Convite a quem nos visita

sexta-feira, 31 de janeiro de 2014

Os verdadeiros causadores da crise

Depois, estes mesmo dr.s da gravata, vão para a TV fazer filosofia sobre a austeridade. Estes sim, os principais responsáveis pela desgraça do país. É preciso acordar e colocar em sentido quem anda a desbaratar a vida de todos nós com malabarismos desonestos deste teor que ferem de morte uma porção enorme da população portuguesa.  
Recebido por mail...

Nem tudo o que luz é ouro

Afinal era uma instituição de caridade ou assistência como se dizia antigamente e nós não sabíamos. É o que dá olhar só pela rama e fazer juízos irresponsáveis.  Há tantos que andam a tentar conquistar um partido com fins tão nobres e altruístas, porém, o pior de tudo é que os vários candidatos não estejam para a prática da caridade dentro de casa e o trato entre si tenha caído na rua da amargura. Por isso, não há instituição que se aguente financeiramente, por isso, toca a apelar à generosidade tão compassiva do «pata rapada» da Madeira Nova. Gostei de ler esta notícia... Mas, cuidado nem tudo o que luz é ouro.
In Dnotícias, Edição impressa, 31 janeiro de 2014.

quinta-feira, 30 de janeiro de 2014

A luz da fé para os tempos de hoje

Comentário à missa do próximo domingo
2 de fevereiro de 2014, Apresentação de Jesus no Templo
No dia 2 de fevereiro a Liturgia celebra a Vida Consagrada. No “Dia da Vida Consagrada”, a liturgia celebra a “Apresentação do Senhor” no Templo de Jerusalém. Esse ícone – que expressa a entrega total de Cristo, desde os primeiros momentos da sua existência terrena, nas mãos do Pai – convida todos os consagrados e consagradas a renovar a sua entrega nas mãos de Deus e a fazer da própria existência um dom de amor, um testemunho comprometido da realidade do Reino, ao serviço do projeto salvador de Deus para os homens e para o mundo.
Quarenta dias após o nascimento de Jesus, em obediência à lei de Moisés (Ex. 13, 11-13), Maria leva o Menino ao templo, a fim de ser oferecido ao Senhor. Toda a oferta implica uma renúncia. Por isso, a Apresentação do Senhor não é um mistério gozoso, mas doloroso. Começa, nesse dia, o mistério de sofrimento, que atingirá o seu ponto culminante no Calvário, quando Jesus, que não foi «poupado» pelo Pai, oferecer o Seu Sangue como sinal da nova e definitiva Aliança. Ao oferecer Jesus, Maria oferece-Se também com Ele. Durante toda a vida de Jesus, estará sempre ao lado do Filho, dando a Sua colaboração para a obra da Redenção.
O gesto de Maria, que «oferece», traduz-se em gesto litúrgico, quando ao celebrarmos a Eucaristia, oferecemos «os frutos da terra e do trabalho do homem», símbolo da nossa vida.
As várias procissões de velas, que se podem fazer neste dia, são acesas em honra de Cristo que vem como luz das nações, e ao encontro da Igreja que caminha guiada já por essa mesma luz.
O dia das Candeias serve para cada um de nós fazer esta reflexão com base neste dizer do Papa Francisco: "Cada um de nós pode perguntar-se hoje: Como vivo na Igreja? Quando vou à igreja, é como se estivesse ao estádio, a um jogo de futebol? É como se fosse cinema? Não, é outra coisa. Como é que eu vou à igreja? Como acolho os dons que a Igreja me oferece, para crescer, para amadurecer como um cristão? Participo na vida da comunidade ou vou à igreja e fecho-me nos meus problemas, isolando-me do outro? Neste primeiro sentido, a Igreja é católica porque é a casa de todos. Todos são filhos da Igreja e todos estão nessa casa." Na mesma ocasião, o Papa explicou também as implicações do termo "católico", palavra de origem grega que significa "universalidade", "totalidade". Deste modo, o nosso estar na Igreja, vai fazer-nos mais e melhor Igreja com todos, realizando o ministério do encontro fraterno.
A fé não pode ser uma mediação de gratuidade para viver entre quatro paredes. Mas tem que ser luz para a vida toda e a vida com todos. Pois, se assim não for, o papel da Igreja seria inútil nem teria qualquer viabilidade histórica e social. A fé, torna-se um dom que se acolhe na intimidade do coração, mas que ganha visibilidade na acção concreta da pessoa que procura construir a sua história de vida. Não pode haver uma fé que se reduz a um puro sentimento íntimo sem implicação nenhuma na vida e no mundo. Não há fé privada nem muito menos fé pública. A fé é por si mesma, em todos os momentos da vida, nas ocasiões mais privadas e nas ocasiões mais públicas.
Não se compreende porque têm medo as pessoas de confessar a sua fé, como fazem em relação ao seu clube desportivo, à sua defesa da natureza, ao seu partido político ou à vida da cidade... Mas, quando se trata da religião, as coisas não são vistas com a tolerância que se apregoa.
Também, não admira que o receio de confessar a fé seja uma realidade porque a tolerância e o diálogo tornaram-se palavras tão badaladas que até custa pronunciá-las agora. São muitos os intelectuais da nossa praça com estas bandeiras, mas na hora da verdade são os mais intolerantes e são os menos dialogantes porque recusam as convicções e a fé dos outros com um menosprezo impressionante.
Jesus Cristo, para os cristãos, continua a ser o guia para os caminhos da fé. E não esquecemos que ao lado das manchas de pecado que acompanham a Igreja em nome da fé, está também, do outro lado, o património, que encanta crentes e não crentes. Falamos da dimensão do martírio e da abnegação infinita de disponibilidades em favor de tantas causas humanas. A fé hoje também precisa desta luz para iluminar a esperança nas veredas tortuosas deste mundo.

quarta-feira, 29 de janeiro de 2014

Quando o lugar da cura se torna o lugar de morte

Cá está mais uma notícia terrivelmente assustadora... Preocupante.
A Madeira apresenta o maior índice de infecções hospitalares. Há muito tempo que vamos sabendo desta realidade.  Quem se dedica ao contacto frequente com a nossa população, vai sabendo do que se vai passando a este nível. São imensos os funerais que vamos participando, cuja causa da morte é precisamente esta, uma bactéria, um vírus ou outro elemento que fez agravar a situação da falta de saúde e que as levou à morte. Várias são as pessoas que entram no lugar da cura (o hospital) com uma determinada patologia e saem de lá dentro de quatro tábuas cuja causa dessa fatalidade nada tem que ver com a mazela que as fez entrar no «corredor da morte».
Tudo isto releva irresponsabilidade e uma falta de cuidado/respeito pela população indefesa. Está a ser intolerável e demais incompreensível que não tenhamos um serviço de saúde com todos os cuidados necessários para que o bem estar das pessoas seja de razoável qualidade. A saúde e a educação deviam ser os nossos dois pilares. Intocáveis quanto aos gastos necessários. Os cortes económicas do Estado nestas duas áreas são inaceitáveis. A loucura de gastos noutras áreas menos importantes para o bem estar da população, são isso mesmo, uma loucura de meia dúzia que se apodera dos bens públicos para fazer com eles um joguete de acordo com as suas manias pessoais e os interesses do seu grupo ou família.
Precisamos de respeito. Precisamos de responsabilidade e a este nível. É preciso restaurar a confiança dos cidadãos nas entidades públicas ao nível da saúde, porque a saúde das pessoas é o bem mais preciso e com isso nada nem ninguém deve brincar. Seja lá quem for, se o fizer é um criminoso. 

