Convite a quem nos visita

quarta-feira, 30 de abril de 2014

Linguagem de amor

Maravilhosa reflexão...
Há muita gente que olha para um deficiente e não vê mais que a sua limitação cerebral ou motora. Mas o olhar do nosso coração, esse ultrapassa essa barreira e descobre as excelentes qualidades que aí jazem escondidas, tantas vezes menosprezadas pelos próprios familiares.
Page era um rapaz com grave deficiência cerebral desde nascença. Não falava, não ouvia e via apenas e mal por um dos olhos. Vivia para um mundo estranho, apenas seu.
Após alguns anos de exercícios de recuperação, conseguiu ler rudimentarmente. Seus irmãos nem sempre o apoiaram com a compreensão necessária.
Certo dia, Page e os irmãos foram visitar a avó, de oitenta e tal anos, internada num lar de idosos. Era sem dúvida a última visita, a visita de adeus, tal o estado debilitado da anciã. À volta da cama, o grupo familiar disfarçava a emoção e o motivo da visita, dizendo palavras evasivas.
Inesperadamente, o deficiente abriu caminho por entre os familiares e aproximou-se da cama da avó, chorando. Tomou o rosto magrinho da avó entre as mãos e ali ficou longo tempo afagando-o e molhando-lhe a camisa com as lágrimas, enquanto uma comunicação terna de gemidos se estabelecia entre a avó e o neto.
Ficaram todos tão emocionados como surpreendidos. Afinal aquele deficiente compreendera com o coração o motivo daquela visita. Embora muito limitado, tinha um dom precioso e desconhecido da família: não tinha capacidade para enganar. Não conseguiu disfarçar. Exprimiu à sua maneira o que sentia.
O irmão mais velho desejou naquele momento ser mais parecido com Page.
Saíram do quarto. A avó esboçou com os lábios um gesto ténue de beijar, dizendo adeus.
O deficiente tinha falado em sua linguagem intuitiva de amor: tinha dito o que os outros não tinham tido a coragem nem a capacidade de dizer...  
Mário Salgueirinho

Campanhas à medida para todos os gostos

Oiço na Antena 1 Madeira um diálogo sobre pobres. Os vários interlocutores, estão todos de acordo com tudo o que qualquer um diga. Estão a fazer publicidade de mais uma campanha para sugar os madeirenses, enriquecer os donos dos supermercados e o Estado arrecadar impostos. O mais interessantes é que fizeram passar a ideia que a maioria dos pobres habituou-se à subsídio dependência da política do Estado a nível nacional, salvaguarde-se que nada disto aconteceu na Madeira...
Mas qual subsídio dependência? E as instituições chulas que estas figuras dirigem, criadas unicamente para sugarem apoios estatais, instalarem assalariados amigos e familiares? E quanta boa gente beneficiada com altíssimos rendimentos à sombra destas instituições?
Vão enganar outros… Para mim, nas contas do meu rosário estão bloqueados, exactamente, como qualquer pirâmide que exista por aí mesmo que cheia de boas intenções.   

Judeu ao telemóvel no Mura das Lamentações

JUDEU CONVERSANDO COM DEUS PELO TELEMÓVEL NO MURO DAS LAMENTAÇÕES...
(A foto deste judeu é impagável e o texto também!) 
Judeu: Deus? 
Deus: Sim!
Judeu: Eu posso lhe perguntar algo?
Deus: Claro, meu filho !
Judeu: O que é um milhão de anos para você?
Deus: Um segundo.
Judeu: E um milhão de dólares?
Deus: Um centavo.
Judeu: Deus, você pode me dar um centavo?
Deus: Espere um segundo...

Conclusão: Não vale a pena pretender dar a volta a Deus!

terça-feira, 29 de abril de 2014

A Pensão da Dona Rosa

Leva que é democrático... E não digas de onde vai.

Ele mereceu as palmadas

Inocente. E com muita graça...
Por causa de um apagão, uma ambulância foi a chamada a socorrer uma mãe já em trabalho de parto. 
A equipa entrou na casa às escuras, onde está apenas a filha de 3 ou 4 anos na companhia da mãe. 
Um dos membros da equipa pediu à garota para ficar sobre uma cómoda, segurando uma grande lanterna, enquanto  cuidavam da mãe. 
Ela comportou-se muito bem, de olhos fixos na cena.
Daí a pouco, o bebé nasceu. A médica levantou o recém-nascido pelos pezinhos, bateu no seu traseiro e ele pôs-se a chorar alto.
Desceram a menina da cómoda, terminaram a sua tarefa, agradeceram a ajuda da pequena.
Ao saírem, a médica perguntou-lhe o que achara do que acabava de ver. 
Ela lhe respondeu de pronto: 
- "Ele mereceu as palmadas !  Não tinha nada de entrar lá dentro !..."

segunda-feira, 28 de abril de 2014

As relíquias dos dois novos santos

Comungo em pleno desta ideia. A dupla canonização, do italiano João XXIII - considerado um progressista ao convocar o Concílio Vaticano II em 1962 para modernizar a Igreja - e do polonês João Paulo II - que enfrentou o comunismo e foi inflexível em temas morais - foi, segundo analistas, um golpe de mestre para o Papa Francisco, para unir os diferentes sectores da Igreja. Ambos os pontificados, também encarnam duas imagens diferentes: o primeiro, humilde e próximo do povo; o segundo, um comunicador nato, carismático e capaz de seduzir tanto os poderosos quanto as multidões. Nada disto é discutível e admirável.
Mas falta-me imenso, em inteligência e em fé, para considerar que as relíquias dos dois novos santos acrescentem mais luz à fé e ao crescimento da Igreja Católica, uma ampola de sangue de João Paulo II e um pedaço de pele de João XXIII extraída durante a sua exumação no ano 2000, foram colocadas junto ao altar. Seria mesmo necessário passarem os cadáveres de João XXIII e de João Paulo II por este gesto, que noutros ambientes seria manipulação e profanação de cadáveres? – Neste aspecto, falta-me muito para chegar a perceber que a fé e o caminho para Deus precisam mesmo destes gestos mediáveis e absurdamente necrófilos.
Mas, é assim a vida... Não se pode ter tudo. 

