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quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A conversão que edifica o bem e a felicidade

Comentário à missa do II domingo do Advento, 7 de dezembro de 2014
A missa deste segundo domingo do Advento coloca-nos diante de um desafio importante, a conversão. Isto é, é da vontade de Deus que nós nos encontremos no bem e que procuremos purificar o coração de todas as coisas que se vão instalando aí dentro e que depois perturbam a relação com os outros e a verdadeira descoberta do sentido da vida cheio de felicidade. Pela parte de Deus descobrimos a sua vontade em nos conceder um mundo novo onde impere a liberdade, a justiça e a paz. Porém, este mundo só acontecerá quando a humanidade entender que não há outra alternativa à felicidade senão esta que Deus lembra pela força da Sua Palavra.
A Primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo da época do exílio do povo de Deus, que garante a fidelidade de Deus, que deseja conduzir o Seu povo pelo caminho direito e livre de escolhos até à terra da liberdade e da paz. Ao povo é pedido que se converta e que se purifique do comodismo, do egoísmo, dos rancores, das vinganças e de todas as armas que conduzem à tristeza e à morte.
Na segunda leitura, temos uma passagem da segunda carta de São pedro onde encontramos uma perspectiva de fé que por vezes pode ser tentada pela dúvida, no homem que vive na história sob o peso do mal, das contradições e da morte. Mas a certeza é esta, não percamos a esperança, pois, um dia perante Deus, «é como mil anos e mil anos como um dia».
A ideia principal desta Carta narra isto, reflectindo a objecção dos que suspeitam e são cépticos ou até «escarnecedores cheios de zombaria» que perguntam: «Onde está a promessa da Sua vinda? Desde que os nossos pais morreram, tudo continua da mesma maneira, como no princípio do mundo» (2 Pd 3, 3-4). Ora, a vida mergulhada no mal e na miséria, alimenta-se pelo sonho de uma realidade nova que um dia vai surgir. Também se aprende com o poeta (Sebastião da Gama): «pelo sonho é que vamos» e de outro poeta: «Eles não sabem, nem sonham, / que o sonho comanda a vida, / que sempre que um homem sonha / o mundo pula e avança / como bola colorida / entre as mãos de uma criança» (António Gedeão, In Movimento Perpétuo, 1956).
Não percamos a vontade de construir um mundo novo à nossa volta, não adiemos esse ideal para depois da morte ou sempre para amanhã, mas que pautemos a vida no empenho na transformação do mundo e na construção de «novos céus e a nova terra onde habita a justiça» para que a missão de sermos gente se cumpra na fidelidade ao bem que em nós começou pela força de Deus. Sejamos merecedores dessa realidade.
No Evangelho, descobrimos João Baptista a convidar todos os homens e mulheres de todos os tempos a acolherem o Messias libertador. Este Messias será Aquele que manifestará a vida nova de Deus e que por isso convidará a humanidade a viver na dinâmica do amor fraterno para que ninguém fique para trás como tem reafirmado até à saciedade o Papa Francisco. Também será este Messias que oferecerá a liberdade verdadeira, porque nunca será uma liberdade fora do crivo da responsabilidade, porque requer respeito por si mesmo, pela natureza e pelos outros.
Tudo isto acontecerá, insiste João Baptista, em quem fizer um caminho essencial de conversão, de mudança de vida «velha» que fez sofrer e da mentalidade tacanha que conduz ao fechamento egoísta profundamente desumano que vai acompanhado a humanidade por todo o lado. Que não nos falte a vontade de dar uma reviravolta ao que não nos serve para que aconteça a construção da vida à nossa volta na base de valores que edificam tudo o que é necessário à felicidade.

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