Um espectáculo assustador

O relâmpago do Catatumbo, fenómeno meteorológico que ocorre no lago venezuelano de Maracaibo, entrou oficialmente para o livro Guinness de recordes por registar "a maior média mundial de relâmpagos por quilómetro quadrado do ano".  (In Dnotícias).

terça-feira, 28 de janeiro de 2014

As praxes são uma praxis perigosa

Estamos em clima de profundo debate sobre as praxes. Também tenho o meu pensamento sobre este assunto. Parece que a pergunta mais frequente é esta, o problema são as praxes ou são os abusos que as praxes implicam? – Parece bem e a pergunta desde logo suscita a reflexão.
Sempre considerei as praxes um pouco extravagantes. Os que as aplicam sobre os pobres caloiros aproveitam para mostrarem um certo exibicionismo, a sua prepotência e o complexo de superioridade, porque são os mais velhos no percurso académico. Estes que chegam são vítimas, que devem ser humilhados, com o pretexto da integração.
Tudo o que vou presenciando está claramente dentro do abuso e da humilhação. Os defensores das praxes dizem-nos que servem para integrar na comunidade académica e na sociedade. Não posso estar mais de acordo com esta ideia.
Vejamos então. Se considerarmos que vivemos numa sociedade onde dominam alguns fortes sobre uma maioria de fracos, que os humilha e explora quanto podem, obviamente, que as praxes servem precisamente para isso, vejam como é a comunidade escolar académica e depois a sociedade que vos espera, os dominadores somos nós, humilhamos-vos agora para que vocês amanhã sejam dominadores e humilhem também os outros. Detesto esta mentalidade, mas é a predominante na nossa sociedade.
Por isso, os abusos nas praxes não se fazem esperar, até ao ponto de já terem feito sofrer muitos jovens e alguns já passaram pelo crivo da morte. Uma coisa que pretende ser uma brincadeira, um convívio ou uma confraternização, chegar ao ponto de fazer sofrer e matar, não pode mais ser considerado de brincadeira. Há sim humilhações graves nas praxes, há crimes que devem ser punidos. Por exemplo, pessoas a rastejar no chão e chamar-lhes de burros; colocar-lhes orelhas de burro sobre a cabeça; fazer as pessoas se lançar sobre poças de lama; utilizar urina ou excrementos nas pseudo brincadeiras; entre tantos outros elementos que não lembra ao diabo para fazer parte desta coisa terrível que chamam de praxe. Se isto não humilha, então, não sei o que é humilhar…
Tudo com uma lógica terrível que não ensina para o saudável convívio, para a igualdade entre os cidadãos, mas sempre com o pior princípio que rege esta nossa sociedade, quem humilha já foi humilhado, agora contribui para que no futuro estes humilhados encontrem razões para humilhar. Ora, esta rede de má educação resulta da forma como a sociedade convive entre si. A educação está toda voltada para aí, para os dominadores que podem humilhar os mais fracos. E assim parece não ter um fim. Mais grave ainda é que, parecemos legitimar esta mentalidade e se não nos falarem em sofrimento e morte, convivemos bem com isso.
Não sei que medidas devem ser tomadas, mas que face aos abusos, algo terá que ser feito. Não basta a mediatização de seis mortes na Praia do Meco, sabe-se lá em que circunstâncias aconteceram, sabemos isso sim que no contexto das praxes, para que passado algum tempo tudo volte ao normal e só se volte a falar de praxes quando acontecerem mais mortes.
Os argumentos para defender as praxes por vezes redundam em patéticos. Um membro da Associação de Estudantes da Universidade da Madeira considerava que as praxes servem para aferir quais são os alunos que tem mais necessidades económicas. Um lindo argumento. Como será feita esta aferição? Será que lhes aplicam um balde de uma porcaria qualquer sobre a cabeça e logo aferem pelo teor ou intensidade da reacção do humilhado? Será pela intensidade dos berros? Ou ainda pela genica com que rastejam num chão coberto de lama ou excrementos? – Poupem-nos de mais barbaridades…
Perante tudo isto o que parece não haver dúvidas é que as praxes tornaram-se uma praxis perigosa. Muito mal andarão os pais que têm filhos à beira de entrar nas universidades. Vivem com o coração nas mãos com aquela incerteza se não estão a enviar os seus filhos para as garras de outros jovens que não têm mãos a medir nem escrúpulos nenhuns face ao prazer que lhes dá humilhar quem é iniciado numa caminhada. E tais ditas brincadeiras podem levar à morte. Porque resultam em terrorismo que amedronta e com certeza que marca as pessoas para toda a vida.
Será então preciso criar medidas que evitem os abusos e que se responsabilize criminalmente quem enveredar pelo caminho da humilhação. Deve haver coragem firme para que a humilhação deixe de ser uma realidade nos lugares da educação. O futuro de todos nós o exige e precisamos de uma sociedade onde deixa de existir dominadores que humilham até à saciedade os mais fracos. Todos iguais entre iguais, é o que devem ensinar as nossas escolas e as universidades essencialmente.

segunda-feira, 27 de janeiro de 2014

A religiosidade da aparência sem Evangelho

Impera o pensamento geral de que basta a religiosidade dos serviços sacramentais, pois, dão prestígio e embelezam o curriculum vitae de cada um, são pretexto para grandes banquetes e proporcionam os melhores álbuns fotográficos. Por isso, outras vezes lá terá de ser, não se safam de ter que participar esporadicamente em Funerais, em Crismas, em Primeiras-Comunhões, em Casamentos, em Arraiais, nas cerimónias de Natal e da Semana Santa. É esta a religião da sacramentologia vazia de fé, da passerelle dos fatos bonitos e da imagem fotográfica explorada até à exaustão.
Quanto mais esta mentalidade prevalecer, mais nos esqueceremos do verdadeiro objectivo do fundador da religião cristã, que consistia na transformação do mundo, a transformação dos sistemas que manipulam o ser humano, a superação dos mecanismos que dão mais valor à coisas do que às pessoas, a substituição de estruturas de exclusão por estruturas de solidariedade, a conversão dos sistemas que exploram em sistemas que promovam a fraternidade. No fundo, eliminar tudo que gera a morte da pessoa humana.
Porém, continuamos num tempo que recorre a todas as formas de manipulação, para que os cristãos acreditem que a religião só existe para louvar a Deus, para descobrir o sagrado, para salvar a própria alma, para sentir o calor da presença de Deus, para gozar de conforto espiritual, para celebrar a beleza da fé, para alcançar a benção de Deus e para ganhar o céu depois da morte… Quando Jesus denunciou tais factos, foi combatido por muitos, que se serviram da própria religião para o crucificarem.
A religião do gosto pessoal, das conveniências pessoais, não existe nem pode ser promovida. Porque a religiosidade de cada um só pode ser na medida em que converge para a comunidade. Por isso, corresponde a zero a mentalidade que faz prevalecer a mania de que “tenho a minha fé, mas não sou praticante”. A fé, implica sempre uma prática, uma ética social de vida para que seja sincera “a minha fé”.
O mundo actual sofre da mesma tentação. Os espaços religiosos, os lugares do encontro com o divino, tornaram-se locais de vaidade pessoal, por onde desfila uma multidão de gente ornamentada a preceito pelo último grito da moda, para encher os olhos e são, em última análise, lugar da “bilhardice” fútil.
Os sacramentos, não são vistos como sinais de crescimento e maturidade da fé. Mas ocasiões supersticiosas, pura promoção social. Não importa como são feitos, não importa obedecer a condições, princípios. Os conteúdos, são letra morta, a fé e a conduta de vida, isto é, a tal ética que dá sentido à fé não conta para nada. Estes elementos não são fotogénicos nem aparecem nas fotografias, por isso, não são motivo de preocupação. Infelizmente, perdeu-se a honestidade e a seriedade das atitudes. Os gestos, fazem-se sem conteúdo, sem pensamento e sem a verdade da doutrina que emana do Evangelho.

