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sábado, 15 de fevereiro de 2014

Quando querer é poder

Ensaio poético para o nosso fim de semana...
Todas as vezes que se soltam as amarras da vergonha
porque se tem ideias e ideais. Ou liberdade de pensar sem ser
com medo. Aquele medo que priva de falar alto
porque os olhos que espreitam nas esquinas
são a censura que fazem recuar as palavras do vento.
Ó horrível esquizofrenia de que até as pedras têm ouvidos.

Todas as vezes que qualquer pessoa se levanta do chão
e não permite que os pés dos poderosos espezinhem
a carne e a dignidade. A consciência da verticalidade
é a única via para ser humanidade plena...
Mas poder surgir de todo o chão da miséria onde outros
cravaram os pregos enferrujados para o sofrimento
é o único sentido para quem não se submete à carga da dor.
Mais se reflecte neles a vontade dos gigantes que no querer brota em flor
na luta serena para a glória que atesta o pedestal dos vencedores.

Todas as vezes quando o mundo de cada pessoa
se constrói em cada dia no meio dos escombros
que a desordem do mundo de todos vai semeando.
Nesse interior dos cacos que nos foram dados
melhor comungar a esperança, a convicção sentida
de todas as flores que logo após as primeiras chuvas
no meio das cinzas se levantam pujantes para luz.

Todas as vezes que os campos fogem da solidão
porque neles as crianças brincam todos os jogos da amizade
eis a convivência na paz que todos os corações precisam.
Melhor então retemperarmos no silêncio de todo o ruído
que a poluição dos dias sempre oferece
pois deixemos a liberdade que toda a bondade
permite transparecer o sorriso que a fé garante
quando a felicidade brota doce em todos os sinais
da vida que se planta nos campos floridos do amor.
José Luís Rodrigues

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