sábado, 26 de abril de 2014

Esperança

Com votos de um fim de semana feliz... Domingo de Pascoela, Divina Misericórdia e vistas pascais. Muitas invocações para que tudo corra bem.
Uma forma de vida deslizava neste sopro
Antes das nuvens dizerem da justiça
Pois os homens fizeram uma rua que corta o vento
Na incontável visão que desvelo na linha do tempo
E entro nessa certeza porque vejo o sinal maior
Do círculo no rosto da despedida.
Agora chegamos ao calor da festa que esta memória
Ditou quando sei do pensamento que me deram os deuses
No banquete formal no canto da amizade
Que os olhos viram à porta destes dias que fujo
Onde a distância faz presença da ânsia do fim.
E chega... Porque me fico em pensamento
Até que o pano corte a voz presente
Desse desejo imenso que a mão segura como futuro.
Já te digo não calo o sentimento
Cuja terra acolheu como semente pujante
Na fertilidade da esperança.
José Luís Rodrigues 

Quando se faz de conta estraga-se sempre

Não fossem algumas brincadeiras carnavalescas ligadas ao poder político da Madeira as comemorações dos 40 anos do 25 de abril entre nós teriam sido excelentes...
Porém, apesar de tudo ainda, estamos perante bons auspícios para o futuro. A celebração da liberdade, que se deseja com responsabilidade na promoção da justiça e do bem comum, vencerá sempre. Estou seguro disso e a comemoração do quadragésimo aniversário do 25 de abril, revelou precisamente que a nossa terra entrará no caminho que nos inspira esta data crucial para o futuro do nosso país e da nossa região.  O 25 de abril é de todos e todos são chamados a construir o ideal que os bravos revolucionários de abril acenderam no coração do povo português. Pensamento e trabalho para que esta causa não morra e os faz-de-conta que teimam em lançar poeira para os olhos, deixem de ser os protagonistas da história. Deve ser este o propósito de todos os que acolhem com verdade os ideias que o 25 de abril semeou.  

João XXIII, o Papa mais engraçado da história

Muito interessante...
Histórias de Angelo Roncalli que mostram sua profunda humildade e humanidade
João XXIII não só passa à história como um Papa santo e o pai do Concílio Vaticano II. Ele foi provavelmente o Papa mais engraçado da história. Um humor que nascia da simplicidade que transbordava de sua humildade e íntima relação com Deus.
Ele demonstrou isso desde o momento de sua eleição como Papa, na sala que se encontra junto à Capela Sistina. Após ter aceitado ser Papa, segundo prevê a tradição, ele se retirou para colocar as vestes brancas do bispo de Roma.
Surgiu então o problema. Nenhuma das três batinas previamente preparadas servia para ele. Os encarregados ficaram embaraçados, e o novo Papa disse sorrindo: “está claro que os alfaiates não me queriam como Papa”. 
Virou costume João XXIII concluir seus encontros com os peregrinos com a frase: “voltem, voltem, pois infelizmente estamos sempre aqui”.
Em uma ocasião, recebeu um bispo italiano em uma audiência que durou mais do que o previsto. Então seu secretário, mons. Loris Capovilla (nomeado cardeal por Francisco), foi lhe recordar que ainda havia uma longa lista de audiências.
João XXIII comentou então com o bispo: “às vezes não sei se o Papa sou eu ou se é ele”.
É famosa sua resposta a alguém que lhe perguntou quantas pessoas trabalhavam no Vaticano. Com naturalidade, respondeu: “mais ou menos a metade”. 
Uma vez o “Papa bom” saiu do Vaticano sozinho para ir ao Hospital Espírito Santo visitar discretamente um amigo padre que estava internado.
Ao bater a porta, surgiu a madre superiora que, emocionadíssima, disse: “Santo Padre, sou a superiora do Espírito Santo”. O Papa lhe respondeu: “Que grande carreira fez a senhora, madre!”
Ele costumava confidenciar com seus colaboradores: “com frequência acordo à noite e começo a pensar em uma série de problemas graves e então decido que tenho de falar sobre eles com o Papa. Depois, acordo completamente e me lembro que eu mesmo sou o Papa!”
Com frequência, dizia: “todo mundo pode ser Papa. A prova é que eu sou”. 
João XXIII foi o primeiro Papa do século XX que, em certas ocasiões, com discrição, abandonou os muros do Vaticano para visitar pessoas necessitadas. Os romanos, com senso de humor, chamavam-no de São João Extramuros, em referência à famosa basílica de São Paulo Extramuros (ou São Paulo Fora dos Muros). 
Jesús Colina, in ALETEIA.ORG

sexta-feira, 25 de abril de 2014

O 25 de abril e a Igreja Católica

O tema a Igreja Católica e o 25 de abril sempre tem provocado em mim alguma reflexão e falta fazer um estudo profundo sobre esta realidade. O que aprendeu a Igreja Católica com a viragem suscitada pelo acontecimento «Revolução de abril»? Será que a Igreja Católica soube verdadeiramente fazer a reciclagem? Será que a Igreja aprendeu de verdade o que é a Democracia e se soube vivê-la no seu interior? Será que a Igreja Católica soube penitenciar-se pela responsabilidade que teve também na durabilidade do anterior regime? Será que soube assumir e reclamar pelos direitos e oportunidades que o novo regime, a Democracia, contempla para todos os cidadãos? - Estas entre tantas outras questões que legitimamente podem ser colocadas. 
A Igreja é sempre uma instituição complexa e em todos os regimes políticos tem a sua expressão. Obviamente, não podemos afirmar que toda a Igreja estava com o anterior regime, são muito conhecidas as vozes do interior da Igreja que se destacaram contra o rumo da história e muitas delas foram determinantes quanto à mudança que se efectuou.
Mas falta realmente saber o que aprendeu a Igreja com a Revolução dos Cravos. Até então tínhamos uma Igreja influente e cheia de poder sobre a sociedade. A catequese estava toda ela voltada para o domínio das pessoas e a sua subjugação. A pobreza miserável e ignorância eram era objecto de pregação como virtudes. Mais ainda a pregação do medo e a favor do medo era uma constante. Muitos ainda se lembram do terror de algumas pregações que apresentavam o inferno como um caminho irremediável para todos os pecadores. A noção de pecado estava assente num escrúpulo doentio. O céu era um prémio para os santos extraterrestres e assexuados. A misericórdia de Deus não existia. A condenação eterna era o fim inevitável para muitas almas.
Este discurso e esta catequese estavam bem vivos no interior da Igreja. Fazia parte de um modo de ser Igreja e de estar integrada num sistema dominador e opressivo. A Igreja Católica actual deve ter a humildade suficiente para assumir este facto e penitenciar-se.
Porém, a realidade mudou. A viragem política trouxe os ideais da autonomia das vontades e assenta na liberdade. Por isso, a Igreja teve que adaptar e mudar o seu discurso. No entanto, parece-nos que este caminho ainda não está totalmente feito e olhando um pouco a história da Igreja, estamos em crer, que para alcançar esta meta muitos anos e muitas gerações ainda terão que passar para que a Igreja dê o verdadeiro salto. As mudanças na Igreja são lentas. Mas também, segundo reza a história, inevitáveis. O Papa Francisco tem dado dicas importantes que se forem tomadas a sério a viragem pode ser dada com firmeza. Assim sonhamos e esperamos. 