sábado, 25 de janeiro de 2014

Ressurreição da água

Para o fim de semana. Sejam felizes sempre!
O fogo eterno no interior da terra
vai dizimando este sobressalto
interior da alma da gente.
Mas sobre a água veio a luz
que reflectida do alto
estava forte, incandescente.
Aí reclamaram os nossos olhos
cegos que bebem da claridade
quando não seja maior que o mundo.
Nesse relance cristalino viram todos
a ressurreição da água que corre
e empoça debaixo da sombra
dos pinheiros que albergam as margens
da terra extensa desta paisagem.
Este deslumbramento veio
sem que fosse muito o pensamento.
Bastou a serena contemplação
naquela hora em que vaguearam
os amigos nos caminhos claros
e limpos que todos os jardins oferecem
para a libertação da solidão e da tristeza.
Foi o que vi e senti sobre a água
que fora a nuvem, a chuva, a neve, o lago, o rio, o mar...
Mais uma vez saciei a sede
nesta visão que o oceano imenso
da alma centrou ao fim desta procura.

José Luís Rodrigues

sexta-feira, 24 de janeiro de 2014

O Reino de Deus para os nossos dias

Comentário à missa deste domingo 
III Tempo comum, dia 26 de janeiro de 2014
O Reino de Deus, na Bíblia, designa um governo ou domínio em que tem Deus por soberano ou governante. É sinónimo de teocracia. Segundo o Gênesis, os primeiros humanos rebelaram-se deliberadamente contra a soberania de Deus. O Reino Milenar de Cristo é subsidiário do Reino de Deus. Entre os teólogos existe conceitos divergentes quanto ao que é concretamente o Reino de Deus, que podemos sintetizar em três pontos: 1. um governo real estabelecido no Céu; 2. uma condição mental existente nos verdadeiros cristãos; 3. a Igreja Cristã.
Segundo uma outra interpretação teológica, o Reino de Deus é o Projecto Criador de Deus a realizar neste Mundo e que consiste na plena realização da Criação de Deus, finalmente liberta de toda a imperfeição e compenetrada por Ele.
É interpretado também como o estado terminal e final da salvação, onde os homens irão transcender-se e viver eternamente com Deus. Lá, a lei do amor incondicional a Deus e ao próximo é finalmente instaurada definitivamente. Não haverá mais tempo, mais sofrimento, mais conflitos, mais ódio, e o céu e a terra unem-se finalmente. Embora Deus seja Todo-Poderoso, Ele quer que nós, humanos, dotados de inteligência e razão, participemos de um modo recíproco, livre e voluntário no Projecto Criador de Deus, o maior de todos os projectos que o mundo jamais viu, englobando todos os tempos, todos os povos e todos os seres do Universo.
Seguindo este pensamento, esta missão torna-nos verdadeiros parceiros de Deus, com muita liberdade e simultaneamente muita responsabilidade. Isto quer dizer que nós temos o poder e a capacidade de acelerar a vinda do Reino de Deus com a nossa fé e esperança em Jesus Cristo e com as nossas boas acções.
Os valores principais do Reino de Deus são a verdade, a justiça, a paz, a fraternidade, o perdão, a liberdade, a alegria e a dignidade da pessoa humana. «Arrependei-vos, porque está próximo o Reino dos Céus» era o tema da pregação de João, o Baptista (Mateus 3:2). O prometido Messias chegara, isto é, quando Jesus de Nazaré foi baptizado e Ungido (Lucas 3:30,31), viu a prova da presença do Messias no meio do mundo.
Todo o ministério de Cristo girou em torno do Reino de Deus. Ele instruiu os seus apóstolos dizendo: «Pregai que está próximo o Reino dos Céus». Essas instruções seriam repetidas a todos os seus discípulos, a todos os cristãos (Mateus 10:7; 24:14; 28:19-20; Atos 1:8). A Bíblia inteira gira em torno da vinda do Messias e do Reino de Deus. Por conseguinte, o Reino de Deus tinha um sentido profético e missionário na vida da Igreja Cristã dos primeiros tempos.
Pois, então para os tempos de hoje desejamos fazer um Reino de Deus que seja o nosso reino, onde todos têm lugar e vez à mesa do Pão. Onde a paz não seja um desejo todos os dias adiando. Onde a justiça se torna a norma de conduta das sociedades. Onde ninguém estende a mão porque é mendigo, mas tem o seu trabalho e ganha o seu pão como fruto do seu empenho, o seu suor e o seu esforço. Onde ninguém tem necessidade de emigrar porque o seu país não lhe dá oportunidade de integração. Onde aqueles que fogem da violência e da fome são acolhidos como semelhantes e irmãos. Onde ninguém chora porque está a ser explorado. Onde ninguém sofre porque não tem remédios nem mãos amigas que tratam. Onde ninguém é raptado. Onde ninguém é violado ou objecto de comércio. Onde os idosos não são descartados. Onde as subidas ou descida das ações de qualquer empresa não são mais importantes que um idoso. Um não há «uma economia que mata» (Para Francisco). Onde não há gente maior e gente menor. Mas apenas e só irmãos que se respeitam por que todos iguais na dignidade e no valor da vida.
Por isso, o Reino de Deus que acredito, cabe todos e, afinal, todos são olhados e tidos como realidade da presença de Deus e por conseguinte carne da nossa carne que precisa de amor, de compreensão e da ternura do encontro. É este o reino de Deus que o Evangelho de Jesus anuncia. 

