Convite a quem nos visita

segunda-feira, 30 de junho de 2014

Novo empregado do governo

Para descontrair porque a semana começa meia cambada...

Vale a pena tentar. Não paga imposto nenhum.

Governo contrata indiano que está há 70 anos sem comer nem beber para ensinar desempregados a alimentarem-se da luz solar.
Aos 80 anos, Prahlad Jani - Mataji - como é conhecido, sobreviveu os últimos 70 anos sem comer nem beber, praticando um tipo especial de ioga que, segundo o octogenário, utiliza o Sol como alimento. 
Soubemos que o ministério do trabalho já contratou este mestre da meditação para dar palestras a desempregados, e fala-se também em palestras para funcionários públicos, reformados e pensionistas 
Fonte do gabinete do ministro explicou: "todos sabem o momento de crise que atravessamos. Não há perspectivas de melhoria e temos que preparar as pessoas para sobreviverem com muito pouco". 
Portugal é um país com muitos dias de Sol, por ano. E se este homem conseguir ensinar os nossos desempregados a sobreviverem só com a luz solar, temos a solução para o nosso problema. 
Dentro de meses esperamos já deixar de pagar subsídios de desemprego. Vamos apenas distribuir espelhos para que os desempregados possam apanhar o dobro da luz solar.

sábado, 28 de junho de 2014

A vassoura

Para o fim de semana. Sejam felizes!
Aquela que agarrada às mãos decidida
Busca em todos os cantos a evidência da morte
E feita a ignóbil reunião em cisco se recolhe
Dela recebes a ordem: alegra-te e sorri
Vai começar o passeio limpo.

sexta-feira, 27 de junho de 2014

Penso, logo existo à luz de São Pedro e São Paulo

Comentário à missa deste domingo, Solenidade de São Pedro e São Paulo - 29 junho de 2014
Este é um princípio filosófico muito interessante e importante, proclamado pelo grande filósofo, Descartes. Porém, descobri um outro axioma que dá mais valor à nossa condição de cristãos. Para os cristãos a filosofia deve ser outra: «Vivo o amor, logo existo». Toma-se de todo o Evangelho de Cristo esta máxima que enforma o ser cristão não apenas com um sentimento nem com uma singela emoção, mas com razão e pensamento filosófico.
O nosso mundo precisa de pensamentos lógicos sobre a verdade da nossa religião, porque não basta reduzir a expressão religiosa a um sentimentalismo emotivo que pouco ou nada diz à humanidade pensante. Deus criou-nos com um coração, mas também nos deu um cérebro para pensar em todas as razões da nossa esperança cristã. E toda a fé que não duvida é fé morta se quisermos reafirmar o pensar de Miguel Unamuno.
Este Domingo, celebramos a solenidade de duas figuras proeminentes do cristianismo, São Pedro e São Paulo. São Pedro é uma figura mais conhecida nos meandros complexos da religiosidade popular, São Paulo mais esquecido por todos. Porém, um e outro são figuras nobres da religião cristã, porque nos mostram que seguir Jesus Cristo, não está reservado só para ignorantes ou iletrados.
Pedro revela a robustez da acção e a convicção da fé na pessoa de Jesus. Um discípulo, que se engana e que atraiçoa o Mestre, mas sabe reconsiderar e voltar à Missão com toda a coragem e força da fé.
Paulo, o homem das viagens missionárias. Logo que adere à fé em Jesus Cristo, faz da sua vida uma itinerância constante, à procura de existência para semear o amor da Palavra de Jesus Cristo. As suas cartas são o maior testemunho, sobre o quanto pode ser pensada a religião cristã.