quinta-feira, 24 de abril de 2014

Felizes os que acreditam sem terem visto

Cometário à missa do próximo domingo, II da Páscoa e Divina Misericórdia
27 abril de 2014
Não é nada fácil acreditar sem ver. Todos nós temos experiências quotidianas que marcam profundamente essa realidade. Não gostamos de receber ou comprar a coisa mais insignificante sem primeiro vermos bem o que nos vai chegar às mãos.
Porém, Jesus garante-nos que a Sua ressurreição está sempre acontecendo. E serão muito felizes todos aqueles que acreditarem sem terem visto concretamente a pessoa de Jesus. Quer isto dizer que a ressurreição, é uma realidade profundamente espiritual que acontece no fundo da existência de cada pessoa que acredita de verdade para que a vida seja em Abundância para si e para os outros. Nenhum argumento prova de verdade que a ressurreição aconteceu nem importa provar a ninguém que tal acontecimento é um facto da história. O mais importante de tudo é que cada pessoa seja capaz de acolher com sinceridade na sua vida pessoal esta proposta de esperança que Jesus nos oferece para que nos livremos do desespero e da infelicidade.
A ressurreição mostra-nos claramente que a vida venceu a morte e que com esse acontecimento inaugura-se o tempo escatológico da acção do Espírito Santo. A era do Espírito começa com as palavras de Jesus ressuscitado, atestando que sem a acção transformadora do Espírito Santo nada será possível realizar. Estamos diante da realização da promessa de Jesus: “Não vos deixarei abandonados, vou enviar-vos o Espírito...” (várias vezes pronunciou esta ou outras frases semelhantes nos Evangelhos).
Neste domingo também estamos diante do mais que curioso episódio de Tomé, um dos doze, que não estava presente por ocasião das primeiras aparições de Jesus. Claramente nega tal facto e à maneira tipicamente humana, assegura que não acreditará sem ver e sem tocar no lugar dos cravos.
A expressão: «Vimos o Senhor», leva-nos a imaginar que deveria ser muita a alegria que transparecia nos rostos dos Discípulos que corriam ao encontro de Tomé para dar-lhe essa grande notícia. Não é que Tomé, um homem prudente, se mostra incrédulo e joga bem alto! Mas querem enganar quem! «Não acredito sem ver e tocar!» – dirá profundamente seguro de si mesmo. Porém, logo depois também afirmará com grande convicção: «Meu Senhor e meu Deus». A fé em Cristo ressuscitado, é o outro nome da felicidade, porque é a possibilidade última para o único sentido da vida que salva, a eternidade.
Domingo da Divina Misericórdia
A Devoção à Divina Misericórdia é de origem polonesa, cuja divulgação se deve a Santa Faustina, considerada uma grande mística pela Igreja Católica, e que teria recebido instruções do próprio Cristo, através de aparições, para que a mesma divulgasse a Sua Misericórdia Divina. O processo de beatificação desta Santa iniciou-se por iniciativa do então Cardeal Arcebispo de Cracóvia, Karol Wojtila, e posteriormente foi canonizada pelo mesmo bispo, já quando era o Papa João Paulo II.
Segundo os católicos, Jesus Cristo não apenas ensinou a Irmã Faustina os pontos fundamentais da confiança e da misericórdia para com os outros, mas também revelou maneiras especiais para vivenciar a resposta à Sua misericórdia. A isto chama-se de devoção à Divina Misericórdia. A palavra "devoção" significa o cumprimento das nossas promessas. É uma entrega da vida ao Senhor, que é a própria Misericórdia. A compaixão e o amor aos outros como forma de conduta de vida, faz o cristão, que deve dar beleza ao nosso com tais valores, especialmente, na sua atenção aos mais fracos da sociedade. A Misericórdia só se percebe na atenção de cada um ao outro.

Papa Francisco protegido pela sua popularidade

«Devemos estar preparados para enfrentar a oposição não só da velha Cúria, mas também de alguns que não querem perder os seus privilégios» - Disse o Cardeal Rodriguez Maradiaga, coordenador do Conselho de Cardeais ( o G-8 da Igreja Católica) encarregue pelo Papa Francisco para elaborar um projecto de reforma da Cúria do Vaticano.
Neste sentido, desabafa o cardeal, que «esta belíssima, mas estranha popularidade do Papa está sendo prolífica», obviamente que sim, mas quem sabe se a «estranha popularidade» do Papa Francisco não esteja a ser a sua melhor aliada e proteção naquele ambiente da Cúria do Vaticano onde a «santidade» parece ser apenas aparente? – Ainda bem que a popularidade do Papa está a ser assim tão bela e estranha, fértil e fecunda, mas para que também o proteja da «vontadinha» que deve existir nos corações daquele enorme rebanho de «saias purpuradas» que o Vaticano alberga…
Assim é que devemos registar a seguinte frase do Cardial Maradiaga: «Que pretende este pequeno argentino?, ou a frase de um reconhecido cardeal, ‘Cometemos um erro’, estão começando a sentir-se expressões deste teor» - Disse. 