quinta-feira, 23 de janeiro de 2014

A família do Daniel precisa de ajuda urgente

Estas manhãs que nos despertam, nos últimos dias, têm sido recebidas com muita perplexidade. Tudo começa com o desaparecimento de um menino de apenas 18 meses de idade, totalmente dependente dos adultos. Passados três dias aparece sobre um monte de feiteira junto de uma levada perigosa para uma criança com esta idade.
O primeiro sentimento que nos assiste é a tristeza. A seguir fomos vendo, lendo e ouvindo o turbilhão de notícias e comentários com as mais variadas hipóteses sobre o sucedido. Tantos mestres neste género de efemérides...
Não pretendo aqui pronunciar-me se estamos perante um rapto com fins que só sabe Deus e a cabeça de quem acha que este tipo de crimes compensa alguma coisa, uma vingança para pregar um susto à família, uma brincadeira de mau gosto entre tantas outras hipóteses que fui lendo e ouvindo por estes dias. Também não vou discutir se fizeram bem as autoridades em terem suspendido as buscas ou se deviam ter continuado a procurar até que se desse do achamento da criança. Não tenho elementos para ter uma opinião aturada sobre esta questão.
Também não vou continuar com piadas e piadinhas de mau gosto sobre o Daniel e a sua família como tenho lido e ouvido por tanto lado. Também não embarco no vazio em que já anda a comunicação social sobre o desaparecimento do Daniel. Já começa a ser folclórico. Há, pois, um mistério que nada tem de divino, mas apenas encoberto e construído pela maldade humana. Por isso, compete agora às autoridades desvendarem e a contas quem cometeu este crime, se for o caso, nos satisfazerem a inquietação perante esta sensação horrível de que estamos perante um mistério esquisito. A meu ver o final feliz foi o melhor do acontecimento e para mim é mais que suficiente.
Por isso, o que mais desejo partilhar sobre esta questão em jeito de reflexão é a situação de pobreza em que se encontra a família do Daniel e ainda mais o facto de sentirem a ostracização, o abandono a que estão votados. Parece que poucos gostam da família do Daniel. São estes os pobres dos pobres de Deus que ninguém quer saber, porque estão rotulados, marcados pelo dedo alheio, que é sempre mais rápido a apontar o argueiro no olho do vizinho.
Foi preciso ter acontecido um crime e ter-se feito sofrer uma criança para que nós sociedade nos dessemos conta de que há uma família, por sinal, muito numerosa a viver na miséria. Devia ser sobre esta realidade que devíamos todos estar a falar, a chorar e a sentir vergonha de como estamos muito mal. Quando vi pela primeira vez a fotografia do Daniel, aquele rostinho parecendo um pouco sujinho por causa da brincadeira e com uma chucha na boca, pensei logo que se tratava de uma família muito pobre. Não falhei.
Agora espero que as portas se abram para o Daniel e para sua família. Que o sofrimento do pequeno Daniel tenha alguma utilidade, não seria a primeira vez que um menino salva uma família inteira.
Às autoridades, é pedido que despertem para estas situações dramáticas em que estão várias famílias da nossa terra. A família do Daniel é uma entre tantas. À comunidade em geral fazemos um apelo. Vamos despertar e reclamar por justiça, para que ninguém tenha que viver em pardieiros, em barracas improvisadas onde o vizinho mais próximo são as perigosas correntes de ar e o frio. Vamos lutar por justiça. Vamos colocar à frente dos nossos destinos gente sensível a estes dramas. Vamos estar atentos à nossa volta e apontar às autoridades que assim não podemos continuar com políticas que beneficiam sempre os mesmos e menosprezam a situação concreta dos mais fracos, que é a maioria do nosso povo.
É inconcebível que a Segurança Social se gabe de ter excedentes em dinheiro, quando reduziu as compensações aos desempregados, corta nas reformas e impõe impostos sob a cabe de contributos solidários. Assim, é mais que lógico que existam excedentes de dinheiro a rodos, mas ao mesmo tempo vão se multiplicando em excesso preocupante as famílias em situação de miséria idêntica à família do Daniel. Este é o maior crime que está acontecer aos olhos de toda a gente, mais ainda ao abrigo de leis absurdas e políticas desumanas. E ninguém vai preso por isto. 

quarta-feira, 22 de janeiro de 2014

A Teologia do Dom

Tendo em conta que a Igreja Católica não parece estar virada para debater a Ordenação das mulheres. Então, que se abra à discussão sobre a Teologia do Dom e, acrescento, assuma-se de verdade a proclamação dos Direitos Humanos. Será legítimo em termos de igualdade de géneros e terá fundamento bíblico que só a dimensão masculina da humanidade tenha direito ao acesso aos sete sacramentos e a outra dimensão feminina só possa receber seis? 
Eis a análise que faz a irmã Irmã Susan Olson, das Irmãs Escolares de Notre Dame de Namur não são de descurar... Leiam aqui
Muito interessante... 
«Talvez a teologia dos sacramentos seja uma abordagem melhor do que os anos gastos desenvolvendo uma teologia das mulheres, as quais são, antes de tudo, humanos e parte do laicato. Uma teologia dos dons abriria portas à partilha da vida sacramental da Igreja com as mulheres. O laicato como um todo e, em particular, as mulheres têm dons que poderiam ser partilhados na administração dos sacramentos, e a teologia envolvendo os sacramentos apoia esta partilha. O diaconato abriu as portas e agora são somente as mulheres que estão excluídas».

terça-feira, 21 de janeiro de 2014

FRASES INTEMPORAIS APLICADAS À POLÍTICA

1 - O cigarro adverte:
"o governo faz mal à saúde!"
2 - Não roube,
“o governo detesta concorrência.”
3 - Errar é humano.
“Culpar outra pessoa é política.”
4 - Autarcas portugueses
"São os mais católicos do mundo. Não assinam nada sem levar um terço.
5 - Se bem que…
"o salário mínimo deveria chamar-se gorjeta máxima".
6 - Feliz foi Ali-Babá que:
"não viveu em Portugal e só conheceu 40 ladrões!!!..."
7 - Não deixe de assistir
"ao horário político na TV:
Talvez seja a única oportunidade de ver políticos portugueses em "cadeia nacional".
8 – O maior castigo
"para quem não se interessa por política é que será governado pelos que se interessam."
9 - Os políticos
"são como as fraldas... Devem ser trocados com frequência, e sempre pelo mesmo motivo... (Eça de Queirós)
10 - Os líderes
"das últimas três décadas ou sucedem a si próprios ou então criam clones dos seus tiques."
11 - Os partidos
"tomaram conta do Estado e puseram o Estado ao seu serviço."
12 - A frase do dia é de Alberto João Jardim:
- O que penso sobre o aborto?!...
- Considero-o um péssimo Primeiro-ministro e está a governar muito mal o País.
13 - Notícia de última hora!!!
- "Fiscais da ASAE, (brigada de inspecção da higiene alimentar), acabam de encerrar a Assembleia da República."
Motivo: Comiam todos no mesmo tacho!
14 – Bom para Portugal!!!!!
"Sou totalmente a favor do casamento gay entre os políticos.
Tudo que possa contribuir para que eles não se reproduzam é bom para o país..."
15 - Candidatos:
"Antigamente os cartazes nas ruas, com rostos de criminosos, ofereciam recompensas;
hoje em dia, pedem votos".
16 - País desenvolvido:
"não é onde o pobre tem carro, é onde os políticos usam transporte público".
17 - Austeridade é quando
"o Estado nos tira dinheiro para pagar as suas contas até deixarmos de ter dinheiro para pagar as nossas".
18 - O governo esclarece:
"Os cortes aos reformados só se aplicam a quem tiver 2 pensões. Quem tiver 2 hotéis ou 2 residenciais está safo".
19 - A força do Fisco:
"O estado arranca-me tudo à força e depois diz que sou contribuinte".
20 - País desenvolvido
não é onde o pobre tem carro, é onde os políticos, usam transporte público.
21 - Austeridade é quando
o Estado nos tira dinheiro para pagar as suas contas até nós deixarmos de ter dinheiro para pagar as nossas.

