consiste em acolher esta oferta de Jesus, a seguir, empenhar-se na construção do mundo e da vida segundo a lógica de Deus. Afinal, para que serve a oração? - Para pedir favores a Deus... Não apenas, mas para descobrir qual é o pensar de Deus, conjugá-lo com o nosso e depois agir com coragem e confiança, procurando as melhores soluções sem nunca perder a certeza de que o amor de Deus está sempre presente.
A oração, serve para libertar e nunca é uma obrigação opressiva de fórmulas rituais anacrónicas e sem sentido nenhum para a vida concreta. A oração é importante na medida em que se torna sinal da criatividade pessoal de cada um/a na sua relação com um Deus amigo e compassivo.

quarta-feira, 16 de outubro de 2013

Orçamento de Estado: Portugueses Esmagados

Eis uma brilhante imagem para o dia de hoje, após a entrega do Orçamente do Estado na Assembleia da República. Não precisamos de comentar muito. A imagem vale por si mesma, mais a palavra que a acompanha: «Esmagados». A seguir de propósito deixei a acompanhar a imagem o título que se segue por baixo: «fatura da luz aumenta 2,8% em Janeiro». Tudo aumentos, tudo cortes, tudo sacrifícios, tudo austeridade... Até quando este descalabro sobre o nosso povo esmagado por esta loucura destes governantes sinistros que não se importam com pessoas, mas apenas e só com números? 
Quanto ao resto que já se vai sabendo que contém o Orçamento, está por aí muito bem escrito, que pode e deve ser lido com toda a atenção por todos, para que a indignação e a vontade de lutar se acenda de verdade no coração e na alma de todos aqueles e aquelas que ainda consideram que essa realidade ainda não é passível de ser taxada ou banida deste sacrificado país. Com alma e coração podemos fazer do nosso país um lugar mais feliz para crianças, adolescentes, jovens, casais cheios de sonhos, de esperança e para os nossos idosos devidamente cuidados como se de pérolas se tratassem, porque um país que despreza o seu povo como o nosso está a ser desprezado por quem governa, melhor, desgoverna não pode ter futuro.
O tempo urge. É preciso coragem e firmeza para não vacilarmos na determinação de chegado o momento julgarmos todos os que são responsáveis por este crime hediondo contra um povo, que merece mais e melhor. Ainda assim acredito no nosso futuro e estou certo que na ocasião propícia a serenidade e a inteligência que informa este país há mais de oito séculos, não irá faltar para que possamos construir um futuro mais risonho para todos. Está nas nossas mãos. Não baixemos os braços.   

terça-feira, 15 de outubro de 2013

Duas figuras incontornáveis no caminho da fé

As duas principais figuras que nos marcam o passo da fé perante as contigências deste mundo...
São Paulo
Tu, oliveira brava [...] não te vanglories contra os teus ramos. Não és tu que sustentas a raiz, é a raiz que te sustenta a ti! (Romanos 11, 18).
Epístola aos Gálatas: a partir de agora, não há judeu nem grego; não há escravo nem livre, não há homem nem mulher: pois todos vós sois um só em Jesus Cristo (Gl 3, 28). 
Santa Teresa d'Ávila
Bernini - êxtase de Santa Teresa d'Ávila
Nada te perturbe, Nada te espante,
Tudo passa, Deus não muda,
A paciência tudo alcança;
Quem a Deus tem, Nada lhe falta:
Só Deus basta.

Eleva o pensamento, Ao céu sobe,
Por nada te angusties, Nada te perturbe.
A Jesus Cristo segue, Com grande entrega,
E, venha o que vier, Nada te espante.
Vês a glória do mundo? É glória vã;
Nada tem de estável, Tudo passa.

Deseje às coisas celestes, Que sempre duram;
Fiel e rico em promessas, Deus não muda.
Ama-o como merece, Bondade Imensa;
Quem a Deus tem, Mesmo que passe por momentos difíceis;
Sendo Deus o seu tesouro, Nada lhe falta.
SÓ DEUS BASTA!
Santa Teresa d'Ávila

