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quarta-feira, 17 de setembro de 2014

Somos trabalhadores e não donos de Deus

Comentário à Missa deste fim de semana
Domingo XXV tempo comum (21 setembro de 2014)
A liturgia do 25º Domingo do Tempo Comum, faz-nos lembrar que os caminhos e pensamentos de Deus estão muito acima dos nossos. Daí que resulte num insistente apelo à conversão dos esquemas deste mundo que por causa da injustiça que provocam estão muito longe da vontade de Deus. Mais ainda se converte este apelo à necessidade de andar alguém a pensar que pode dominar o coração e vontade Deus. Nenhuma criatura deste mundo tem poder para tal. O querer de Deus é um grande mistério, por isso, nada nem ninguém se pode dar ao luxo de considerar que pode impor, pelo domínio e pela força, um desejo que achou ter descortinado de Deus.
O primeiro texto tirado do profeta Isaías pede aos crentes que «voltem para Deus», isto é, que deixem todas a formas de pensar e de agir que estão contra um «querer» de Deus que radica sempre no bem universal contra todas as formas de poder que marginalizam e escravizam. A palavra do profeta insiste na necessidade de encontrar a lógica da relação de uns para com os outros baseada na lógica dos valores de Deus que são sempre de libertação contra toda a opressão que este mundo sempre vai impondo.
No segundo texto da missa deste domingo temos o exemplo de um cristão, Paulo, que confessa até onde já chegou a fé que abraçou: «Porque, para mim, viver é Cristo e morrer é lucro» (Fil 1, 21). Esta ideia representa que de forma exemplar o Apóstolo quer mostrar-nos como funciona em si a lógica de Deus, renunciou aos seus interesses pessoais, a todo e qualquer egoísmo e comodismo, e colocou no centro da sua vida Jesus Cristo, a Sua Palavra, os Seus valores, e o Seu projecto universal de salvação.
No Evangelho, Jesus inverte toda a lógica deste mundo que considera que quem mais dá mais deve receber. No campo da fé e da salvação, Deus concede esse dom como lhe aprouver, sem medida de peso nem muito menos de tempo, são uma intensidade que se descobre em qualquer momento da vida. A Deus interessa que todos cheguem lá.
Não conta a longevidade da fé, os créditos em depósito das muitas rezas e devoções cumpridas, as qualidades e os comportamentos realizados antes, interessa essencialmente para Deus é que cada um de nós se descubra no caminho do bem e por aí realize ações que sejam benéficas para a construção da beleza do mundo onde está a realizar a sua existência. Todos os lugares são «a vinha de Deus» e nós os trabalhadores desse vinhal, contratados para produzir o néctar saboroso da paz, da amizade, da justiça e da fraternidade.
A Deus interessa que cada um corresponda pelo melhor de si ao convite para se achegar a esse «trabalho» da vida, abdicando dos interesses puramente pessoais que se mal conduzidos redundam no egoísmo puro e duro. Também para nada serve estar neste «serviço» de Deus movido pela lógica da inveja que destrói a relação. Mais importa trabalhar em qualquer circunstância animado pela força do amor, para que na hora da recompensa a festa da felicidade possa sanear qualquer ponta de ciúme quando Deus conceder para todos sem descriminar o dom da plenitude da vida para todos.  

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