Tirado com a devida vénia do blogue: A Política dos Políticos 

segunda-feira, 20 de janeiro de 2014

A cruz no peito do Ronaldo

Uma grande parte dos portugueses o que mais sente perante as imagens da condecoração do Cristiano Ronaldo é, que o verdadeiro agraciado, não é ele, o Cristiano, mas o Presidente da República. Explico-me, estamos perante um Presidente moribundo, com uma popularidade baixíssima nunca vista em relação a um Presidente da República. A maioria do povo português não nutre grandes simpatias por este homem e afirma à boca cheia que ele não o representa.
A invenção da condecoração ao Cristiano Ronaldo neste contexto não move grandes entusiasmos. É pena para o Ronaldo que não tenha uma figura mais bem cotada na popularidade para lhe conceder com elevada dignidade esta condecoração.  
O actual Presidente da República de Portugal está impopular porque não soube ser corajoso quando devia. Passou a maior parte do tempo a mastigar as palavras e a gerir silêncios perante atentados graves contra a maior do povo português. É mais que conivente com o empobrecimento do povo, não calou perante a loucura da austeridade e da subida de impostos. Foi um choramingas perante os cortes nas reformas, coisa que não se compreende muito bem dado que os seus proventos devem ser bem acima da média do comum dos mortais. Não teve uma palavra que fosse em relação a tantos que caiam no desemprego e que viram ser-lhes retiradas parcelas importantes nos seus rendimentos, pensões e reformas, mais que necessárias para manter as suas famílias. Alias, coisa que o Presidente da República portuguesa, não sabe o que é, porque vive numa das cortes mais caras da Europa. As nuvens negras que pairam sobre ele e a sua família quanto ao BPN ainda não foram devidamente explicadas, episódio que o levou afirmar que a maioria de nós teria que nascer dez vezes para ser tão honesto como ele. Estes são apenas alguns dos aspectos que não convém esquecer para que cada um de nós lhe conceda a devida medalha sem honra a um Presidente da República que nos desonrou em tantos momentos dos seus mandatos.
Por tudo isto o verdadeiro agraciado é não é o Cristiano Ronaldo, mas Cavaco Silva, que se aproveita dos feitos gloriosos de um cidadão português, para ver se sai bem deste retrato tenebroso que ele fez tirar a população portuguesa.
Não fosse a cruz ao peito do Ronaldo, o símbolo da cruz que carregam os portugueses neste tempo fatal da austeridade.
O Cristiano merecia melhor figura a condecorá-lo.

Criança desaparecida no Estreito da Calheta

Acho que passei mal a  noite por causa desta horrível notícia...
Aqui fica a foto do menino publicada no Dnotícias online. Vamos todos empenhar-nos para que tenhamos um fim feliz. Quanto à suspensão das buscas durante a noite, deixa-nos tomados de perplexidade. Mas deixemos ficar por hora. Esperemos sim por uma notícia que nos garanta um final cheio de alegria.
Se alguém soube do Daniel que se apresse a comunicar à autoridades competentes ou à família.

sábado, 18 de janeiro de 2014

O nevoeiro misterioso

Com votos de um fim de semana feliz para todos os leitores de blogue...
Soube bem ver o nevoeiro cobrindo os vales
Também poisado nos ramos como os pássaros
Que as árvores de todos os tempos criam nas encostas.
Mas se voltar o olhar o verei dependurado sobre os telhados
Parecendo o ladrão que assalta as casas.
Porém ali ficou serenamente como manto branco
Da presença de um Deus que veio de longe
E fazendo fé nesta presença amorosa
Retemos em suave alegria todas coisas
Que a dádiva cheia de sorte nos desvelou por momentos
Na riqueza do dom desta presença.
Não era apenas nevoeiro mas ação sem perigo
Assim mesmo como proteção da harmonia misteriosa.
Tão certo foi mesmo isso a cerrada noite branca
Porque fez-se todo o bem nas casas do nosso abrigo.

Por fim fizemos uma trégua ao nosso desassossego
Que as feridas abrem quando descontrola o pensamento
Nisto vieram as lágrimas de todas as folhas da nossa atenção
- E má sorte esta condição de ser gente em peregrinação
Pois, nunca vem primeiro o movimento seguro da nossa salvação?

José Luís Rodrigues

Será que os números mentem? - Se não mentem, estamos bem arranjados

Mas, quem se anima com isto?
Algo anda mal neste reino da cegueira ou do masoquismo... Quem devia estar no fundo da tabela ou até mesmo desaparecer, continua a ganhar? - Pelo amor de Deus. Fiquem-se com este banquete, porque eu retiro-me, prefiro morrer de fome. Até custa a crer que esta sondagem tenha sido feita à população da Madeira. As dificuldades, a perda de autonomia, as dívidas astronómicas para serem pagas por esta geração e por mais duas ou três depois de nós, parece, que ainda não surtem o devido efeito. Por isso, arrenca Carlinhos, vamos até à Fajã Escura do nosso descontentamento...

sexta-feira, 17 de janeiro de 2014

A rebelião dos delfins

Neste clima arrepiante, porque o frio tolhe os ossos e a alma, vamos sabendo do clima escaldante em que está mergulhada a Madeira. Eles são ataques pessoais, eles são expulsões, eles são traições, eles são desistências, eles são um conjunto de situações que vão sendo notícia a nível regional, nacional e quiçá internacional, para testemunhar como é «bela» a democracia que se vive na Madeira.
Todos se lembram quando se falava à boca cheia, embora fosse baixinho nas conversas entre amigos, que quando chegasse a altura da queda da hegemonia do regime social-democrata na Madeira, aqueles que beneficiaram dele exaustivamente, comer-se-iam às dentadas. Eis o tempo dessa profecia que andava de boca em boca.
Esta guerra de delfins perdeu todo o respeito. Entre eles reina um desnorte fatal. Todos se acusam e todos de se ofendem, agindo como se tal fosse uma verdade que ninguém visse o seu contrário na realidade concreta do dia a dia. Quero com isto dizer que quem ofende, afinal, queixa de ser ofendido, quando reparamos que o ofendido para o dia a fazer graves ofensas e ataques pessoais. Confuso, pois claro, confuso para todos.
Mais grave, porém, será admitirmos que anda muito boa gente acobardada a estes esquemas e que não pia nem mia por causa do medo de perder benesses ou outros elementos que enformam a dignidade, mais o que é isso perante a feroz investida do egoísmo pessoal?
Este clima é horrível. Está instalado o desnorte em tempos que urgem estabilidade, dedicação e determinação na tomada de medidas que alivie a situação de dificuldades em que está enterrada a população da Madeira. Parece haver inconsciência cega no sentido em que não se pensa nada que este clima agudiza ainda mais a situação periclitante em que está a Madeira. À parte esta caridade pessoal que me assiste, enquanto esta guerra se situar no interior do partido, ainda vá que não vá, é lá com eles, mas quando saltar para a sociedade em geral devemos temer o pior. Já vamos tendo alguns avisos.
Quem tinha dúvidas que em nenhum momento as criaturas se voltam contra o seu criador, pode ver às claras essa realidade na nossa terra. O criador de uma plêiade de delfins vê-se agora a braços com uma luta incrível para domar as suas criaturas. O que aconteceu foi isso mesmo de criador passou a domador. Já deve saber que é sempre mais fácil criar do que domar. Por nós estamos entretidos, mas ao mesmo tempo, também tomados de alguma preocupação internamente, externamente, envergonhados, porque mais uma vez se passa a ideia para fora de que na Madeira é bem verdade que não aprendeu nada do que é viver em democracia.