segunda-feira, 14 de outubro de 2013

Uma Manhã Submersa

Antiga estrada para o Curral das Freiras.
Devia ser património da humanidade.
Tomei conta da expressão que intitula o famoso livro de Virgílio Ferreira, para reflectir um pouco acerca das muitas manhãs e quem sabe também tardes submersas que preenchem todo o nosso viver. O título diz assim: «Manhã Submersa». Trata-se de um livro famoso.
Que manhã submersa num abismo de mágoa sentida e de esperança sem sabor a nada. É quase um desespero se não fosse a minha fé - esse outro nome da esperança, que no lugar dos possíveis nos remete para os outros lugares da impossibilidade aparente. E aqui a manhã submersa é apenas um momento, um estado de alma, porque essa esperança da fé, imerge como uma possibilidade redentora que nos salva de todas as reviravoltas destas andanças.
Quem vos disse que seria melhor fugir das sombras ou das manhãs submersas desta vida. - Ninguém poderá dizer a ninguém. Porque a vida é o que é. Todos têm as suas manhãs mais emersas ou mais submersas. E porque não dizê-lo como o diz tão bem Ana Teresa Pereira no seu romance, «Se morrer antes de acordar». A autora ensina de uma forma luminosa o seguinte: «a luz e as trevas hão-de estar sempre juntas, o que interessa é trabalhar com elas, amassá-las, como argila, como pão». Para os puritanos, exímios na defesa da sua consciência, no que se refere aos outros, não poderia existir melhor ensinamento.
A presente reflexão pode servir para pensar um pouco, ou seja, indignar-se perante a linguagem que se faz uso e abuso por essa dita democracia. O mau exemplo e os excessos de língua provocam calafrios a todos os que se preocupam com o verdadeiro debate, com o confronto pacífico das ideias e com a desenvoltura das propostas.
É este tempo, esta manhã submersa, que nos fere a alma dos dias como se fôssemos uns estranhos ou até mesmo uns perdidos que não sabem por onde vão nem muito menos para onde vamos. Mas, também nesta hora se levantam as palavras do poeta José Régio que grita, e como foram gritadas quase com raiva por João Villaret: «Sei que não vou por aí...».

sábado, 12 de outubro de 2013

As nuvens negras da noite

Poema para o fim de semana...
Nesta hora em que as venço pela força da tecnologia
As negras nuvens da noite trepidam o chão e o tecto
Na maior insegurança do cosmos onde me sento.
Então pergunto à inquietação do mistério que me guia.
Como pode um nada ser tanto ou tudo?
Mais uma sensação que fica neste deslizar sentido
Nos ares do mundo que nos levam adiante.
Esta visão de nada que a cor negra da noite escondeu
As brancas e vaporosas como são todas as nuvens
As desta atmosfera e as do cérebro que se alimenta
Do vapor negro do ódio, do desprezo, da solidão...
De toda pobreza de não ser gente com toda gente.
Livre-nos as nuvens negras do pensamento e da vontade
Porque cerceiam cruelmente o brilho fecundo em cada manhã.
Mais o sol dos dias que o círculo do amor descobre para nós
Na indomável noite e dia que nos presenteia a pulsão eterna da criação.
São negras as nuvens na noite mas só na imperfeição do olhar.
Não fosse depois a pequena réstia de luz dizer
A verdade toda que esse nada que é tudo Deus fez branco
No segredo que cada porto seguro além do horizonte
Espera sereno os pés que nos levam ao lugar do sonho e do desejo.
Foram estas palavras que o poema amou perdidamente
E fez testemunho seguro na viagem daquela manhã
Que nos trouxe ao abrigo da cidade maior onde os homens
Sempre souberam acolher o aconchego da esperança
E tornaram-se para sempre paladinos da fé.

