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sexta-feira, 11 de julho de 2014

A anestesia do futebol

Para a derrota do Brasil frente à Alemanha na Copa do Mundo, utilizaram-se as palavras mais absurdas para exagerar sobre o exagero da derrota (1-7 golos).
Mas o que dizer agora perante a morte de crianças, mães com filhos nos braços, pessoas idosas que não podem fugir, entre tantas outras vítimas inocentes que esta guerra, todas as guerras sempre provocam.
Assim, «vexame» é esta tragédia. Uma «humilhação histórica» é, as forças israelitas em menos de 24 horas lançar mais de 200 rides sobre a Faixa de Gaza A «desonra» é, não terem interiorizado o que pretendeu o Papa Francisco com a sua recente viagem à Terra Santa e com o encontro de oração pela paz em Roma entre o líder de Israel e da Palestina.
O Papa falou e disse o essencial no seguinte: «A paz é um compromisso diário, a paz é feita em casa - lembrou o Papa, acrescentando que a maior parte das vítimas são exatamente as pessoas mais vulneráveis, como as crianças, os idosos, as mulheres e os doentes. - Convido até os que não acreditam a desejarem a paz. Juntem-se a nós com o vosso desejo, um desejo que amplia o coração. Vamos todos nos unir, seja com a prece ou o desejo, mas todos, pela paz. Ao vermos a Criança na manjedoura, os nossos pensamentos se voltam para aquelas crianças que são as vítimas mais vulneráveis das guerras, mas pensamos também nos idosos, nas mulheres, nos doentes. A guerra destrói e fere muitas vidas. Deus é paz: vamos pedir a Ele que nos ajude a sermos agentes da paz a cada dia, nas nossas vidas, nas nossas famílias, nas nossas cidades e nações, em todo o mundo».
Por isso, cuidado, não nos anestesiemos com o exagero do futebol enquanto outros perante a nossa distração fazem bem pior no mundo, vitimando inocentes. É preciso não esquecer que em cada momento em que nos distraímos vamos permitindo que «Os direitos humanos sejam violados não só pelo terrorismo, a repressão, os assassinatos, mas também pela existência de extrema pobreza e estruturas económicas injustas, que originam as grandes desigualdades» (Papa Francisco).
Seria interessante que o mundo inteiro fizesse o mesmo perante a desonra, a humilhação, o vexame, o desastre que mata famílias inteiras que é esta guerra e qualquer outra guerra. Ainda não encontrei expressões para qualificar esta guerra e todas as guerras como as que foram utilizadas na derrota do Brasil. Fica a busca seguinte publicada por estes dias em que a derrota fez a abalar o mundo, mas uma guerra, encara-se como «coisa» perfeitamente normal, mesmo que morram crianças inocentes e morram famílias inteiras. Aliás todo o um povo oprimido pela força das armas. Para isto não vejo a mesma indignação. Reparemos:
«“Eterna desonra”, escreve o jornal espanhol 'Marca', dizendo que a “Alemanha deu um banho histórico à ‘canarinha’” e que o “drama nacional no Brasil é comparável ao Maracanazo”, nome dado à derrota com o Uruguai (2-1), no jogo decisivo no Mundial de 1950, também disputado no Brasil.
O também espanhol 'As' fala em “sete maracanazos” e diz que “a Alemanha chega à final depois de infligir ao Brasil a pior derrota da sua história”.
“A maior humilhação mundial”, titula o catalão 'Sport', que fala num momento “histórico, brutal, incrível”, referindo que “os alemães submeteram os de [Luiz] Felipe Scolari ao pior corretivo numa meia-final de um Mundial”.
A britânica 'BBC' diz que “Alemanha destrói Brasil para atingir final” e que os brasileiros sofreram “uma das derrotas mais humilhantes” das histórias dos Mundiais.
 “Pesadelo do anfitrião”, descreve o sítio da 'Sky Sports', que fala em “demolição” da seleção alemã.
O francês 'L’Equipe' fala em “o desastre”, com uma foto de David Luiz ajoelhado, considerando que a “Alemanha infligiu uma derrota histórica ao Brasil”.
“Brasil, humilhação histórica”, refere a italiana 'Gazzetta Dello Sport', que diz que “a seleção, sem Neymar e Thiago Silva, sofre derrota sem precedentes”.
A revista 'France Football' diz que “o sonho mais bonito virou o pior pesadelo”, vincando que o dia 08 de julho vai “entrar para a história do futebol brasileiro”.
 “Diz-me que são sete...”, escreve o argentino 'Olé', que acrescenta que os alemães deram aos brasileiros “uma lição de futebol e que os fizeram passar vergonha, com o 7-1 junto da sua gente”.
Na Alemanha, fala-se em “loucura”, com o 'Bild' a escrever que a seleção jogou um “futebol de outro planeta”.
Para o 'Die Welt', o triunfo de Belo Horizonte tornou-se “uma lenda”, enquanto a 'Kicker' refere que a equipa de Joachim Löw chocou 200 milhões de brasileiros, afastando o anfitrião de “forma impressionante”» (in Jornal da Madeira).

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