quinta-feira, 16 de janeiro de 2014

A vocação de cada um de nós humaniza mais o mundo

Comentário para missa deste fim de semana, 19 janeiro de 2014
Domingo II tempo Comum

O tema da liturgia deste domingo é a questão da vocação. Convida-nos a situá-la no contexto de Deus para o serviço da humanidade e do mundo. No fundo, resume-se a isto, Deus é o Senhor da vida plena e pretende oferecer à humanidade a vida em abundância, a vida eterna, por isso, elege pessoas para serem defensores dessa causa na história e no tempo. É este o projecto de Deus, o que deve ser também a nossa causa e a nossa fé, a nossa esperança devem radicar neste horizonte.
A nossa vocação (ou as opções que inteligentemente vamos tomando) segue o plano de Deus, tem origem em Deus, é alimentada por Deus. Deus serve-se, muitas vezes, da nossa fragilidade, a nossa limitação para levar adiante o Seu plano sem dramas.
Para os crentes, aquilo que fazemos de bom e de bonito não resulta, portanto, das nossas forças ou das nossas qualidades, mas de Deus. O coração do profeta não tem, portanto, qualquer razão para se encher de orgulho, de vaidade e de auto suficiência, como fazem tantas vezes as figuras que assumiram serviços públicos, convém ter consciência de que não somos «super homens» e que por detrás de tudo está Deus, e que só Deus é capaz de transformar o mundo, a partir dos nossos pobres gestos e das nossas frágeis forças. A profissão vocacionada radica precisamente aqui, é serviço desinteressado pelo bem comum, não se ensoberbece, mas humilha-se para servir mais e melhor.
A partir de São Paulo, convém ter sempre presente que a Igreja, a comunidade dos «chamados à santidade», é constituída por «todos os que invocam, em qualquer lugar, o nome de Nosso Senhor Jesus Cristo». É importante termos consciência que não há nada que nos faça diferentes, maiores e mais importantes. Na comunidade somos todos irmãos. Nada deve subverter essa realidade, nem a cor da pele, as diferenças sociais, as distâncias culturais ou quaisquer outras diferenças. O que nos une é Jesus Cristo que secundariza alguns elementos religiosos e centra-nos no essencial, somos irmãos, Jesus Cristo e o reconhecimento de que Ele é o Mestre, o único Mestre, nos orienta a vida e nos oferece a salvação.
Quem foi Jesus? – Pergunta-nos o Evangelho. Jesus não foi mais um «herói», o «melhor homem da história», «um homem bom», Jesus não é alguém que embelezou a história com o sonho idílico de um mundo melhor e desapareceu, como os líderes de revoluções políticas que a história apagou. Jesus é o Deus que Se fez pessoa como nós, que assumiu a nossa humanidade, que trouxe até nós uma proposta clara e eficaz de salvação. Está presente hoje nos caminhos da nossa vida, torna presente o Plano de salvação de um Deus que é Pai/Mãe e que nos oferece a vida plena e eterna. Ele é a fonte da vida e da liberdade, que nos desvela o sentido da prática do amor, para que tudo o que fazemos esteja de acordo com esse dom de felicidade. 
Neste sentido, despertando para a nossa vocação, façamo-nos cientes de que só e apenas o Jesus do Evangelho nos dá a liberdade e que nenhuma proposta ilusória de pseudo mestres que aparecem em tantos momentos da nossa vida nos garantem senão a ilusão de algum momento de prazer sem qualquer consistência de verdadeiro sentido para o que somos e fazemos.

O circo continua para a animar a plebe

Onde andamos metidos?
Primeiro, morreu o Eusébio. Andamos pelo menos duas semanas falar no homem e em futebol.
A seguir tivemos a bola de ouro do Cristiano Ronaldo e tivemos mais dias intermináveis sobre o Cristiano Ronaldo e sobre o futebol.
Agora os partidos inventaram um referendo sobre a adoção por casais do mesmo sexo.
Pelo meio disto tudo o governo vai anunciando que estamos a crescer, as exportações aumentam e os mercados estão a olhar para nós com credibilidade. Somos fiáveis para nos fiarem ainda mais dinheiro. Para rechear ainda mais a beleza da coisa algumas entidades europeias e internacionais vão fazendo elogios ao nosso (des)governo e à nossa economia que cresce de forma fantástica.
Porém, a realidade desmente tudo. O desemprego continua. A austeridade acelera, o povo empobrece a olho nu, tudo na realidade está como todos podem ver. Não vejo melhorias. Das duas uma ou estou zarolho ou não quero ver o que eles estão a ver.
É preciso acordar e quem sabe se começarmos todos a trabalhar mais e com toda seriedade pode ser o melhor para fazer crescer o nosso país?
Estas aldrabices são o circo (sem ofensa para o verdadeiro circo e a todos os que têm neste serviço artístico o seu ganha pão) constante que no enoja sobremaneira… E fazem-nos cair numa descrença terrível porque provam-nos que estamos perante gente que se achega para governar e que não percebe nada para o que veio. Diverte-se com estatísticas irreais e com jogos de palavras eufemisticamente bem estudadas para fazer brilhar a propaganda dos incompetentes. Até quando vamos suportar este circo constante?  

quarta-feira, 15 de janeiro de 2014

Santo Amaro patrono dos armários limpos

Santo Amaro (no Brasil conhecido por São Mauro) é um monge do século VI que desde menino serviu à ordem dos Beneditinos. Foi confiado a São Bento, juntamente com o seu amigo Plácido, que também foi canonizado. Os meninos entraram para o mosteiro de Subiaco para estudarem e aprofundarem a sua fé em Deus.
Certo dia, São Bento estava a rezar enquanto Amaro se ocupava com as tarefas do mosteiro, e São Bento teve uma visão do menino Plácido, que tinha ido buscar água no riacho, a afogar-se. São Bento então chamou Amaro e avisou que o seu amigo estava a afogar-se e pediu-lhe que corresse até lá e tentasse salvá-lo de qualquer forma. Santo Amaro apressou-se para salvar Plácido, e chegando ao riacho pronto para cumprir a tarefa que lhe havia pedido São Bento, caminhou sobre as águas e retirou de lá o amigo. Este foi o seu primeiro milagre.

