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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Pensamento sobre a sabedoria antiga

Hoje mesmo quero ter sobre a realidade o olhar de Jesus. Um olhar de que os campos estão maduros, as espigas douradas e faltam os ceifeiros ou os trabalhadores, que dos quais se lamentava Jesus serem poucos. E como são poucos neste nosso tempo, aqueles que não se comovem com a realidade, não têm uma palavra para dizer e muito menos haverá predisposição para lutar contra essa realidade ditatorial que nos consome os dias, a carne e os ossos. Mas é aquele olhar que me guia, esse olhar que vê, como diz São Paulo, que o mundo está grávido de Deus. Ou, inclusive já está à porta do parto em lugares e em pessoas onde ninguém esperava nada de nada. É isto que me dá esperança. Pois, como alguém também o disse sabiamente, pode faltar tudo, pão, água, casa, roupa, carro e tudo, a esperança é que não.
Invoco a «perfeita alegria» de São Francisco de Assis e de Francisco de Roma para acreditar ainda profundamente que o essencial para nós cristãos é estarmos cientes que quando todos nos aplaudem, alguma coisa não está bem. Por isso, faz impressão que o ser Igreja entre nós não sofra, não seja atacado porque falou, denunciou e esteve lá nas «periferias» que ninguém quer saber. Não sofre, porque não parece - espero que me engane - se incomodar com a tragédia do desemprego, que conduz à fome, à miséria de tanta gente que está à beira do caminho.
A mentira prevalece. A injustiça não tem nenhuma entidade que a combata. Por conseguinte sou também daqueles que defendem que desatar as iras da ditadura do mundo, não é garantia de que as coisas ficarão bem, mas é melhor do que os louvores, as palmas e palmadas nas costas, as condecorações e tantos salamaleques que atribuem os senhores do tempo aos senhores do templo.
Nada pode travar a ação misteriosa da vida que veio do lugar de Deus fazer habitação no mundo, mesmo que tudo invista contra essa radical sabedoria antiga.

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