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sexta-feira, 7 de novembro de 2014

O templo de Deus é o coração de cada pessoa

Dia da Dedicação da Basílica de São João de Latrão, Domingo XXXII tempo comum, 9 novembro de 2014
«Não sabeis que sois templo de Deus?» 1Cor 3, 9b-11, 16-17

O templo de Deus está no coração de cada pessoa. Sempre que este tema nos salta à vista, lembro-me da seguinte expressão: o coração de cada pessoa é o verdadeiro sacrário onde Deus gosta de estar.
Neste sentido, descobrimos que cada um de nós para Deus é como um edifício que Deus vai ajudando a construir. São Paulo nesta passagem da carta aos Coríntios, lembra-nos que todo aquele que crê e está na comunhão da Igreja é o templo espiritual de Deus, porque Deus habita no seu coração. Perante esta mensagem do Apóstolo São Paulo, nós pensamos que são muitos os abusos em relação à pessoa humana e que muitas das ocupações da vida estão centradas na procura de meios e formas para menosprezar a vida em todos os seus aspectos.
Santo Agostinho, pensando no vazio do homem sem Deus, escreveu: «O nosso coração não tem descanso, ó Deus, até que encontremos descanso em Ti». É razoável crer que Deus, na Sua ânsia por ter comunhão com o homem, diga: «o meu coração anela por ti, ó homem/mulher, até que tu encontres descanso em Mim. Eu amo-te e me comprazo na tua salvação e comunhão». O que concluímos através da razão coincide com a própria afirmação das Escrituras. Deus disse ao Seu povo: «Habitarei e andarei entre eles; serei o seu Deus, e eles serão o meu povo» (2Cor 6, 16). Referindo-se aos que seriam remidos e introduzidos nessa comunhão, Deus disse: «Serei vosso Pai, e vós sereis para mim filhos e filhas» (2Cor 6, 18).
Esta verdade sobre Deus habitar entre o Seu povo deve ser vista em conexão com a Igreja. Na nova aliança, a Igreja é o templo de Deus, uma casa espiritual (1Pe 2, 5), sendo cada cristão, uma pedra viva dessa casa (1Pe 2, 5) e todo o edifício, a habitação de Deus no Espírito Santo (Ef 2, 21-22). Esta consciência devia levar-nos a todos a ter um respeito muito grande uns pelos outros, porque cada pessoa é sinal da presença de Deus.
Assim, feita a explanação da doutrina sobre a vontade que Deus manifesta em fazer habitação no mundo. Este desejo de morar entre nós parece ser de duas formas, em comunidade e individualmente. São Paulo escreve: «Não sabeis que sois templo de Deus e que o Espírito de Deus habita em vós?» (1Cor 3, 16). A palavra grega que Paulo usou para «vós» está, de facto, no plural. O Espírito obviamente tinha em mente um corpo de crentes, a Igreja, e não apenas o cristão individualmente. Mas, não será por isso que veremos a nossa interpretação inibida, pelo contrário, sentiremos melhor consolo saber que a habitação de Deus é a Igreja, a qual se enforma pela nossa adesão e presença constante. E também sentimos muita alegria por saber que o nosso interior também é templo da presença de Deus. Os crentes devem sempre saber que Deus habita entre nós, Ele mora em nós. E quando algum de nós passar fome, estiver nu, sem trabalho, sem pão, sem água, sem habitação condigna, sem cuidados médicos e remédios para tratar as suas doenças ou privado do cumprimento de qualquer direito humano, a habitação de Deus não está nas devidas condições. Por isso, urge que o nosso mundo se organize para que a humanidade se liberte de todos os escândalos que põem em causa a dignidade da pessoa humana. Este é o propósito de Deus e deve também ser o nosso.
Nota: Muitas pessoas pensam que a basílica de São Pedro é a principal igreja do Papa, mas na verdade é a de S. João de Latrão, a catedral da diocese de Roma, cuja dedicação os católicos evocam a 9 de novembro.
A primeira basílica edificada no local foi erguida no século IV, quando o imperador Constantino doou o terreno que havia recebido da rica família Latrão. Apesar dos incêndios, terramotos e guerras, permaneceu, até ao séc. XIV, o templo em que os papas eram consagrados.
A origem da actual basílica remonta a 1646, durante o pontificado de Inocêncio X.

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