Pela sua prova de humildade e paciência, São Bento pediu que fosse a França e abrisse um mosteiro beneditino. O seu nome foi dado à Congregação Beneditina Francesa de Saint Maur, uma das mais importantes instituições católicas pela formação de seus monges. Santo Amaro faleceu no mosteiro francês aos setenta e dois anos, a 15 de janeiro de 567, depois de uma peste que também levou à morte muitos dos seus monges.
In Evangelho Quotidiano

terça-feira, 14 de janeiro de 2014

Quando os deuses choram

Cristiano Ronaldo pela segunda vez foi eleito o melhor do mundo. Bola de ouro. No momento em que recebe o galardão, pronuncia algumas palavras de circunstância, que tremem com a emoção e engasga-se com as lágrimas. Um momento bonito que provavelmente vez chorar milhões e emocionar outros tantos. Estas são lágrimas de ouro que ninguém fica indiferente e ainda mais se se trata de um compatriota, um conterrâneo. Estamos assim como que tocados pela beleza do momento. Afinal quando os deuses choram o mundo estremece.
Estas lágrimas de Ronaldo são o símbolo da alegria, da festa que a luta, a tenacidade do trabalho, o sacrifício e a entrega ao que se gosta de fazer… Por isso, são um exemplo para tantos jovens que desejam atingir o patamar do sucesso e brilhar, brilhar muito diante dos holofotes do mundo.
Este lado bonito dos deuses que choram para nós e para tantos é o melhor troféu. São a emoção sentida dessa luta constante no mundo inventado para serem os melhores do mundo apenas alguns contra a desconsideração e esquecimento da maior fatia daquilo que o mundo tem de melhor, a humanidade.
Chora Ronaldo, mereces a bola de ouro e outras mais ainda, porque não tens culpa do mundo maltratado em que vivemos. Foste endeusado para chorar apenas e só no momento da recepção dos trofeus. Não toleramos que chores diante do pior do mundo e da nossa condição de ser humanidade, que às vezes é miserável. Fostes eleito para brilhar apenas e só. Porém, prepara-te para os próximos desafios, tolerância zero daqueles que por hora te exaltam e só sabem dizer palavras bonitas por ti e pela bola de ouro que recebeste… Os unanimismos são um perigo e duram pouco.   
Mas, as lágrimas dos deuses escondem outras lágrimas que ninguém quer ver. Aliás, o melhor que o mundo tem que é a humanidade, numa porção pequena onde reina a riqueza, pouco se importa que uma grande parte não tenha direito a lágrimas, não chore diante das câmaras da ribalta. Essas lágrimas não são de ouro. São antes lágrimas de fome, lágrimas de violência escondida e silenciada, porque repudiamos ao máximo misérias e temos que salvar criminosos importantes. Por isso, ninguém quer saber destas lágrimas de gente que nunca chegará a ser deus de coisa nenhuma.
Em tanto lado as lágrimas são pão quotidiano, onde não há emprego para sustentar a família, onde não há pão para matar a fome, onde não há casa para se abrigar, onde não há roupa, onde não há oportunidades nenhumas de trabalho e por isso gastam-se os jovens na toxicodependência, no álcool e em noitadas incontáveis de prostituição. Um rol imenso de lugares de lágrimas e de emoção que ninguém quer saber. Ali, está o melhor do mundo que é a sua humanidade inteira, as lágrimas não são de ouro, mas de água e sal, como símbolo da dor imensa que a injustiça deste mundo recria em cada dia da existência. Para apenas alguns terem ouro e serem os melhores do mundo, quantos não terão que ser vítimas e ser considerados abaixo do patamar da dignidade, sem voz e sem mundo.
No entanto, parabéns ao Cristiano Ronaldo. Que ele seja luz para tantos jovens que anseiam pelo sucesso e que a sua ribalta inspire outros tantos a se entregarem ao trabalho com sacrifício e com honestidade. Afinal, cada um de nós, não precisa de ser deus, basta que se considere o melhor do mundo naquilo que faz no anonimato da sua vida mesmo que sem ouro e sem holofotes.

segunda-feira, 13 de janeiro de 2014

O Papa Francisco sem rodeios desconcerta a cegueira das leis

Com imensa alegria recebi ontem esta notícia: «o Papa baptizou o filho de uma mãe solteira e a filha de um casal casado "só" pelo civil». Extraordinário e surpreendente. Nunca esperei que um Papa tomasse a dianteira neste aspecto e não tivesse este sinal sem que houvesse um grande debate em toda a Igreja Católica. Só ao fim de se serem pedidas opiniões às comunidades, que por sua vez enviariam para as Conferências Episcopais, que fariam a devida triagem para enviarem a Roma o que lhes conviesse e depois lá em Roma uma Comissão de cardeais e especialistas escolhidos a dedo fariam também a devida reflexão para entregarem ao Papa a decisão que melhor convinha ao «deus das leis» que andou e anda na cabeça de tanta gente.
Felizmente, o Papa Francisco não precisou desses caminhos longos para nos revelar o Deus do amor e da misericórdia que acolhe toda a humanidade sem olhar a condições de nenhuma espécie. Este dom dado à Igreja e ao mundo, faz-nos muito felizes e reintegra todos aqueles homens e mulheres que um dia pensaram para si, mas o que é isto de desprezar, rotular e agir de acordo com um «deus de leis», um «deus rubricista» que violenta as pessoas, que as despreza, que as colocam no patamar da ostracização para serem olhadas de esguelha pelas comunidades?
O extraordinário radica também no facto de o Papa realizar os baptismos na Capela Sistina, o lugar mais emblemático do Vaticano. Um balde de água fria que o Papa lança sobre uma grande porção da igreja que andou anos e anos a pregar que a salvação seria para alguns, os santos, os puros. Mais ainda se adianta o que o Papa diz às pessoas ali presentes para o efeito: «Hoje o coro vai cantar, mas o coro mais belo é aquele das crianças, algumas delas quererão chorar porque têm fome ou porque não estão confortáveis. Estejam à vontade mamãs, se elas tiverem fome deem-lhes de comer, porque elas são as pessoas mais importantes aqui». Bonito. Ousado. Mas com o sentido de que tudo o que existe na Igreja está em função das pessoas e que a espiritualidade de nada serve sem a humanidade.
Um dia destes deparo-me com esta senhora, que por razões várias há mais de trinta anos assumiu uma «união de facto», que por razões que não são chamadas ao caso estava impedida de receber o Sacramento do Matrimónio. O seu maior desejo era receber a comunhão eucarística. Após a nossa conversa, obviamente, que lhe dei a comungar o Pão da Eucaristia. Nisto rebentou em lágrimas compulsivas e pelo meio dos soluços desabafa, «há mais de trinta anos, que não comungava». Pergunto: mas o que é isto?; Qual é o Deus que deseja uma coisa destas?; Quem é responsável por esta violência?; Que Deus andamos a anunciar? (…). Chega… O Papa travou esta loucura e veio dizer à Igreja em geral, que somos todos Igreja para todos sem olhar a condições ou, então, se assim não for, a Igreja que somos não serve para nada.
Obviamente, que me penitencio porque também nos primeiros anos da minha vida sacerdotal ainda ter praticado esta loucura de levar à risca umas leis anacrónicas e destoadas completamente da realidade. Porém, feito o devido discernimento e quando me autonomizei do absurdo da cegueira da obediência, tomei a opção pelas pessoas e não olho a condições para ministrar os sacramentos, venham de onde vierem e nada importa como venham. Basta-me serem pessoas com vontade de se encontrarem com o mistério do amor de Deus que se derrama incondicionalmente para todos.
Também fica claro que há muitos anos que nós assumimos fazer esta prática que o Papa ontem confirmou. Deixei de me considerar um fora da lei. E não é só por isso que estou muito feliz, mais ainda porque muitas pessoas que se sentiam fora da lei e da comunhão, hoje, podem sentir que foram integradas e que aqueles que andavam agarrados com unhas e dentes ao crivo da lei colocando na margem em nome de um deus menor, absurdo, hoje devem sentir vergonha e penitenciar-se, pedindo perdão a Deus e às pessoas.
O Papa Francisco, mostra claramente que a Igreja está ao serviço das pessoas e mais ainda nos ensina que as mudanças fazem-se com a prática, a acção concreta. Se for de outro modo não serve de nada mudar, fica apenas no papel após milhentas reuniões e rodeios fatigantes. Esta forma paulatina de transformar com sinais, a meu ver, será a mais segura e aquela que precisava mesmo a Igreja Católica. Bem haja Papa Francisco. 

