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terça-feira, 16 de setembro de 2014

Cancioneiro pela reconciliação e inclusão

 A «perigosa» Paróquia da Ribeira Seca lançou hoje no Teatro Municipal do Funchal Baltazar Dias, o seu «contributo autónomo» (aliás, devia ser em vez de autónomo, ostracizado), para a celebração dos 500 anos da Diocese do Funchal. Trata-se de um conjunto de canções em CD com o seguinte título: «A Igreja é povo, o povo é de Deus», junto acompanha um opúsculo, «Cancioneiro Breve (I)», com os textos e as quadras populares que foram musicadas. O autor/poeta principal é o povo da Ribeira Seca.
Os textos e as quadras pretendem fazer memória das «condições de vida, as carências, as reivindicações e as consequentes perseguições de que foi alvo um modesto agregado populacional localizado a nordeste da cidade e concelho de Machico». Enfim, um pequeno retrato, visto a partir do sentir das pessoas concretas desta localidade ostracizada pelos poderes político e religioso. Afinal, mancomunados para levar adiante os seus intentos de domínio e opressão, sob o pretexto de um pseudo episódio infantilizado por pessoas que se esperava serem adultas e mais ainda homens investidos da autoridade e da piedade da Igreja. Um retrato sujo, vergonhoso, pecaminoso, se quisermos radicalizar ainda mais a leitura que se faz desta triste realidade.    
A apresentação contou com a presença do Professor Anselmo Borges que dissertou sobre a ideia da memória que faz a Igreja povo de Deus, para que seja depois sacramento de inclusão e integração à luz do Papa Francisco contra todas as formas de exclusão que os condicionalismos históricos vão ditando. Nada pode ser mais forte, tanto fora tanto dentro da Igreja, que condicione esse sacramento essencial da Igreja que é a inclusão.
A doutrina da Igreja que se baseia no Evangelho de Jesus Cristo, não pode por sua natureza ser senão inclusiva e tudo o que seja marginalização levada à prática pelas atitudes daqueles que têm o «serviço» da autoridade redunda em contra testemunho evangélico e viola a verdadeira natureza da Igreja. Por isso, não se percebe, hoje, que face aos gestos enormes do Papa Francisco que quotidianamente apela à prática da misericórdia e demonstra com exemplos bem concretos como se deve realizar a reconciliação e integração daqueles que por qualquer circunstância estavam de fora.
A Igreja da Madeira carrega em si a «chaga» chamada Ribeira Seca e parece não fazer muito caso que uma porção do povo de Deus esteja fora do âmbito diocesano. É pena. A festa poderia ser mais autêntica. Assim fica coxa e não serve senão para encher o ego de alguns. Esperemos que os próximos 500 anos sejam iluminados pela sabedoria da inteligência e a graça do Espírito Santo faça brilhar a paz e o sonho de uma Diocese para todos sem que ninguém seja excluído na Ribeira Seca nem em mais nenhuma ribeira da vida desta nossa querida Ilha da Madeira.    

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