quinta-feira, 26 de junho de 2014

Torneio de futsal dos padres realiza-se na Madeira

Já que se diz que «uma vez reverendo a barriga vai crescendo», então eis aqui uma boa forma de desbastar e descontrair dos afazeres pastorais… Tomara haver tanto entusiasmo para outras coisas onde os padres deviam estar também em jogo. Então que sirva o desporto para aprender a lição e ensaiar outras lutas que gritam pelo empenho do clero na denúncia da violação do bem comum e que aí no mundo sejam arautos da proclamação da justiça.
9ª Edição do Clericus Cup junta 110 sacerdotes no Funchal.
Já que "uma vez reverendo a barriga vai crescendo" então eis aqui uma boa forma de desbastar e descontrair dos afazeres pastorais.
Oito equipas de futsal formadas por padres disputam 'Clericus Cup' na Madeira.
A Madeira acolhe a partir de terça-feira a 'IX Clericus Cup', um campeonato nacional de futsal disputado por oito equipas formadas exclusivamente por padres.
No torneio estão inscritos 110 sacerdotes portugueses oriundos das várias dioceses do país. A 9.ª edição do Clericus Cup tem lugar na Madeira, por ocasião dos 500 anos da criação da Diocese do Funchal.
Na conferência de imprensa para a apresentação do programa deste evento desportivo decorreu esta manhã, no Paço Episcopal, onde foi também realizado o sorteio das oito equipas participantes, seguindo os regulamentos da FIFA.
O campeão nacional em título, a Diocese de Braga, partiu como cabeça-de-série no pote A. A Diocese do Funchal, enquanto elemento organizador, ficou no topo do pote B.
A super-favorita Braga, cidade dos arcebispos e colectividade onde alinha aquele que foi eleito no último ano o melhor jogador europeu de futsal entre os padres, vai defender o título medindo forças com Viana do Castelo, Viseu e Porto. Os madeirenses da Diocese do Funchal encontram Vila Real, Vicentinos e Lamego, na fase de grupos.
Os jogos têm início no dia 1 de Julho (na próxima terça-feira), às 10 horas no pavilhão dos Salesianos e às 10h30 no pavilhão dos Prazeres. No dia 2 de Julho, os jogos iniciam-se à mesma hora, sendo que às 15 horas têm lugar as meias-finais do 'Clericus Cup', no pavilhão dos Salesianos.
O dia 3 é o de todas as decisões. Às 10 horas disputam-se os jogos para a atribuição do 3.º e 4.ºlugares. A final está marcada para as 11 horas.
Publicado por Tânia Cova, 25 Junho de 2014

quarta-feira, 25 de junho de 2014

Lições de amor

Com calma, paciência, ternura, amor e sabedoria... Uma mãe consegue tudo de um filho.
Li há tempos esta bela história de amor, narrada por uma mãe com capacidade extraordinária para educar os seus filhos.
O seu terceiro filho tinha 4 anos de idade e chamava-se Luís Miguel.
Era muito terno, muito sensível, mas tinha desde pequenino o mau defeito de roer as unhas.
A mãe procurava convencê-lo a abandonar esse hábito. Usou até um verniz próprio para esse efeito mas esse péssimo hábito não desaparecia.
Quando faltavam dois meses para o aniversário natalício da mãe, os filhos perguntaram-lhe o que desejava que lhe oferecessem como prenda. A mãe quis aproveitar a oportunidade e disse ao Luís Miguel:
- Sabes o que quero que me ofereças? O pequeno olhou-a com um sorriso. A mãe disse então:
- desejava que me desses as tuas unhas, muito lindas, sem estarem roídas. Vou dar-te um beijinho em cada dedo e será a prenda mais bonita que receberei. O Luís abraçou a mãe, acenando a cabeça respondendo que sim.
A luta do pequeno e a sua perseverança foram admiráveis e exemplares. No dia do aniversário, Luís veio beijar a mãe e estendeu-lhe as mãozinhas, com os deditos esticados, com um sorriso luminoso de felicidade por ter cumprido o que prometera. E a mãe beijou embevecida a ponta de cada dedinho do miúdo e abraçou-o com um carinho imenso, compensador do esforço do filho e daquele gesto de amor. Aqueles que sabem amar, aqueles que sabem marcar todos os gestos de educação dos filhos com a força do amor, conseguem maravilhas para corrigir defeitos, para desenvolver valores e para alcançar que eles atinjam um patamar de felicidade, mesmo com grande sacrifício, e cheguem a ser homens ou mulheres de valor, talvez heróis ou santos.
Mário Salgueirinho

