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terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Êxodo que faz Moisés mais bondoso do que Deus

Filme
A sinopse de Exodus, do aclamado Ridley Scott, realizador de Gladiador e Prometheus, informa que este é uma adaptação da história bíblica do Êxodo, segundo livro do Antigo Testamento. O filme narra a vida do profeta Moisés (Christian Bale), nascido entre os hebreus na época em que o faraó ordenava que todos os homens hebreus fossem afogados. Moisés é resgatado pela irmã do faraó e criado na família real. Quando se torna adulto, Moisés recebe ordens de Deus para ir ao Egipto, na intenção de libertar os hebreus da opressão. Finalmente, consegue a libertação dos israelitas, após a concretização das famosas e duríssimas sete pragas contra os egípcios. No caminho, ele teve de enfrentar a travessia do deserto e passar pelo Mar Vermelho.
Destaco do filme três momentos. Primeiro, os diálogos entre Moisés e Deus. Segundo, o regresso e encontro com o seu filho e a sua mulher. Terceiro, a travessia do mar vermelho.
Obviamente, que me assaltava uma certa curiosidade para ver como o realizador do filme encenaria a figura e a voz de Deus. Imaginava que seria apenas uma voz. Mas não, enganei-me. Quando Moisés tomado pela curiosidade e com o pretexto de perseguir as ovelhas perdidas na encosta da montanha sagrada no meio de uma enorme tempestade, mergulhou pela ravina no meio do turbilhão de pedras e terras que se desprenderam, soterrado com apenas com a cabeça de fora da lama vê a sarça-ardente, ao lado uma criança, um jovenzinho, que lhe fala e confia-lhe a missão da libertação do povo hebreu. Achei interessante a representação de Deus. Deus é pequenino, é jovem um adolescente imberbe que se estabelece diálogo com a humanidade e manifestando-lhe todo o seu poder libertador. A serenidade e a paciência de Deus não podiam ser representadas por um adulto.
Os diversos diálogos que se estabelecem entre Deus e Moisés são de uma riqueza interessante. A dada altura quase que se percebe que a bondade de Moisés parece ser maior do que a de Deus. Curiosa é também a impaciência de Moisés, que ralha com Deus e insulta-O por ter permitido uma escravidão de 400 anos. Nisto aprendemos que o tempo de Deus nada tem que ver com o tempo da humanidade. Como escreveu Santo Agostinho, «Existem duas vontades: a tua vontade deve ser corrigida para se identificar com a vontade de Deus; e não torcida a de Deus para se acomodar à tua». Esta luta é a de Moisés, mas também tem sido a da humanidade em todos os tempos. Por aí essa conjugação nem sempre tem andado com as agulhas acertadas. Esta é a luta da fé.
O segundo momento que considero brilhante do filme, está naquela ocasião do regresso de Moisés à tribo onde ele tinha sido acolhido e onde se casou com uma hebreia, chamada Séfora, (María Valverde), deste casamento nasceu um filho. No diálogo ternurento sobre a fé que se segue entre ele e a esposa sobre a fé, Moisés, pergunta se ela renegou a sua fé, ela responde que nunca. «Ainda bem», responde Moisés, «vais precisar dela a partir de agora mais do que nunca». A Câmara faz um travelling extraordinário e revela-nos a grande multidão de pessoas que seguem Moisés sobre a encosta que os rodeia.
Finalmente, destaco a cena espectacular da travessia do Mar Vermelho. O abaixamento da maré até ao ponto de ficar enxuto o fundo do mar até estar adequado para atravessar a multidão e depois quando finalmente todo o povo já está na outra margem, o exército do Faraó Ramsés é literalmente engolido pela soberba junção das águas.
Um filme entre os vários que já existem sobre o mesmo assunto, que considero ser o melhor que vi. A todos os que puderem não dispensem uma ida ao cinema por estes dias para ver este filme interessante: «Exudus, Deuses e Reis». Ao menos desanuvia do «êxodo» folclórico que algum Natal vai apresentando por aí.
Elenco: Christian Bale (Moisés); Aaron Paul (Josué); Sigourney Weaver (Tuya); Joel Edgerton (Ramsés); Indira Varma (Miriam); Ben Kingsley (Nun); John Turturro (Seti)…

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