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quarta-feira, 12 de fevereiro de 2014

Sem muitas palavras «queremos é pão»

Jornal da Madeira afixado nas grades do edifício da Diocese do Funchal, Câmara Eclesiástica do Funchal, faz um pedido: «queremos é pão». Este sorvedouro de bens públicos, 11 mil euros por dia (cada edição), gasta ao ano entre 3 a 4 milhões de euros, ajuda a tirar à boca dos madeirenses o pão, porque é dinheiro público, receita dos nosso impostos. É um veículo de desigualdade e mais um elemento de injustiça na nossa terra. Quem legitima tudo isto peca contra os céus e contra o povo madeirense, particularmente, os que passam maiores necessidades neste momento.
Alguns alegam que é preciso ter em conta os postos de trabalho que ali existem. É verdade, com toda a razão, implica famílias que também necessitam de pão, mas quem sabe se colocando-os a trabalhar em um meio de comunicação que esteja dentro da lei e dentro das regras do mercado não tenham assim também o sustento mensal que tanto necessitam? Não ficaria mais barato aos cofres públicos da região resolver esta questão de uma vez e acabava-se com esta imoralidade? - Penso que sim... 
Esta denúncia/grito é contundente, feita com a fixação de três capas deste matutino afixadas num espaço pertença da Diocese do Funchal, para denunciar que quem abençoa esta loucura é igualmente conivente.  Porque alimenta também com o seu peso moral uma loucura que em nada contribui para informar e formar sobre a fé, antes legitima um órgão de propaganda partidária, que enxovalha os  adversários e quem pensa de modo distinto dos parâmetros estabelecidos para ser pensado. Um órgão de pensamento único. Alguém que entende que assim deve ser, então, faça a sua vontade, mesmo que tal mania custe os olhos da cara e alguém abençoa isto.
Porém, ao lado disto, falta o pão, falta o material necessário para fazer funcionar com dignidade os nossos hospitais, as nossas escolas e tudo o que deve ser minimamente proporcionado para fazer valer o bem comum e todos os madeirenses possam ter prazer em viver na sua terra.
Este grito às portas da Diocese do Funchal envergonha-nos e assusta, porque também manifesta o quanto o povo está farto de ser menosprezado, o quanto tem sido utilizado nos joguetes partidários, o quanto tem sido vítima da teimosia e da prepotência de quem se considera insubstituível e que se alimenta daquela certeza que nos faz escutar o silêncio dos cemitérios «aqui estamos cheios de gente que pensava que depois de mim o caos».
Atenção às hostes, o povo manifesta-se nem que seja de mansinho para já, mas paulatinamente vai dizendo que precisamos de arrepiar caminho, inverter esta lógica absurda que desrespeita quem está com dificuldades, quem não tem pão. Por isso, acordemos antes que seja tarde e a quem deve ouvir este grito «queremos é pão» que não faça ouvidos de mercador mas mexa-se e implemente políticas que façam gerar emprego e para os que não o consigam que lhes seja proporcionado mecanismos de solidariedade que lhes sacie a fome.

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