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segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Quando a vingança comanda a vida

O encantamento da relação amorosa é das coisas mais belas que Deus criou, mas depois disso descobrir-se que a relação vai assentar na base da vingança, vemos emergir um terrível desânimo. Mais adiante, depois do corte de relação, entramos logo no domínio do ódio e do rancor. Mais dois aspetos tenebrosos que a natureza inventou para colocar em prova o ser homem e o ser mulher nesta terra de relação. Estes dois filhos da vingança pintam o quadro negro da humanidade. Esta humanidade cansada de coisas feias que não levam ao prazer, à festa e à alegria da existência. A vida não pode ser com vingança e não pode ninguém ser pessoa permanentemente com um coração preenchido com este espírito do mal.
Quando a vingança toma conta do coração humano, encontramos pessoas amargas e feridas até ao mais fundo do ser, porque lhes falta o essencial do sentido da vida. A vingança mata toda a possibilidade do sonho comum da fraternidade. Depois da vingança nascer o desejo do sonho do amor como elemento crucial para criar a relação plena que leva à felicidade, está votado à morte. A fraternidade deixou de ter lugar na existência deste mundo depois do nascimento da vingança.
A vingança cerceia a realização do eu e do tu e não permite a realização da reconciliação e muito menos permitirá a festa do perdão, pois, são estes os elementos verdadeiros do sentido da comum união – a comunidade, que é para todos os efeitos um valor essencial para a sobrevivência e para a realização pessoal. A vingança está aí no dia a dia da existência a matar toda a possibilidade da paz e do entendimento humano.
Para terminar esta singela reflexão escuto as palavras de António Damásio, o neurologista, no seu livro o Erro de Descartes, que considera que todas as nossas manifestações e reacções estão centradas nas emoções. Este estudioso ensina-nos que toda a maldade (a vingança e inveja) é inevitável, existe em cada canto da vida e do mundo. A vingança, a inveja, a raiva, o rancor, o ódio e o orgulho são aspetos «perfeitamente automáticos» - exactamente o que vos referi no início do texto com outras palavras, é claro. Nenhuma pessoa é toda maldade. O mal é o aspeto ou o momento circunstancial. O melhor para a vida está no saber «viver com a tragédia e o privilégio de ter uma regulação automática, compreender essa regulação, descobrir que há aspetos dessa regulação que são magníficos – que nos levam ao prazer, à alegria – mas também nos podem levar a atos completamente desvairados e à violência», diz o mestre das emoções.
Por fim, a vingança não tem nome na festa da alegria e da felicidade. Por isso, apesar de vermos este espírito comandar muitos homens e mulheres, acreditamos para sempre com Fernando Pessoa: «Tudo vale a pena se a alma não é pequena».

1 comentário:

Arlinda Spínola disse...


A semente do amor só floresce quando temos a humildade de pedir perdão e de saber perdoar, porque ninguém é melhor do que ninguém, todos nós temos defeitos. Mas há uma coisa indispensável para haver paz, amor e harmonia num casal. fazer exame de consciência e rezar em conjunto ainda que seja uma oração espontânea antes de adormecer. Sem Deus na vida de qualquer casal, o amor transforma-se em ódio.