quarta-feira, 23 de abril de 2014

A canonização de dois Papas

No dia 27 de abril de  2014 serão beatificados dois Papas, João XXIII e João Paulo II... Deixo aqui alguns dizeres de ambos...  
Não descurando o que ambos foram e fizeram pela Igreja Católica, pela humanidade e pelo mundo, sinto alguma pena que o Papa João Paulo II seja tão rápido canonizado, considerado Santo ao mesmo tempo e na mesma cerimónia que o grande Papa João XXIII, que a meu ver é o homem mais importante do séc. XX.
Ao pontificado de João Paulo II há uma série de vítimas, condenadas ao silêncio e à ostracização só porque ousaram pensar e apresentar o Evangelho diferente daquilo que a teologia oficial proponha pela dura mão do Cardeal Ratzinger.
Agora vá lá que contássemos com a barbárie dos escândalos sobre pedofilia na Igreja Católica abafados exaustivamente pela política do Vaticano sob as mãos poderosas de João Paulo II e Joseph Ratzinger... 
Mas, o povo gosta de santos e de santinhos. Adiante e tratemos dos muitos «santos vivos» desta vida e deste mundo, que precisam de pão, de emprego e de oportunidades para se realizarem como homens e mulheres nesta vida. Quanto aos que já partiram deixemo-los em paz e que se encarregue Deus do que foram e do que são neste momento.
Não nego a heroicidade de João Paulo II, admiro a sua resistência, manifesta nas grandes e muitas viagens, a subida do calvário à vista de todos que foi a sua doença, a sua enorme fé e todos os ensinamentos que manifestou na enorme produção de textos, hoje pouco estudados e lembrados. Mas, se em tudo não há bela sem senão, porque, não o teremos aqui? - Repugna-me quando na Igreja tem que ser tudo imaculado, hipocritamente defendido como tal, quando na realidade, desfeita a auréola se desvendam as piores manchas. 
Quando a Igreja teima em enredar-se no «comércio» dos santinhos e em todos os adereços que isto implica, acho que perde muito a humanidade, mesmo que alguns cofres se encham com o vil metal. Que me perdoem os devotos desta «evangelização», mas custa-me, sinceramente, não pensar desta forma e não partilhar o que penso com os meus leitores quanto a este assunto.
Mais ainda, se tenho sido crítico com outros beatos e santos que de quando em vez a Igreja vai falando, também o sou agora e pouco embarco nesta forma de evangelizar, porque, afinal, continuamos a viver de temporadas, sob o efeito das modas e não passamos disto. Agora é a canonização destes Papas, para o ano serão outros ou outra coisinha relacionada, assim eternamente, sem que mudanças de monta na vida da Igreja e deste mundo se façam para a promoção da justiça e do bem comum. Já começa a fartar.
Papa João XXIII (1881-1963)
 

Biografia: O Beato Papa João XXIII, OFS, nascido Angelo Giuseppe Roncalli a 25 novembro de 1881, foi Papa e líder mundial da Igreja Católica Apostólica Romana e Soberano da Cidade do Vaticano de 28 de outubro de 1958 até à data da sua morte. Pertencia à Ordem Franciscana Secular e escolheu como lema papal: Obediência e Paz.
João XXIII, ainda no período da convocação do Concílio, em 16 de abril de 1959, ele se dirigia aos franciscanos dizendo que era preciso: “determinar e distinguir o que constitui princípio sagrado e Evangelho eterno e o que não passa de volubilidade dos tempos”.
Frases significativas:
- «A Igreja Católica não é um museu de arqueologia. Ela é como a antiga fonte do vilarejo que dá água às gerações do hoje, como a deu àquelas do passado».
- «Haja unidade nas coisas essenciais, liberdade nas coisas acidentais e caridade em todas as coisas».
- «O aspecto mais sinistramente típico da época moderna consiste na tentativa absurda de se querer construir uma ordem temporal sólida e fecunda, prescindindo de Deus, fundamento único sobre o qual poderá subsistir; e querer proclamar a grandeza do homem, secando a fonte donde ela brota e se alimenta».
- «O homem, separado de Deus, torna-se desumano consigo mesmo e com os seus semelhantes, porque as relações bem ordenadas entre homens pressupõem relações bem ordenadas da consciência pessoal com Deus, fonte de verdade, de justiça e de amor».
João Paulo II (18 de Maio de 1920-2 de Abril de 2005 (84 anos)
 
Biografia: Beato Papa João Paulo II foi o papa e líder mundial da Igreja Católica Apostólica Romana e Soberano da Cidade do Vaticano de 16 de Outubro de 1978 até a sua morte. Teve o terceiro maior pontificado documentado da história; depois dos papas São Pedro, que reinou trinta e quatro anos, e Papa Pio IX, que reinou por trinta e um anos.
Frases significativas:
- «Vocês são padres, não líderes políticos ou sociais. Não vamos ter a ilusão de que estamos servindo ao Evangelho por causa de um interesse exagerado no amplo campo de problemas terrenos» (1981, discursando para o clero nas Filipinas).
Frase polémica: - «O ensinamento de que a ordenação sacerdotal é reservada só aos homens foi preservado pela constante e universal tradição da Igreja e firmemente ensinado pelo magistério. Em virtude de meu ministério de confirmar irmãos e irmãs, eu declaro que a Igreja não tem autoridade alguma para conferir ordenação sacerdotal a mulheres e que este julgamento será acatado definitivamente por todos os fiéis da Igreja» (1994, carta apostólica aos bispos da Igreja Católica).

terça-feira, 22 de abril de 2014

«Temos Governos que são máquinas de fazer pobres»

Entrevista que amavelmente me pediu o Tribuna da Madeira para a edição da Páscoa 2014. Obrigado pela vossa atenção... Quem não tenha tido acesso pode fazê-lo por AQUI

Escrevi em 2005 esta ideia que vejo hoje confirmada no Papa Francisco

Sem qualquer sombra de vaidade pessoal... Já vi esta minha convicção realizada e pelo que vejo maior sucesso não poderia ter. Dedico, este meu pensamento ao Papa Francisco que inaugurou na Igreja Católica um tempo novo sobre a proximidade e a ternura de Deus... Grande (revolução) lição para a Europa.
«Estou convencido que o próximo Papa devia vir do mundo pobre, não ocidentalizado, por exemplo, América Latina ou África, para mostrar que a Igreja não é uma força dominadora que representa o Ocidente, mas é universal e que não pode ser reduzida à Europa, está aberta a todo o mundo. No fundo para fazer jus ao sentido da expressão «católica». Sou levado a pensar tudo isto, tendo em conta a influência que teve a eleição de um Papa do Leste para a queda do Muro de Berlim, para a desagregação da chamada Cortina de Ferro e queda dos regimes totalitários comunistas de Leste. A ver a assim a história, esta seria a hora de abrir a Igreja ao mundo subdesenvolvido e mostrar o quanto é católica (universal) a Igreja Católica».

