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sexta-feira, 21 de março de 2014

A água viva para a vida e para o mundo

Comentário à Missa deste domingo III Quaresma, 23 março de 2014  
Neste domingo, somos confrontados com um encontro, entre uma mulher e um homem. Jesus e a Samaritana. É o resultado de duas pessoas que procuram o mais delicado e profundo da existência. Jesus encontra fé onde ninguém espera que tal aconteça, no coração de uma Samaritana (uma estrangeira repudiada pela religião e cultura judaica). Lembro que os samaritanos eram considerados de «cachorros» pelos judeus ao tempo de Jesus.
A mulher, que no desenrolar do diálogo, descobre-se a si mesma, se sente livre, restaurada e encontra o Messias esperado há tantos séculos. Este encontro fura todas as regras. Jesus nunca poderia fazer diálogo fora de casa com uma mulher. Uma ousadia. Os samaritanos eram considerados impuros. Qualquer aproximação entre os povos desavindos seria considerada uma ousadia criminosa. Porém, o mais importante é que Jesus entra em diálogo com uma pessoa de quem não se espera nada de relevante e pede ajuda material, para logo depois conceder o mais importante na para vida, alimento espiritual. Jesus argumenta que todo aquele que beber da água do poço de Jacob, voltará a ter sede, mas qualquer um que beber da água que Ele lhe der, nunca mais terá sede.
O caminho que a mulher Samaritana percorre é o nosso caminho de cristãos em busca de Deus. Face à tentativa constante da Samaritana que regressa ao passado, Jesus faz olhar para o futuro e tomar consciência de que ao mundo chegou uma novidade e que esta renova toda a nossa vida. A experiência desta mulher revela que cada um pode ter a sua experiência pessoal com Jesus, basta acolher a água viva do amor que Jesus nos oferece.
Para que a nossa vida não se consuma na depressão dos dias e para que tenhamos horizontes largos que nos façam ir mais longe daquilo que nos rodeiam apresento-vos a seguinte parábola: um homem sentia-se continuamente oprimido pelas dificuldades da vida. Foi lamentar-se com um mestre espiritual e disse-lhe: — Não posso mais! Esta vida é-me insuportável! O mestre pegou então numa mão-cheia de cinzas e deixou-as cair num copo de água límpida que tinha sobre a mesa, dizendo: — Estes são os teus sofrimentos. Toda a água ficou turva e suja. O mestre entornou-a. Em seguida, pegou numa outra mão-cheia de cinza, e mostrou-a ao homem. Depois, aproximou-se da janela e atirou-as ao mar. As cinzas dispersaram-se imediatamente e o mar continuou exactamente como era antes. O mestre perguntou-lhe: — Entendeste o significado do que eu fiz? Ele respondeu: — Não. O mestre explicou: — Todos os dias deves decidir ser um copo de água no mar.
Os nossos dias reservam-nos alegrias, tristezas, desafios e dificuldades de toda a ordem. A questão está em saber gerir as dificuldades, de modo a não nos deixarmos perturbar por elas. Deixemos que o tempo seja como o mar onde elas se vão diluindo.
A mensagem que Jesus dirige à samaritana tem muito que ver com isto, a água da mulher, é água deste mundo, que mata a sede humana e física - importante também - mas a água viva que Jesus oferece preenche o sentido da vida e faz-nos voar até ao alto da plenitude da existência, a eternidade que Jesus nos oferece. Sejamos lúcidos, acolhendo esta realidade como sentido para a nossa vida enquanto estamos neste mundo para que sejamos sempre muito felizes e com isso ajudemos os outros a serem também felizes como nós.

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