sexta-feira, 11 de outubro de 2013

Um Deus para todos

Mesa da Palavra
Comentário à Missa deste domingo
Domingo XXVIII Tempo Comum (Lc 17, 11-19)
A gratidão na mensagem de Cristo, também é elevada à condição de valor essencial para o cristão. No texto, que o Evangelho de Lucas nos apresenta, ficámos a conhecer que Jesus curou dez homens com lepra de uma só vez. Parece ser mais evidente o pedido realizado pelos dez leprosos, porém, a sensibilidade para a gratidão, apenas se fez sentir no coração de um apenas e que por sinal não é conterrâneo de Jesus, mas estrangeiro, era um samaritano. Mais uma vez aprendemos que facilmente gritamos por socorro e pela salvação, mas a abertura para a gratidão não parece ser tão evidente na nossa vida e tão rápida como a vontade de pedir. É o mundo que temos, a educação que não temos e a mentalidade actual que parece achar que a tudo tem direito sem nada em troca. Tudo sem paciência, sem esforço e sem trabalho.
Não é nova a insensibilidade da ingratidão. O próprio Jesus sofreu com isso. Está bem expresso neste texto tirado de Lucas. Apenas aquele, que não se esperava que agradecesse, veio comovido «e prostrou-se de rosto por terra aos pés de Jesus para Lhe agradecer».
Esta atitude foi muito relevada por Jesus, porque não foram aqueles que eram seus compatriotas os mais gratos. A nossa vida também está cheia de muita ingratidão. Serão muito poucos, aqueles que se prostram diante de Deus e Lhe agradecem o dom da vida, o dom da saúde e o dom da felicidade. Entre nós, também acontece que as pessoas muitas vezes facilmente se esquecem de manifestar gratidão perante a boa aceitação e a ajuda dos outros.
O nosso mundo seria muito mais belo se todos soubessem pronunciar uma palavra de gratidão perante a beleza das coisas materiais e espirituais que Deus nos coloca à disposição. Algumas pessoas não querem que lhes agradeçamos os favores que fazem, mas fica sempre bem da parte daqueles que os recebem uma atitude de gratidão. Deus não precisa de «obrigados», antes deseja que a nossa vida seja também uma constante graça em favor de todos, porque em todos está presente o sacramento por excelência que é Deus.

Dia sem diário não é dia

Mesmo correndo o risco de irritar algumas pessoas e instituições, manifesto aqui desassombradamente os meus parabéns ao Diário de Notícias do Funchal que hoje celebra 137 anos. Obviamente, com muitas falhas, com atropelos a alguns princípios e valores. Também com notícias incompletas que poderiam ser mais simpáticas, mais fidedignas a quem é lesado naquilo que é anunciado. Poderíamos ter mais e melhor informação, com toda a certeza.
Porém, temos sempre o que não teríamos de outra forma. Não duvido que para todos, simpatizantes ou não do Diário, adversários e até mesmo os que se confessam assumidamente não serem seus leitores, sempre fazem o que dizia o slogan: «dia sem diário não é dia». Ora se é assim mesmo... 
A democracia não existe sem informação livre. Não existe liberdade sem a circulação de ideias, de opiniões, de palavras. O Diário tem feito esse trabalho ora com muita qualidade ora com muitas imperfeições. Mas lá está quando é preciso. E com isto tudo, que atire a primeira pedra quem faz tudo certo, quem é perfeito, quem não tem pecados e não erra nunca.
Nesta linha de pensamento desejo ao Diário de Notícias, aos seus donos, aos seus trabalhadores, colaboradores, leitores e ao povo da Madeira, os meus sinceros parabéns e faço votos que o caminho não termine nunca e que venham aí muitos mais anos para que os madeirenses continuem a dizer neste dia 11 de Outubro, «parabéns Diário de Notícias».
Por isso, siga a festa da palavra e da informação contra tudo e contra quem deseja uma democracia afunilada, peneirada para que passe apenas o pensamento único, para que se faça a história de um homem só ou de uma única instituição. Isso não existe. Somos pela pluralidade, pela diversidade a todos os níveis. Por estes valores essenciais da democracia devemos lutar todos com todas as forças, mesmo que para tal tenhamos de verter suor, sangue e lágrimas.
Todos juntos somos a Madeira e precisamos de todos para fazermos desta terra um lugar onde todos possam viver com verdade, dignidade e liberdade. Um obrigado ao Diário por esta luta e que continue a ser uma casa aberta a todos os que desejam participar informando a favor do bem para todos, da justiça e da fraternidade na nossa terra. Sem censuras e sem ofensas.