segunda-feira, 21 de abril de 2014

A lenda da última Ceia de Leonardo Da Vinci

A Ultima Ceia - Leonardo da Vinci (1495-1497)
Diz uma lenda referente à pintura da Ceia, ou «Última Ceia de Jesus com seus Apóstolos»: Ao conceber este quadro, Leonardo Da Vinci deparou-se com uma grande dificuldade, precisava pintar o BEM na imagem de JESUS, e o MAL na figura de JUDAS, o amigo que resolvera traí-lo durante o jantar.
Interrompeu o trabalho no meio, até que conseguisse encontrar os modelos ideais. Certo dia, enquanto assistia a uma seção de música coral, viu num dos rapazes a imagem perfeita de Cristo. Convidou-o para o seu atelier e reproduziu os seus traços, estudos e esboços. Passaram-se três anos.
A «Última Ceia» estava quase pronta, mas Da Vinci ainda não tinha encontrado o modelo ideal de Judas.
O cardeal, responsável pela igreja, começou a pressioná-lo, exigindo que terminasse o mural. Depois de muitos dias procurando, o pintor finalmente encontrou um jovem prematuramente envelhecido, bêbado, esfarrapado, atirado na sargeta. Imediatamente, pediu aos seus assistentes que o levassem até a igreja.
Da Vinci copiava as linhas da impiedade, do pecado, do egoísmo, tão bem delineadas na face do mendigo, que mal conseguia parar em pé. Quando terminou, o jovem já um pouco refeito da bebedeira, abriu os olhos e notou a pintura à sua frente. E disse, numa mistura de espanto e tristeza:
- Eu já vi este quadro antes!
- Quando? Perguntou, surpreso, Da Vinci.
Há três anos atrás, antes de eu perder tudo o que tinha, numa altura em que eu cantava num coro, tinha uma vida cheia de sonhos e o artista convidou-me para posar como modelo para fazer a face de Jesus!
«O Bem e o Mal têm a mesma face; tudo depende apenas da época em que cruzam o caminho de cada ser humano».
Continuação de uma Boa Páscoa! – Sim, Boa Páscoa porque a Páscoa cristã soma 50 dias até ao Pentecostes. 

sábado, 19 de abril de 2014

Ressurreição

Cristo ressuscitou. Aleluia. Aleluia.
Unidos no mesmo gosto pela magnífica beleza do anúncio da vida que Jesus Ressuscitado nos dá pela Accão do Espírito Santo, saúdo-vos todos com amizade e desejo invocar a bênção sobre os vossos corações. Boa e Feliz Páscoa.

I
Das entranhas do túmulo brotou a vida
Do corpo feito semente lançado no chão
Mas daí brilhou uma luz em glória
Feita promessa ousada há muito tempo
Na terra fértil com o adubo da esperança
- E sem medo do escuro da morte
Deus fez germinar rebentos de eternidade.

II
Agora está no mundo e nem sempre O acolhemos
Veio ao encontro de todos sem excepção
Procura o interior do coração e o lar
Onde a sua paz e o seu sentido sentam à mesa
Todos os ingredientes da vida e do amor.
José Luís Rodrigues

Os privilegiados da austeridade

Porque é Páscoa e Páscoa é Vida Nova. Porque precisamos de apontar o que está mais que putrefacto para que desse túmulo nauseabundo a vida aconteça na base da justiça e da igualdade de oportunidades para todos. Reparem bem...
A austeridade é para o povo, os privilégios e as excepções são para quem faz as leis. - Que crédito nos merecem este bando que chamado de políticos?

sexta-feira, 18 de abril de 2014

A única arte do mundo

Sexta Feira Santa
"É melhor ser alegre do que ser triste, a alegria é a melhor coisa que existe"
Vinicius de Moraes.


O canto retine nas paredes solenes do templo
Ante o assombro da virgem e dos santos
Mais o discreto sorriso dos anjos solitários
Que o fado ecoa na oração da voz de Deus.

No centro do mistério diz presente o sacrário
Onde se guarda a divindade do amor redentor
Quando passa o timbre da esperança em fé
Ou são os sons da penumbra da vertigem.
Na leveza insustentável do ser supremo
Que esta vida me desvela para sempre
Naquele momento em que dizem reza
Está como diálogo uma amizade sem nome.
Mas com todo o tempo para o sentido que busco
Nesta dádiva da paz que me serviram no manancial
Em cada liturgia da amizade que se aprende
Na relação com Deus e com os outros.

E mais não viram senão beleza
As colunas talhadas do trabalho
Suado na ponta do machado vertiginoso e cortante.
Na oficina da labuta da paciência enorme
Dos mestres bafejados com a sorte do dom
E com a arte de cortar a lenha que veio da encosta.
Onde se aconchegam as sementes prometidas
Às árvores e nós que saboreamos agora nesta visão
O que resulta dessa eterna simbiose do amor criação.

Eis para sempre o que é a única arte: viver!

quinta-feira, 17 de abril de 2014

Quinta feira Santa da Ceia

Para nos ajudar a celebrar o Banquete da grande amizade de Deus por nós...
Faz-se carne o Verbo de Deus um dia
Nunca deixando de ser divino
E lançando a semente do Evangelho
Chega até nós a fraternidade na Eucaristia.

O pão molhado dado ao discípulo
Fez a traição da entrega ao poder do mundo
O Salvador que antes de ser vítima fez-se amigo
E para todos terá dito em cortante serenidade:
Sou pão vivo descido do céu.

Para o tempo fica um corpo em alimento
Mais o Sangue bebida da seiva da vida
Que se tomada em cálice de amor aprecia
Vive para sempre a humanidade que se renova
Quando deste pão e deste vinho se sacia.

In illo tempore nasceu o nosso companheiro
Nesta Ceia no Pão faz-se banquete
Na morte jaz como preço elevado do resgate
Mas em glória é oferta solene da plenitude.

Agora temos a hóstia que sacia em felicidade
Mistério que desvela à fé a eternidade
Ah! Ainda são tenebrosos os gritos da dor
Que os inimigos da vida infligem injustamente
Porém, na Missa o Santo Sacrifício salva sempre.

Ao Deus que é Um revelado em Trindade
Dêmos graças e louvores solenes em todo o dia
A todos derrame bênçãos e graças de Vida eterna
Para que os caminhos se façam vividos na alegria
E que não falte o sentido da redenção que vença
O sofrimento e a morte que no mundo ainda aconteça.
José Luís Rodrigues

