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quarta-feira, 1 de outubro de 2014

O descarte dos idosos

No encontro que Papa Francisco este passado Domingo manteve com cerca de 30.000 pessoas de idade avançada na Praça de São Pedro, sendo que pelo menos uma dessas pessoas tinha mais de cem anos de idade, esteve Bento XVI, o Papa-Emérito. As fotografias que circularam sobre o encontro entre os dois papas, percebe-se a alergia e o carinho que um manifesta pelo outro. São um exemplo para o mundo e para as famílias, para que considerem os idosos com alegria e carinho.
O Papa Francisco aproveitou para falar da urgência, eclesial e social, que é de se superar os ditames de uma cultura que, muito apropriadamente, o Santo Padre tem vindo a considerar ser uma «cultura do descarte», uma realidade dolorosamente presente no mundo dos nossos dias e que urge afrontar com os instrumentos da caridade cristã, aquela que, por definição, sempre começa «por casa».
Para quem maltrata os idosos ou os considera «objecto» suscetível de descarte fiquemos com esta história: um senhor de idade foi morar com o seu filho, a nora e o netinho de quatro anos de idade. As mãos do velho eram trêmulas, a sua visão embaçada e os seus passos vacilantes. A família comia reunida à mesa. Mas, as mãos trêmulas e a pouca visão do avô o atrapalhavam na hora de comer. As ervilhas rolavam da sua colher e caíam no chão. Quando pegava no copo, o leite era derramado na toalha da mesa. O filho e a nora irritaram-se com a bagunça. - Precisamos de tomar uma decisão com respeito ao pai, disse o filho.
- Já tivemos suficiente leite derramado, barulho de gente comendo com a boca aberta e comida pelo chão.
Então, decidiram colocar uma pequena mesa num cantinho da cozinha. Ali, o avô comia sozinho enquanto a restante família fazia as refeições à mesa, com satisfação. Desde que o velho quebrara um ou dois pratos, a sua comida agora era servida numa tigela de madeira. Quando a família olhava para o avô sentado ali sozinho, às vezes escorriam-lhe lágrimas pela cara a baixo. Mesmo assim, as únicas palavras que lhe diziam eram de admoestações ásperas quando ele deixava um talher ou comida cair ao chão.
O menino de 4 anos de idade assistia a tudo em silêncio.
Uma noite, antes do jantar, o pai percebeu que o filho pequeno estava no chão, manuseando pedaços de madeira. Ele perguntou delicadamente à criança:
- O que estás fazendo?
O menino respondeu docemente:
- Oh, estou fazendo uma tigela para o pai e outra para a mãe comerem, quando eu crescer.
O garoto de quatro anos de idade sorriu e voltou ao trabalho. Aquelas palavras tiveram um impacto tão grande nos pais que eles ficaram mudos. Então as lágrimas começaram a escorre com enorme arrependimento.
Por isso, embora ninguém tivesse falado nada, ambos sabiam o que precisava ser feito. Naquela noite o pai tomou o avô pelas mãos e gentilmente conduziu-o à mesa da família.
Dali para frente e até o final dos seus dias ele comeu todas as refeições com a família. E por alguma razão, o marido e a esposa não se importavam mais quando o garfo que caía, o leite que era derramado ou a toalha da mesa que ficava suja.
E porque, verba volant, scripta manent (as palavras voam, os escritos permanecem), fica a mensagem desta a história mais os gestos importantíssimos dos Papa Francisco.

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