quinta-feira, 10 de outubro de 2013

Os partidos políticos fizeram felizes os Manés e as Marias

Nunca se falou tanta num rescaldo eleitoral de massas, arroz, batatas, azeite, óleo, telhas, sacos de cimento, areia… Uma panóplia de géneros alimentares e produtos de construção civil impressionante que deve ter feito os índices económicos subirem em flecha entre nós durante o período da campanha eleitoral. Até podíamos eleger como canção de top esta, que tem este refrão: «eu sou feliz, ao pé da minha maria com cabras porcos e vacas, vivemos com alegria».
Até cansa se ter ouvido falar tanto nestes bens. A meu ver chegam ser um insulto a quem tem tão pouco ou nada para a sua sobrevivência. Porque, os partidos políticos, especialmente, o que governou a Madeira quase 40 anos, finalmente, assumiu acusando os outros de terem feito o que pertencia ao seu segredo que consecutivamente o fez ter sucesso nos muitos momentos eleitorais que se foram seguindo nestes quase 40 anos a governar a Madeira.
Destapada a careca, chega finalmente o momento de se ver revelado o método que não era estranho a ninguém. Sacos de cimento, areias, telhas e tintas foi o que muitos aproveitaram e bem como dávida vinda do céu. Tolos seriam os que não recebessem, ainda mais em tempos de austeridade e de penúria como estes que estamos a viver, quando não sobre sequer um troquinho para comprar um rebuçado ao pequeno.
Depois foram os muitos cabazes que supermercados afectos ao partido do poder foram distribuindo por todo o lado sem falar depois da chuva de telefonemas a lembrar o voto e a combinar a hora da chegada do carro ao serviço do transporte de eleitores. Coisa que devia ser para transportar quem precisava mesmo, os doentes com incapacidade de locomoção, mas como não se consegue fazer um favor sem abusar nesta terra, toca a pegar nos carros e usá-los a torto e a direito. Nada disto deve ter acontecido para o partido habituado a ganhar sempre, nada disso foram, foram só os outros que seguiram estes esquemas, porque estes perderam (perderam, repita lá outra vez… ah, pois, ganharam, mas já me esquecia!) limpinho.
O debato de ontem na RTP-Madeira, foi revelador desta realidade. Os acusadores lá estavam e quase se guerreavam a ver quem tinha dado mais massa, mais arroz ou vice-versa. Sobre questões importantes para o futuro não ouvi nada. Uma tragédia olhar para aquele retrato. Uma maioria de gente que sem dizerem nada já desconfiamos da capacidade para tomarem conta dos destinos do povo. Oi, oi, oi, se abrem a boca para falar, apanhamos um susto. Ontem provou-se claramente, para termos a noção daquilo que são os nossos autarcas, é coloca-los todos junto numa sala. Foi pena não ter havido vários debates antes das eleições, assim tínhamos uma visão de conjunto e podíamos avaliar melhor em quem íamos votar. Convenci-me que se tal acontecesse os resultados seriam outros e até as derrotas podiam ser maiores e as vitórias podiam ser ainda mais expressivas.
Contudo, venham muitas eleições, pelo menos durante algumas semanas o nosso povo não passa fome e a economia gira porque se fazem algumas obras. Mas, sempre esperamos que os votantes mesmo de barriga cheia não percam a lucidez, votem com responsabilidade e em consciência.  

quarta-feira, 9 de outubro de 2013

Este mundo não parece ser para pessoas

Outra vez Lampedusa pelas piores razões. Centenas de pessoas morreram neste último naufrágio. Dizem que é a ponta do icebergue. Aquele que parece ser um porto de abrigo, Lampedusa, torna-se todos os dias o porto do desembarque da morte. São milhares de pessoas que fogem da violência, da fome, da pobreza e de tanta miséria que ainda existe neste mundo, que cada vez mais se vai revelando como sendo um lugar que é não é pessoas. 
Na visita simbólica que o Papa Francisco realizou em Julho à ilha de Lampedusa pediu pelo «despertar das consciências» para combatermos a «globalização da indiferença».
Aí está outra vez a notícia pelas piores razões, o azul oceano Mediterrânico engoliu mulheres, crianças de todas as idades… Centenas de pessoas que se foram de forma trágica e o único crime que cometeram é este, colocar em risco a sua vida em nome de condições melhores para serem gente com dignidade. Um ideal aceitável como todos os nossos ideais. É terrível que o mundo não esteja organizado para que os ideias elementares da vida humana não vejam a luz do dia. Ninguém devia morrer nem sofrer por causa deste desejo, desta vontade profundamente humana e divina.
O mundo devia lavar-se em lágrimas de vergonha quando acontecem tragédias deste teor. Para onde vais Europa se te permites assistir às tuas portas à morte de tantos inocentes vítimas de um desenvolvimento desigual? – É preciso acordar e permitir a entrada de toda a gente, criando condições de integração, para que se renovem as nossas sociedades, mergulhadas na maior depressão porque deixamo-nos envelhecer.
Precisamos de sangue novo. Precisamos de humanidade. Precisamos de dar consequência aos princípios elementares da fraternidade que enformou a tradição humanista da Europa. Precisamos de políticas criadoras de uma Europa que junta os valores cristãos que fizeram da Europa este lugar mítico do bem estar tanto para os povos que nela tenham nascido, mas também para os outros que nos seus países não têm condições elementares de liberdade e de desenvolvimento para viverem com humanidade.
Deve ser exigido à Europa que esteja a favor dos que chegam e os proteja com humanidade. Melhor será que a Europa não apoie regimes que não respeitam os direitos humanos, governos cleptocráticos que não se importam com os seus povos e mergulham na corrupção e no saque frequente do bem comum. Estar contra isto é essencial, para que estas tragédias deixem de existir entre nós. E os povos encontrem condições condignas para viverem aí no lugar onde nasceram e não terem necessidade de se lançarem mar adentro correndo todos os riscos horríveis que levam a estas tragédias. É preciso lavar-se em lágrimas, purificar o pensamento e a vontade para fazermos deste mundo um lugar habitável para todos os povos.