quarta-feira, 16 de abril de 2014

A Páscoa Cristã é uma celebração de três dias

Breve explicação sobre os próximos dias que assinalam a celebração da Páscoa Cristã...
 TRÍDUO PASCAL
O tempo quaresmal continua até Quinta-Feira Santa.  A partir da Missa vespertina da Ceia do Senhor começa o Tríduo pascal, que abrange a Sexta-Feira da Paixão do Senhor e o  Sábado Santo, tem o seu centro na Vigília Pascal e conclui-se com as Vésperas do Domingo da Ressurreição. Nele se torna presente e se realiza o mistério da Páscoa, isto é, a passagem do Senhor deste mundo para o Pai. Com a celebração deste mistério, a Igreja, por meio dos sinais litúrgicos e sacramentais, associa-se em íntima comunhão com Cristo.
Missa da Ceia do Senhor
Nesta Missa a Igreja propõe-se comemorar aquela última Ceia, na qual o Senhor Jesus na noite em que ia ser entregue, tendo amado até ao fim os seus que estavam no mundo, ofereceu a Deus Pai o seu Corpo e Sangue sob as espécies do pão e do vinho, os entregou aos Apóstolos para que os tomassem, e lhes mandou, a eles e aos seus sucessores no sacerdócio, que os oferecessem também. Toda a atenção da alma deve estar orientada para os mistérios que sobretudo nesta Missa são recordados, a saber, a instituição da Eucaristia, a instituição da Ordem sacerdotal e o mandamento do Senhor sobre s caridade fraterna.
Sexta-feira da Paixão do Senhor
Neste dia em "Cristo, nosso Cordeiro pascal, foi imolado", a Igreja, meditando a Paixão do seu Senhor e adorando a Cruz, comemora o seu nascimento do  lado de Cristo e intercede pela salvação do  mundo inteiro.
Sábado Santo
No Sábado Santo a Igreja permanece  junto ao sepulcro do Senhor, meditando na sua Paixão e Morte, e na sua descida à mansão dos mortos, e esperando na oração e no jejum a sua Ressurreição.
Vigília Pascal. Noite Santa
Segundo uma antiquíssima tradição, esta noite deve ser comemorada em honra ado Senhor, e a Vigília que nela se  celebra, em memória da noite santa em que Cristo ressuscitou, deve considerar-se a "mãe de todas as vigílias", pois nela a Igreja se mantém de vigília ª espera da ressurreição do Senhor e a celebra com os sacramentos da iniciação. Desde o início a Igreja celebrou a Páscoa anual, solenidade das solenidades, principalmente com uma vigília nocturna. Com efeito, a Ressurreição de Cristo é o fundamento da nossa fé e da nossa esperança, e, por meio do Baptismo e da Confirmação, fomos inseridos no mistério pascal de Cristo: mortos, sepultados e ressuscitados com Ele, com Ele também havemos de reinar. Esta Vigília é também expectativa da vinda do Senhor.

terça-feira, 15 de abril de 2014

A memória na experiência humana

Jornalista Fátima Campos Ferreira.
O tema desta semana foi sobre a Memória. Muito bem escolhido. 
Uma reflexão muito pertinente. Vi o programa e por isso subscrevo este texto de João J. Vila-Chã...

O «Prós & Contras» desta noite foi dedicado ao tema da Memória. Vi nele serem ditas coisas muito interessantes, válidas e, de facto, úteis também. Lamento, porém, não ter visto algo mais sobre a «memória da Memória», ou melhor, sobre o próprio sentido que a memória tem no âmbito da nossa experiência humana mais global. Para os cristãos, e portanto para todas as Igrejas, a Semana Santa, por definição, pode ser encarada como a Semana da Memória. Falar da Memória implica, certamente, tratar da sua dimensão neuro-psicológica e afectiva, literária e política. Mas não nos deveríamos esquecer igualmente da dimensão filosófica e teológica do problema. Nesta Semana, ou nas próximas, mais de dois biliões de seres humanos são chamados a fazer um extraordinário exercício de memória, convidados a recordar de uma forma espiritualmente viva, e ritual, a memória de um Drama que, entre todos, não tem igual. Refiro-me, claro, ao Drama que foi, e é, o da Paixão e Morte de Jesus Cristo; ou seja, refiro-me à Anamnese da nossa própria salvação. Nesse sentido, sou de opinião que não há discurso sobre a Memória que fique completo até que de um tal discurso faça parte a acção ritual em que se expressa a dimensão religiosa da experiência humana. A temática do último «Prós e Contras» foi, pelo seu enorme interesse e relevância, muito bem escolhida. Mal-grado ter sentido a falta de elementos que reputo de fundamental importância para uma abordagem complexiva do problema, não deixo de felicitar a Jornalista Fátima Campos Ferreira e as pessoas que ao Programa foram como convidadas. Mas lamento, para além da excessiva duração desta particular edição do programa, a falta de uma voz, a ser escolhida, certamente, entre os filósofos e os teólogos que ainda há em Portugal, que a este «Prós & Contras» pudesse ter sido capaz de expressar, e com isso ajudar a compreender, aquela dimensão que a todo e qualquer discurso humano, mas especialmente ao mediático, aporta um sentido mais autêntico de completude e, claro, de exigível complexidade. O «Prós & Contras» desta noite foi dedicado ao tema da Memória. Vi nele serem ditas coisas muito interessantes, válidas e, de facto, úteis também. Lamento, porém, não ter visto algo mais sobre a «memória da Memória», ou melhor, sobre o próprio sentido que a memória tem no âmbito da nossa experiência humana mais global. Para os cristãos, e portanto para todas as Igrejas, a Semana Santa, por definição, pode ser encarada como a Semana da Memória. Falar da Memória implica, certamente, tratar da sua dimensão neuro-psicológica e afectiva, literária e política. Mas não nos deveríamos esquecer igualmente da dimensão filosófica e teológica do problema. Nesta Semana, ou nas próximas, mais de dois biliões de seres humanos são chamados a fazer um extraordinário exercício de memória, convidados a recordar de uma forma espiritualmente viva, e ritual, a memória de um Drama que, entre todos, não tem igual. Refiro-me, claro, ao Drama que foi, e é, o da Paixão e Morte de Jesus Cristo; ou seja, refiro-me à Anamnese da nossa própria salvação. Nesse sentido, sou de opinião que não há discurso sobre a Memória que fique completo até que de um tal discurso faça parte a acção ritual em que se expressa a dimensão religiosa da experiência humana. A temática do último «Prós e Contras» foi, pelo seu enorme interesse e relevância, muito bem escolhida. Mal-grado ter sentido a falta de elementos que reputo de fundamental importância para uma abordagem complexiva do problema, não deixo de felicitar a Jornalista Fátima Campos Ferreira e as pessoas que ao Programa foram como convidadas. Mas lamento, para além da excessiva duração desta particular edição do programa, a falta de uma voz, a ser escolhida, certamente, entre os filósofos e os teólogos que ainda há em Portugal, que a este «Prós & Contras» pudesse ter sido capaz de expressar, e com isso ajudar a compreender, aquela dimensão que a todo e qualquer discurso humano, mas especialmente ao mediático, aporta um sentido mais autêntico de completude e, claro, de exigível complexidade. O «Prós & Contras» desta noite foi dedicado ao tema da Memória. Vi nele serem ditas coisas muito interessantes, válidas e, de facto, úteis também. Lamento, porém, não ter visto algo mais sobre a «memória da Memória», ou melhor, sobre o próprio sentido que a memória tem no âmbito da nossa experiência humana mais global. Para os cristãos, e portanto para todas as Igrejas, a Semana Santa, por definição, pode ser encarada como a Semana da Memória. Falar da Memória implica, certamente, tratar da sua dimensão neuro-psicológica e afectiva, literária e política. Mas não nos deveríamos esquecer igualmente da dimensão filosófica e teológica do problema. Nesta Semana, ou nas próximas, mais de dois biliões de seres humanos são chamados a fazer um extraordinário exercício de memória, convidados a recordar de uma forma espiritualmente viva, e ritual, a memória de um Drama que, entre todos, não tem igual. Refiro-me, claro, ao Drama que foi, e é, o da Paixão e Morte de Jesus Cristo; ou seja, refiro-me à Anamnese da nossa própria salvação. Nesse sentido, sou de opinião que não há discurso sobre a Memória que fique completo até que de um tal discurso faça parte a acção ritual em que se expressa a dimensão religiosa da experiência humana. A temática do último «Prós e Contras» foi, pelo seu enorme interesse e relevância, muito bem escolhida. Mal-grado ter sentido a falta de elementos que reputo de fundamental importância para uma abordagem complexiva do problema, não deixo de felicitar a Jornalista Fátima Campos Ferreira e as pessoas que ao Programa foram como convidadas. Mas lamento, para além da excessiva duração desta particular edição do programa, a falta de uma voz, a ser escolhida, certamente, entre os filósofos e os teólogos que ainda há em Portugal, que a este «Prós & Contras» pudesse ter sido capaz de expressar, e com isso ajudar a compreender, aquela dimensão que a todo e qualquer discurso humano, mas especialmente ao mediático, aporta um sentido mais autêntico de completude e, claro, de exigível complexidade. O «Prós & Contras» desta noite foi dedicado ao tema da Memória. Vi nele serem ditas coisas muito interessantes, válidas e, de facto, úteis também. Lamento, porém, não ter visto algo mais sobre a «memória da Memória», ou melhor, sobre o próprio sentido que a memória tem no âmbito da nossa experiência humana mais global. Para os cristãos, e portanto para todas as Igrejas, a Semana Santa, por definição, pode ser encarada como a Semana da Memória. Falar da Memória implica, certamente, tratar da sua dimensão neuro-psicológica e afectiva, literária e política. Mas não nos deveríamos esquecer igualmente da dimensão filosófica e teológica do problema. Nesta Semana, ou nas próximas, mais de dois biliões de seres humanos são chamados a fazer um extraordinário exercício de memória, convidados a recordar de uma forma espiritualmente viva, e ritual, a memória de um Drama que, entre todos, não tem igual. Refiro-me, claro, ao Drama que foi, e é, o da Paixão e Morte de Jesus Cristo; ou seja, refiro-me à Anamnese da nossa própria salvação. Nesse sentido, sou de opinião que não há discurso sobre a Memória que fique completo até que de um tal discurso faça parte a acção ritual em que se expressa a dimensão religiosa da experiência humana. A temática do último «Prós e Contras» foi, pelo seu enorme interesse e relevância, muito bem escolhida. Mal-grado ter sentido a falta de elementos que reputo de fundamental importância para uma abordagem complexiva do problema, não deixo de felicitar a Jornalista Fátima Campos Ferreira e as pessoas que ao Programa foram como convidadas. Mas lamento, para além da excessiva duração desta particular edição do programa, a falta de uma voz, a ser escolhida, certamente, entre os filósofos e os teólogos que ainda há em Portugal, que a este «Prós & Contras» pudesse ter sido capaz de expressar, e com isso ajudar a compreender, aquela dimensão que a todo e qualquer discurso humano, mas especialmente ao mediático, aporta um sentido mais autêntico de completude e, claro, de exigível complexidade. 

