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terça-feira, 7 de outubro de 2014

Mergulhados na indigência política

É com muito desencanto que vejo esta perfilhação de tantos candidatos a líderes do partido maioritário na Madeira. Muitos estão interessados a chegar a líder, sabemos os motivos que movem alguns, outros ainda não tanto. Há uma nebulosa que envolve alguns deles. Pode também ser pelo facto de serem tantos e nós ainda não abarcamos o que são e o que representam alguns. Outros sabemos claramente o que os move, de onde vieram e o que fizeram durante estes anos todos.
É legítimo que em democracia qualquer cidadão alimente legítimas ambições de liderança em qualquer órgão público. Mais ainda se aplica esta constatação a qualquer militante de um partido político que, se reunir condições, aspire a ser líder desse partido onde milita.
Mas neste momento o que mais me inquieta é que não estejamos a ouvir falar naquilo que desejamos para termos uma Madeira melhor para todos, que região, queremos para que este cantinho se torne um lugar de paz e felicidade para todos os seus habitantes.
O que vemos e ouvimos não isso. Os candidatados propõem-se unicamente tirar o poder a alguém. Primeiro ao eterno líder que governa a Madeira e o partido há quase 40 anos, depois puxar o tapete aos colegas que se candidatam à liderança. Há uma confusão generalizada. Ninguém se entende. Há mercenários atirados em todas as candidaturas e atiram a torto e a direito por todo o lado. Um perigo andar na rua e abrir a boca.
O que se esperava, seria vermos com clareza o que pensam todos os candidatos sobre o que está em causa para a Madeira e para o seu futuro. Não os tachos, os negócios e os interesses que estas coisas sempre implicam. Quando assim acontece ficamos com a ideia de que o que se pretende é tirar o poder a um para dar a outro, Leonardo Boff, definiu este fenómeno assim: «Isso mostra indigência de espírito político». Na Madeira estamos realmente a viver este ambiente de «indigência» de uma forma que excede todos os parâmetros do bom senso.
Vejo com desencanto que não se tenha em conta quem melhor tem condições ganhar eleições que depois lhe permita governar com justiça e trabalhe com seriedade para o bem comum. O que vejo é uma luta de galos que não sabem de onde vieram nem muito menos para que vieram e para onde vão.
Tudo isto é triste de mais e mergulha-nos no desencanto sobre o nosso futuro. Sobre isto devíamos estar todos preocupados, para que não sejam apenas os partidos políticos envoltos na malha infinita de interesses a tomar a história que implica com a vida de todos nós. 

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