segunda-feira, 7 de outubro de 2013

Cortes nas pensões de sobrevivência

Os irrevogáveis ministros «sociais democratas cristãos»?
O desgoverno de Passos Coelho e Paulo Portas preparam-se para cortar nas pensões de sobrevivência para poupar ao Estado apenas 100 milhões de euros. «Já não há vergonha», aludindo ao Jorge Ferreira, para continuar nesta armada de empobrecer cada vez mais o país e dar a última machada no Estado Social. Este desígnio de gente impreparada, guiada por um neo-liberalismo bacoco, continua imparável com meias verdades e mentiras a conta gotas a sugar os mais pobres e a tirar dinheiro à economia real.
«O sistema será automático, não exigindo qualquer esforço de comprovação de recursos (rendimentos ou património) dos pensionistas, como acontece na prova de condição de recursos exigida aos beneficiários do RSI. As mesmas fontes, oficiais, admitem que os cortes vão ser progressivos, atingindo sobretudo os beneficiários com pensões mais elevadas. No fundo, o Governo compromete-se, para o OE2014, com uma poupança de 100 milhões de euros na despesa com pensões de sobrevivência. Cerca de 4% da despesa total com estas prestações sociais atribuídas a viúvas e viúvos - entre o regime geral da segurança social, e a caixa geral de aposentações - o Estado gasta cerca de 2700 milhões de euros com pensões de sobrevivência, a cada ano", referem as notícias deste dia. Uma tragédia social. 
Cada vez haverá mais disto, espelho das acções
dos sem vergonha que nos desgovernam
O corajosos que nos desgovernam roubam aos pobres e salva as grandes empresas e os grupos económicos. O todo poderoso Paulo Portas e Passos Coelho aí não tocam, porque está tudo minado com os betinhos cristãos católicos vindos da Universidade Católica e filhos dos magnatas ligados aos grandes partidos. Um bando de corvos que tomou conta de tudo do bem comum. Sofrem os fracos, os indefesos.
É preciso parar com esta desgraça. Ou queremos um país onde a maioria ficará irremediavelmente muito pobre e outra minoria irremediavelmente muito rica... Também assusta convencer-me cada vez mais que vamos ter uma sociedade profundamente insegura, porque serão imparáveis os pequenos e grandes roubos, a mendigaria vai atolar as nossas cidades, porque a fome será cada vez mais a tragédia do nosso país. E a maioria ou pedincha ou vagabundeia ou rouba para comer.
O olhar para o horizonte da incerteza
vai comandando a vida de tanta gente
Já vai sendo tempo de serem exigidos que os cortes terão de ser feito ao nível da claque de privilegiados da administração pública e também devem ser responsabilizados os governantes que fazem brincadeiras infantis tipo aquele do «irrevogável» do sr. Paulo Portas. E devem ser presos todos os agentes da corrupção que lesam quotidianamente a justiça e o bem comum. Mais ainda se espera que alguma coragem apareça à frente dos nossos destinos para renegociar as dívidas e os juros. Se assim não for em pouco tempo teremos um país completamente dizimado. É preciso travar esta queda pelo abismo e fazer com que o nosso povo em todas as idades volte acreditar no futuro e a viver com alegria.
A insensibilidade destes políticos actuais é impressionante, falam de cortes aos mais indefesos com uma desenvoltura preocupante e não se importando nada com o fim do Estado Social nem muito menos com o sofrimento que conduz às lágrimas que muitos vertem diante da miséria que têm dentro de casa, o desespero perante a falta de trabalho/emprego e com uma grande porção da população desocupada sem qualquer perspectiva de futuro. É preciso ao Dr. Paulo Portas não ter mesmo vergonha nenhuma depois de ter feito o que já fez lesando o Estado com muitos milhões. A mentira e a lata estão em alta. Alguém que trave esta barbaridade senão daqui a dias não teremos pessoas. A vergonha pode ser um mal em muitas coisas da vida, mas não ter vergonha nenhuma é uma tragédia bem pior.