sexta-feira, 10 de janeiro de 2014

Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam

Texto de Pedro Abrunhosa para ser lido nestes tempos em que natureza se ri das más acções da humanidade...
"Aquele era o tempo em que as mãos se fechavam"
"E nas noites brilhantes as palavras voavam,
Eu via que o céu me nascia dos dedos"
"E a Ursa Maior eram ferros acesos. Marinheiros perdidos em portos distantes,"
"Em bares escondidos, em sonhos gigantes.
E a cidade vazia, da cor do asfalto,
E alguém me pedia que cantasse mais alto."
"Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?"
"Aquele era o tempo em que as sombras se abriam, Em que homens negavam o que outros erguiam."
"E eu bebia da vida em goles pequenos, tropeçava no riso, abraçava venenos. De costas voltadas não se vê o futuro nem o rumo da bala"
"Nem a falha no muro. E alguém me gritava com voz de profeta. Que o caminho se faz entre o alvo e a seta."

"Quem leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada? ""De que serve ter o mapa se o fim está traçado, ""De que serve a terra à vista se o barco está parado,"
"De que serve ter a chave, se a porta está aberta, ""De que servem as palavras, se a casa está deserta?"
"Quem me leva os meus fantasmas,
Quem me salva desta espada,
Quem me diz onde é a estrada?"
(Pedro Abrunhosa)

quinta-feira, 9 de janeiro de 2014

Porque precisou Jesus de se baptizar?

Comentário à missa do próximo domingo
12 janeiro de 2014
Pessoalmente para João, o baptismo de Jesus terá sido o seu auge experiencial. João terá ficado admirado por Jesus se ter proposto para o baptismo. Esta experiência motivou a sua fé e o seu ministério. João baptizava num determinado lugar do rio Jordão, quando Jesus se aproximou, na margem do rio. A síntese bíblica do acontecimento é resumida, mas denota alguns factores fundamentais no sentimento da experiência de João. Nesta altura João encontrava-se no auge das suas pregações. Teria já entre os 25 e os 30 discípulos e baptizava judeus e gentios arrependidos. Neste tempo os judeus acreditavam que Deus castigava não só os iníquos, mas as suas gerações descendentes. Eles acreditavam que apenas um judeu poderia ser o culpado do castigo de toda a nação. O baptismo para muitos dos judeus não era o resultado de um arrependimento pessoal. O trabalho de João progredia.
Os relatos Bíblicos contam a história da voz que se ouviu, quando João baptizou Jesus, dizendo «este é o Meu filho amado com o qual Me alegro». Refere que uma pomba esvoaçou sobre os dois personagens dentro do rio, e relacionam essa ave com uma manifestação do Espírito Santo. Este acontecimento sem qualquer repetição histórica tem servido como base a imensas doutrinas religiosas. 
A cena do baptismo de Jesus revela portanto, essencialmente, que Jesus é o Filho de Deus, que o Pai envia ao mundo a fim de cumprir um projecto de libertação a favor da humanidade inteira. Como verdadeiro Filho, Ele obedece ao Pai e cumpre o plano salvador do Pai, por isso, vem ao encontro da humanidade, solidariza-se com ela, assume as suas fragilidades, caminha com ela, refaz a comunhão entre Deus e a humanidade que o pecado havia interrompido e conduz cada mulher e cada homem ao encontro da vida em plenitude. Da actividade de Jesus, o Filho de Deus que cumpre a vontade do Pai, resultará uma nova criação, uma nova humanidade. 
Neste Jesus que João baptiza, está a esperança da renovação do mundo. Ele é o sinal do amor de Deus a favor de todos. Assim, tudo o que seja desesperança há-de encontrar uma luz, um sentido novo Neste Filho de Deus que se deixa marcar pelo amor. Este mundo onde reina a injustiça, a malvadez contra os mais fracos, a soberba que acolhe os amigalhaços ou os mais bafejados pela dita sorte, não marcará jamais o seu lugar perante a força vibrante do anúncio da fraternidade, a igualdade e a liberdade do encontro do Deus do amor, que este Filho representa.

quarta-feira, 8 de janeiro de 2014

As duas vergonhas

Não sei quem é o autor... Porém, é útil para a reflexão pessoal.
Não é vergonha ter defeitos. Mas ver os dos outros e não os próprios...
Não é vergonha ser trabalhador. Mas fugir ao trabalho...
Não é vergonha cair. Mas ficar caído...
Não é vergonha sucumbir. Mas sucumbir no prazer...
Não é vergonha não ter dinheiro. Mas gastá-lo mal gasto...
Não é vergonha errar. Mas preservar no erro..
Não é vergonha ser ignorante em alguns assuntos. Mas presumir-se sábio em todos eles...
Não é vergonha comer o que a bondade de alguém põe na mesa. Mas ainda por cima dizer mal...
Não é vergonha rezar ao levantar-se pela manha. Mas portar-se como pagãos pelo dia adiante...
Não é vergonha pregar a paz com os inimigos. Mas andar em guerras constantes com os amigos e parentes...
Não é vergonha usar os cabelos compridos. Mas sim ter ideias curtas...
Não é vergonha ouvir os ditos dos homens. Mas não ouvir a voz da consciência...
Não é vergonha ficar a dever. Mas sim não pensar em pagar...
Não é vergonha ter vergonha. Vergonha é não a ter...