João J. Vila-Chã, in Ask a Jesuit (João J. Vila-Chã)

segunda-feira, 14 de abril de 2014

Quando os erros são úteis

É óbvio que é uma gralha. Mas é muito grave, logo por ser na primeira página. Revela desleixo acima de tudo e que para os lados do jornalismo oficial, o mais pretensamente «correcto» que se pratica em Portugal, não há revisão nenhuma. É o que dá convencer-se que se está incólume aos erros e que só quem erra são os outros. Mesmo assim, dado que o erro de primeira página aparece, esperemos que os «podres» se convertam tanto os de dentro tanto os de fora da Igreja Católica.

sábado, 12 de abril de 2014

Canto da luz do sol

Para o fim de semana. Sejam felizes!
Vai de alto a baixo um sorriso andante
Astro suave de um pensamento.
Nave eterna do mistério vivo
Entreaberto na penumbra do sentimento
Suavidade da luz brilhante desta vida
Sentida aqui e agora no abraço do teu olhar
Antes e depois daquele momento que a tua voz ergueu.

Nestas palavras desejei aferir um nome
Uma pessoa que se desvela
No escorrer deste tempo presente.
É este o embalo do ter conhecido o tempo e a hora.
Naquele momento que nós quisemos.
Porém veio o sol e fez dia na paz que verte no campo
E o eterno da luz em nome da fé das folhas secas
Diz-me tudo no chão que passo neste agora seguro da vida.