O acossado

Antes de tudo, o que é o acossado? - É o perseguido; o acusado; o instigado; o castigado...
Há um filme magnífico de Jean Luc Godard de 1960 que nos dá uma ideia interessante do que é um acossado.
Vamos então à sinopse do filme. Após roubar um carro em Marselha, Michel Poiccard (Jean-Paul Belmondo) viaja para Paris. Pelo caminho mata um polícia, que tentou prendê-lo por excesso de velocidade, e já em Paris obriga a hesitante Patrícia Franchisi (Jean Seberg), uma estudante americana com quem se envolve, para escondê-lo até receber o dinheiro que alguém lhe deve. Michel promete a Patrícia que irão juntos para a Itália, no entanto o crime de Michel está nos jornais e agora não há opção. Ele fica escondido no apartamento de Patrícia, onde conversam, namoram, ele fala sobre a morte e ela diz que quer ficar grávida dele. Ele perde a consciência da situação na qual se encontra e vagueia pela cidade cometendo pequenos delitos, mas quando é visto por um informador começa o final da sua trágica perseguição. Porém, tudo enquanto durou foi bom.
Onde é que eu já vi histórias semelhantes? - Cada um que dê largas à sua imaginação, mas sem exagerar muito, porque Santa Teresa do Menino Jesus dizia que a imaginação é a louca da casa. Pela esquizofrenia dos acossados da praça, fica provada a constatação da santa...
Mas, esta descrição se não fosse um filme podia ser encaixada na nossa terra e servir para descrevermos o que se está a passar. Não era preciso ser bruxo para adivinhar que ao fim de quase 40 anos de vitórias que resultavam de campanhas bem oleadas, de barulho ensurdecedor que impressionava os fanáticos e todos os outros mesmo que fossem mais discretos e não andassem a visitar todas as capelas da liturgia da fartura que conduzia ao céu. Agora as farturas, vingativamente, acabam na Meia Serra.
Porque chegaram a vez das derrotas... E agora? - Então temos um bando imenso de acossados, que revelam mau perder como se fosse obrigatório ganharem sempre. Mais ainda notamos que o delírio é transversal a todas as instituições da Madeira. O sabor amargo da derrota e a preocupação quanto à perda do amparo para o futuro do deus com pés de barro todo poderoso da Singapura do Atlântico, fez nascer acossados por todo o lado, que à boa maneira do costume desatam a atirar balas para os alvos de sempre. Falta de criatividade. Será? Ou antes seguidismo à boa maneira do lugar onde a mediocridade assim o exige? - Não sei, cada um que fique com a sua...
O que há, então? - Vamos a eles! - A comunicação social hostil mais aqueles jornalistas e colaboradores, que a família Blandy aconchega debaixo das suas asas como a galinha quando abafa os seu pintos. Mas quem sabe também se a maçonaria não anda por aí camuflada a semear desordem na cabeça do povo juntamente com aquela cambada que nos desgoverna em Lisboa?; mas quem sabe ainda se não é o fantasma do Sócrates que depois de vir à Madeira derramar uns milhões ao abrigo da lei de meios depois daquela tragédia que foi o 20 de Fevereiro de 2010, «raios o parta», daí prá nunca mais nos endireitamos, foi sempre de cabeça à baixo...  - Estas apenas as que me lembro agora, mas dizem prá aí que há um rol enorme de forças secretas que andam a estragar isto tudo e a inquietar todos os que estes anos engordaram agarrados à teta.
O mais interessante, é que se acossam não só os pacóvios indígenas, nados e criados, na gema e na clara da Madeira. Mas, também os outros que antes de chegarem ou até mesmo à chegada, emprestam alegria, promessas de mundos e fundos, que entusiasmam até os mortos a tal ponto que não faltavam uma vez que fosse no dia das eleições para votar, claro que todos sabem em quem, não preciso dizer.
Eles são Representantes da República, chefes de polícias, magistrados, antistes, professores, militares, frades e freiras, noivos e noivas, empregados de serviços, turistas, trabalhadores, vadios... E tantos os que o rectângulo envia à procura de melhores condições de vida ou então em missão de serviço a mando de alguma causa ou instituição. Numa palavra, todos vinham à procura do «el dourado», como qualquer triste emigrante que se desterra convencido que lá na outra margem está o paraíso. Por isso, chegam promissores, mas rapidamente entram no esquema e aprendem logo como é que se faz. Querem lá saber se já foram cubanos e outros nomes que este blogue acha que não se deve escrever para não ferir susceptibilidades.
Eu sei lá, uma infinidade de coisas deste passado recente, que as derrotas vieram acossar e destapar todos os maus génios. Mais ainda, se repara que esta mania de culpar tudo e todos para não assumir responsabilidades sacudindo a água do capote, fez escola e pelo andar da coisa, o andor ainda não saiu à porta do adro.

