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quarta-feira, 9 de julho de 2014

Medida nas coisas quanto à escola

Está a ser notícia que o Governo regional da Madeira pretende alargar a semana de aulas para os alunos do 1º e 2º ciclos. Pretende que seja uma semana muito superior ao que é obrigatório a nível nacional. Eis mais uma forma para reter as crianças em detrimento da sua imprescindível presença na família e em outras actividades também igualmente importante para o seu crescimento e educação.  
O professor Eduardo Sá, já avisou o seguinte: «Anda toda a gente num registo eufórico e doente, que não percebe que as pessoas precisam de tempo para crescer. Acho engraçadíssimo quando dizem com orgulho que no jardim-de-infância há crianças que já sabem ler e escrever, mas não é isso que as torna mais sábias. Às vezes, as pessoas confundem macacos de imitação com crianças sábias. Acho engraçadíssimo quando as crianças não podem errar – eu julgava que errar era aprender. Mas não: as crianças têm que ter notas que são insufladas sabe Deus pelo quê. Vivem empanturradas em explicações. Se os pais puderem utilizar todo o tempo que a escola coloca ao serviço das famílias, elas podem passar 55 horas por semana na escola… Estamos a espatifar a infância das crianças, a espatifar a adolescência e, depois, com um olhar absolutamente cândido, dizemos que elas têm défices de atenção». Importante demais para não se rescutado.
Esta coisa das entidades quererem substituir-se à família não serve e resulta zero na transmissão dos valores. A principal educação deve continuar a ser dada pela família, crie-se condições que favoreçam isso, é o que se deseja e pede às entidades públicas que têm este dever entre mãos e deixe que depois as famílias façam o principal. Mais ainda deve ser pedido aos serviços públicos que deixem as crianças brincarem e não se adiantem no tempo com actividades que as façam entrar em stress fora de tempo.
Modus in rebus (medida nas coisas) é o que se pede a quem tem o dever de organizar a escola como lugar complementar do crescimento e educação das futuras gerações.
Porém, do que se trata afinal, é que a mentalidade dos nossos tempos perdeu totalmente a educação como processo de desenvolvimento humano, como meio de transmissão de cultura, como forma de chegarmos a ter uma sociedade mais livre, agindo de acordo com a sua própria vontade. Numa palavra uma sociedade crescida, com famílias saudáveis e pessoas cultas, equilibradas. A educação com vista ao emprego e a ser um instrumento para ganhar dinheiro, muito dinheiro, redundou neste descalabro educativo. O que temos? - Um bando enorme de desempregados ou desocupados a viver à conta dos salários e reformas dos pais, uma imensa multidão de jovens que passa a vida em noitadas a se encharcarem de álcool e consumindo drogas. Alguns perdem a saúde para sempre e outros já estão ou vão a caminho dos cemitérios. A educação assente puramente em valores materiais sem ter em conta as pessoas conduz à destruição da humanidade.

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