sexta-feira, 11 de abril de 2014

A ditadura do pensamento único

«A ditadura do pensamento único mata a liberdade dos povos e das consciências» – isto foi o principal da mensagem do Papa Francisco na Missa desta quinta-feira (9-42014) na Capela da Casa de Santa Marta. 
Uma ideia muito interessante, muito actual e que se aplica a todos os lugares da vida deste mundo, mas principalmente, no nosso país e na nossa região. Mas, a nossa igreja também não sai limpa desta constatação. Por isso, reparemos na forma como o Papa faz a denúncia: «E quando na história da humanidade vem este fenómeno do pensamento único, quantas desgraças. No século passado nós vimos todas as ditaduras do pensamento único que acabaram por matar tanta gente... “Hoje deve-se pensar assim e se tu não pensas assim, não és moderno, não és aberto ao diálogo ou pior ainda”. Tantas vezes dizem alguns governantes: ‘eu peço uma ajuda financeira’; ‘mas se tu queres uma ajuda tens que pensar assim e deves fazer esta lei e outra ainda... Também hoje existe a ditadura do pensamento único e esta ditadura é a mesma desta gente: pega nas pedras para lapidar a liberdade dos povos, a liberdade da gente, a liberdade das consciências, a relação da gente com Deus. E hoje Jesus é crucificado outra vez» (Papa Francisco, 10 abril de 2014)... 
Magnifica e acutilante denúncia. Aplica-se em todos os lugares do poder. A Igreja em primeiro lugar, que também funciona com estas ideias bem presentes, quando faz as suas nomeações, quando concede títulos e cargos honoríficos, não o faz por mérito nem muito menos tendo em contas os perfis e a obediência ao serviço do Evangelho. Mas muitos são escolhidos porque pensam pouco ou porque não sabem o que é pensamento próprio e livre, os que dizem sempre ámen mesmo que estejamos diante de um erro colossal e prejudicial para a Igreja. 
O amiguismo vai fazendo o seu caminho e temos hoje muitos bispos e muita outra gente que está em determinadas funções que se vê a quilómetros de distância que não serve para aquilo que foi nomeado, mas chegaram lá porque se puseram a jeito e souberam escolher muito bem de quem deviam ser amigos. 
Esta lógica não é de maneira nenhuma a do Evangelho, mas doutrina pura e dura dos fariseus e dos doutores da lei, que Segundo o Papa Francisco essa gente errou porque retirou os mandamentos do coração de Deus. Eles pensam que tudo se resolve na observância dos mandamentos – sublinhou o Papa – mas estes não são uma lei fria porque nascem de uma relação de amor. Mas o coração está fechado para isto. O farisaismo: «É um pensamento fechado que não está aberto ao diálogo, à possibilidade de que haja uma outra coisa, à possibilidade de que Deus nos fale, nos diga como é o seu caminho, como fez com os profetas. Esta gente não tinha escutado os profetas e não escutava Jesus» (Papa Francisco, 10 abril de 2014).
Ora, esta lógica está por todo o lado e também se aplica à vida social e política. Os partidos políticos funcionam da mesma forma. Os governos fazem-no de forma descarada. Todos sabem de muitos exemplos. Não necessito de apontar nada em relação àquilo que se vai passando no nosso país e na nossa região que se desgovernou precisamente por causa desta desgraça. 
Por isso, no mito de Sófocles, na magnífica «Antígona», diz-se já e muito sobre a inquietação do Papa ao proclamar no ponto alto do diálogo o seguinte quando fala Hémon, um dos personagens da Antígona que diz alto e bom som: «Quem julga que é o único que pensa bem, ou que tem uma língua ou um espírito como mais ninguém, esse, quando posto a nu, vê-se que é oco».

quinta-feira, 10 de abril de 2014

A lógica deste mundo continua a fazer vítimas inocentes

Domingo de Ramos, 13 de abril de 2014          
O Domingo de Ramos abre a Semana Santa. Relembramos e celebramos a entrada triunfal de Jesus Cristo em Jerusalém, poucos dias antes de sofrer a Paixão, Morte e Ressurreição. Este domingo é chamado assim porque o povo cortou ramos de árvores, ramagens e folhas de palmeiras para cobrir o chão onde Jesus passava montado num jumento. Com folhas de palmeiras nas mãos, o povo o aclamava «Rei dos Judeus», «Hossana ao Filho de David», «Salve o Messias»... E assim, Jesus entra triunfante em Jerusalém despertando nos sacerdotes e mestres da lei muita inveja, desconfiança, medo de perder o poder. Começa então uma trama para condenar Jesus à morte e morte de cruz.
O povo aclama-O cheio de alegria e esperança. Pois Jesus como o profeta de Nazaré da Galiléia, o Messias, o Libertador, certamente para eles, iria libertá-los da escravidão política e económica imposta cruelmente pelos romanos naquela época, e religiosa, que massacrava a todos com rigores excessivos e absurdos.
Mas, essa mesma multidão, poucos dias depois, manipulada pelas autoridades religiosas, O acusaria de impostor, de blasfemar, de falso messias... E incitada pelos sacerdotes e mestres da lei, a mesma multidão, exigiria de Pôncio Pilatos, governador romano da província, que o condenasse à morte. Por isso, na celebração do Domingo de Ramos, proclamamos dois Evangelhos, o primeiro, que narra a entrada festiva de Jesus em Jerusalém fortemente aclamado pelo povo e depois o Evangelho da Paixão de Jesus Cristo, onde são relatados os acontecimentos do julgamento de Cristo. Julgamento injusto com testemunhas compradas e com o firme propósito de condená-lo à morte. Eis, então, Jesus vítima da aristocracia do seu tempo, toda junta para O sanear.
Todas as vezes que qualquer pessoa humana é tramada na sua dignidade pela lógica do poder opressivo, vemos «outro Jesus» a ser banido ou violentado na sua dignidade. Que a memória de Jesus nos desperte para a luta contra todas as injustiças dos poderes loucos deste mundo que continuam a fazer vítimas em todo o lado.

quarta-feira, 9 de abril de 2014

Vencer o vazio do mundo cristão

Hoje não há um mundo cristão. Não existem sociedades cristãs. Mas um mundo onde há cristãos e sociedades multifacetadas onde estão também os cristãos.
Quatro etapas para vencer o mundo descristianizado:
Primeira, é compreender que, a realidade efectivamente mudou, que já não é possível proceder como antes. A Igreja não pode continuar a viver segundo o que era hábito, tem de inventar novas maneiras de estar, à imagem dos primeiros cristãos, que se viram obrigados a inventar tudo no meio de um mundo hostil.
Segunda, é admitir que, se algumas instâncias têm um verdadeiro projecto de desestabilização da Igreja, essas instâncias são velharias cheias de pó e sem futuro. Admitir que a sociedade não maquina nenhum complô contra a Igreja, o que procura, como qualquer sociedade, é o seu equilíbrio. Ela própria está comprometida numa evolução sociológica séria cujos contornos e cujo fim tem dificuldade em discernir, e procura, por vezes de forma desastrada, o seu equilíbrio espiritual.
Terceira, é aceitar que, o tempo que se vive é, de facto muito difícil e que isso é uma característica incontornável.
Quarta, é provar que, quanto este período pode ser rico se a sua instabilidade contribuir para que os cristãos se sintam livres na invenção de novas maneiras de ser fiéis. A hierarquia da Igreja deverá manifestar a sua confiança em relação aos fiéis, convidando-os a experimentarem, evitando olhá-los com desconfiança quando aparece uma iniciativa pouco habitual (entre nós, precisamos muito de progredir neste aspecto, a nossa terra enferma deste mal terrível, tudo o que seja diferente é logo rotulado ou então simplesmente olhado com desconfiança. Sofremos da mania do ataque, tudo o que seja ser diferente, tudo o que seja discordar é de imediato entendido como um ataque e como crítica destrutiva. Seria interessante contabilizar quantas pessoas a nossa Igreja tem como Persona non grata!...).
O imperativo evangélico deve ser totalmente seguido: que os dirigentes não cedam à tentação de eliminar sem mais o que julgam ser joio, «com o receio de que, arrancando o joio, não arranquem também o trigo» (Mt 13, 29). Todos na Igreja são chamados a confiar no Espírito Santo, na Sua acção, embora sempre secreta, mas viva e eficaz em todos os momentos da vida humana.