domingo, 6 de outubro de 2013

Frases divertidas do Papa Francisco no Rio de Janeiro

Muito engraçado o que se segue....
Sobre os jornalistas:
Não são "santos da minha devoção", mas tampouco "leões tão ferozes assim".
Durante a bênção das bandeiras no Rio de Janeiro, o Papa Francisco brincou com os presentes. Diante do comentário do prefeito sobre o mau tempo, disse: "Vocês precisam levar uma dúzia de ovos às Clarissas"; e a uma lutadora de carate: "É melhor eu cumprimentar você com respeito". Com um ex-jogador de basquete, brincou sobre sua altura.
Aos jovens argentinos se entusiasmaram com a já famosa frase "Quero bagunça nas dioceses, quero que saiam às ruas"; na conversa com eles, também brincou sobre estar enjaulado: "Que pena que estejam enjaulados. Eu também às vezes me sinto enjaulado, confesso de coração. Eu gostaria de estar mais perto de vocês, mas compreendo que, por questões de segurança, às vezes isso não é possível".
À venezuelana Estefani Lescano, de 21 anos, comentou que o Papa lhe disse, brincando: "Os venezuelanos não têm pecados".
Um dos momentos mais espontâneos do Papa Francisco foi o almoço com os jovens. Começou dizendo: "Quem é o cara-de-pau que vai falar primeiro?". E falou abertamente: "O que quiserem perguntar, podem perguntar; se há algo com o qual não concordam, espero que me digam também; não digam somente 'sim' porque 'sim'".
Diante dos bispos do CELAM: "O fenómeno dos bispos polígamos (risos). Estão casados com uma, mas esperando para ver quando chega a promoção".
Na emissora Globo. Sobre a rivalidade Brasil-Argentina, o Papa Francisco disse que já está superada: "Negociamos bem: o Papa é argentino e Deus é brasileiro".
Quanto à sua escolha de morar na Casa Santa Marta, afirmou, rindo, ser "por razões psiquiátricas: não posso viver sozinho", e "por razões de pobreza, pois, do contrário, teria de gastar muito dinheiro com psiquiatras".
À segurança do Vaticano e do Brasil, ainda que "os dois sabem que sou muito indisciplinado neste aspecto"; ou quando falou da proximidade necessária da Igreja: "Não conheço nenhuma mãe por correspondência".
No avião papal, o Papa Francisco deu corda à sua capacidade criativa. Sobre o conteúdo da maleta preta, disse: "Não guardo nela a chave de uma bomba atómica"; "Guardo lá o barbeador, o breviário, a agenda e um livro para ler. É normal carregar uma maleta quando viajamos, temos que ser normais".
Sobre o IOR, Banco do Vaticano, também brincou: "Vamos por um lado, mas se chutam e fazem um golo, precisamos atacar, não é mesmo? A vida é assim e esta é a beleza da vida. Não sei como vai acabar a história do IOR".
Ele inclusive se atreveu a falar do caso de um sacerdote preso com especial ironia: "Temos esse monsenhor na prisão [núncio Acarano, acusado de desviar grande quantidade de dinheiro], e ele não foi preso precisamente por se parecer com a Beata Imelda...".
Sobre o lobby gay no Vaticano se livrou do seu fino senso de humor: "Escrevem muito sobre o lobby gay. Mas eu ainda não me encontrei com ninguém que me mostre um documento de identidade que diga isso".
Mas talvez o momento mais engraçado tenha sido quando o Papa Francisco perguntou se já queriam jantar e um jornalista lhe indagou: "O senhor está cansado?". "Não estou casado, sou single", respondeu, fazendo todos rirem.
In ALETEIA

