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sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam

Texto de Pedro Abrunhosa para ser lido nestes tempos em que natureza se ri das más acções da humanidade...
"Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam"
"E nas noites brilhantes as palavras voavam,
Eu via que o céu me nascia dos dedos"
"E a Ursa Maior eram ferros acesos. Marinheiros perdidos em portos distantes,"
"Em bares escondidos, em sonhos gigantes.
E a cidade vazia, da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto."
"Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?"
"Aquele era o tempo em que as sombras se abriam, Em que homens negavam o que outros erguiam."
"E eu bebia da vida em goles pequenos, tropeçava no riso, abraçava venenos. De costas voltadas não se vê o futuro nem o rumo da bala"
"Nem a falha no muro. E alguém me gritava com voz de profeta. Que o caminho se faz entre o alvo e a seta."

"Quem leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada? ""De que serve ter o mapa se o fim está traçado, ""De que serve a terra à vista se o barco está parado,"
"De que serve ter a chave, se a porta está aberta, ""De que servem as palavras, se a casa está deserta?"
"Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?"
(Pedro Abrunhosa)

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