sexta-feira, 4 de outubro de 2013

São Francisco de Assis

Ao Papa Francisco
A existência da amizade e fraternidade fez-se carne
No homem em Assis.
Nele o canto alegre de ser pobre.
A santidade simples como os lírios do campo.
A fé e o sonho do cosmos em plenitude
Na fusão do sol que é irmão
A lua, as estrelas cintilantes na escuridão amiga
Quando o pedinte vagueia de mão estendida
Na busca da partilha do pão.
Nisto diz no canto da paz das criaturas
Que "a morte corporal" também é irmã  para todos.
E nesta leveza sustentável e radical
Somos todos inspirados a olhar a brisa do tempo
Daquele que contemplando a riqueza
Se desprende dessa prisão
Para saber de Deus alimento espiritual
Na fortunada de ter tudo dentro do farrapo do corpo.
Tudo fraternidade...
Os dias, as noites, as plantas, as flores, os frutos, os pobres, os animais...
Obrigado irmão Francisco pelo ensino
Que o melhor do mundo é um nada que é tudo.
Ah, se as mãos desprezam o céu
Resta-nos o chão do mundo onde falta tantas vezes a harmonia da criação.
Nisso vemos e sabemos da missão
Que nos transcende a voar mais alto o amor fecundo.
Ai como nos inspira o santo e o pobre de Assis
Que em boa hora Deus gerou nas entranhas do mundo.
José Luís Rodrigues

Uma informação nada cristã

Não vejo a hora da devida equidistância entre quem faz comunicação deste género e uma instituição que prezo muito e que está à beira de somar 500 anos (2014) na Madeira, a Diocese do Funchal. O sonho não acaba e a vontade que essa verdade se faça realidade nunca morrerá.
É triste muito triste que o Jornal da Madeira, um meio de comunicação social da Diocese tenha sido tomado pelo poder político, por um homem e por um partido político para fazer jornalismo e comunicação deste teor.
Um jornal que nasceu sob os auspícios de ser cristão, ser religioso, ser voz da evangelização na Madeira... Esteja agora entregue a estes delírios patéticos que nos envergonham e fazem soar o alerta quanto às razões originais do Jornal da Madeira, mais ainda se pensarmos o quanto desrespeitam a dedicação, o sofrimento, o trabalho de tantas figuras ligadas à Diocese do Funchal, que sabemos terem passado das boas por causa do jornal.
Ah! E se pensarmos no imenso de dinheiro que a Diocese no passado teve que injectar no Jornal para o salvar e cumprir com as suas responsabilidades para com os trabalhadores daquela casa. Agora não mete lá um cêntimo sequer, recebe pelo aluguer do edifício - coisa que suspeito já não receber há muito tempo tendo em conta as dificuldades de tesouraria do Governo Regional, ninguém diz nada, os calotes devem ser astronómicos - e por isso não se fala e a Diocese deixa andar uma comunicação insultuosa, patética e delirante. Anti cristã, porque insultuosa contra pessoas e instituições. A Madeira não precisa disto. O nosso povo não precisa disto e está-se nas tintas para as invenções de Blandy's, maçonarias e todos os bodes expiatórios que se vai inventando para justificar desaires e uma perpetuação no poder que está a revelar-se mais dolorosa do que se imagina para o nosso povo. Tudo isto ofende os outros e desrespeita a Igreja Católica da Madeira, que sempre se pautou pela lógica da verdade do Evangelho, que deseja firmemente imprimida no coração das pessoas para orientarem a vida no caminho do bem.
Face a este descalabro, o mínimo que se deseja é que a Diocese tome uma posição, diga que não alinha com esta comunicação e que se deixe de se «alimentar» com benesses, com favores que depois se revelam caros porque aprisionam e remetem ao silêncio ensurdecedor. Chega. O nosso povo merece respeito. A Diocese não precisa disto. Os membros da nossa Igreja que sofreram muito no passado, merecem mais do que uma missa anual em sua memória, temos que ser honestos no cumprimento da missão sem amarras e sem benesses que nos tirem o sentido do zelo que nos deve comandar no cumprimento do dever.
Penso que já é tempo de chegar à nossa Diocese alguma prática do que diz e faz com toda a coragem o «tsunami» que está a ser Papa Francisco...