terça-feira, 24 de junho de 2014

A loucura humana não tem limites

"O futuro da Humanidade e da vida na Terra é muito incerto. Estamos em risco de nos destruirmos à conta da nossa cobiça e da nossa estupidez."( Stephen Hawking)
Enquanto as revistas e cadeias de TV falam da vida das celebridades, o Chefe da tribo dos “Kaya po” recebeu a pior notícia da sua vida: Dilma, a presidente do Brasil, deu a sua aprovação para a construção duma enorme central hidro-eléctrica (a terceira maior do mundo).
A barragem inundará cerca de 400 000 hectares de floresta. É a sentença de morte para todos os povos que vivem junto das margens do rio.
Mais de 400 000 Índios terão de encontrar novos lugares para viver.
A destruição do habitat natural, a deflorestação e o desaparecimento de muitas espécies são um facto!
Nós sabemos que uma imagem vale por mil palavras, e mostra o verdadeiro preço a pagar pela “qualidade de vida” dos nossos modos de vida “modernos”.
Já não há mais lugar no mundo em que vivemos lugar para aqueles que vivem de modo diferente, que tudo tem de ser nivelado, que cada um, em nome da mundialização, deve perder a sua identidade, a sua maneira de viver.
Recebido por mail…
Nota do autor do blog: Esta imagem indigna por demais. Para onde vai a humanidade com a sua ganância e loucura? – É preciso travar os loucos que desgovernam o mundo sem se importarem na com a nossa «casa comum» a «Mãe Terra», a nossa «Gaia». Então a aposta em outras fontes de energias não é possível, sem que se ponha em causa o habitat das pessoas e dos animais? – O Brasil era campeão na aplicação dessas energias, mas afinal, enveredou pelo caminho da loucura igual aos outros. Temos pena. Muita pena.

segunda-feira, 23 de junho de 2014

Pensamento sobre a sabedoria antiga

Hoje mesmo quero ter sobre a realidade o olhar de Jesus. Um olhar de que os campos estão maduros, as espigas douradas e faltam os ceifeiros ou os trabalhadores, que dos quais se lamentava Jesus serem poucos. E como são poucos neste nosso tempo, aqueles que não se comovem com a realidade, não têm uma palavra para dizer e muito menos haverá predisposição para lutar contra essa realidade ditatorial que nos consome os dias, a carne e os ossos. Mas é aquele olhar que me guia, esse olhar que vê, como diz São Paulo, que o mundo está grávido de Deus. Ou, inclusive já está à porta do parto em lugares e em pessoas onde ninguém esperava nada de nada. É isto que me dá esperança. Pois, como alguém também o disse sabiamente, pode faltar tudo, pão, água, casa, roupa, carro e tudo, a esperança é que não.
Invoco a «perfeita alegria» de São Francisco de Assis e de Francisco de Roma para acreditar ainda profundamente que o essencial para nós cristãos é estarmos cientes que quando todos nos aplaudem, alguma coisa não está bem. Por isso, faz impressão que o ser Igreja entre nós não sofra, não seja atacado porque falou, denunciou e esteve lá nas «periferias» que ninguém quer saber. Não sofre, porque não parece - espero que me engane - se incomodar com a tragédia do desemprego, que conduz à fome, à miséria de tanta gente que está à beira do caminho.
A mentira prevalece. A injustiça não tem nenhuma entidade que a combata. Por conseguinte sou também daqueles que defendem que desatar as iras da ditadura do mundo, não é garantia de que as coisas ficarão bem, mas é melhor do que os louvores, as palmas e palmadas nas costas, as condecorações e tantos salamaleques que atribuem os senhores do tempo aos senhores do templo.
Nada pode travar a ação misteriosa da vida que veio do lugar de Deus fazer habitação no mundo, mesmo que tudo invista contra essa radical sabedoria antiga.

sábado, 21 de junho de 2014

A praça

 Poesia para o fim de semana... Sejam felizes.
Diversos cheiros na praça
Vindos de todo o lado
Sonham nas mãos frias e murchas
Quando mergulham em água
Sob a abundância e a pressão.

O vácuo que canta é enorme
E aí as palavras são eco
Sem nexo e sem sentido
Mas fazem convites ao peixe
Na lembrança do gosto solene e antigo.

Neste passar vi o sorriso
A paz e o convívio confuso
Os olhares fazem amizade
E os gritos até parecem ofertas. 

sexta-feira, 20 de junho de 2014

Liberdade e sexualidade

Todos os problemas actuais de violência e de perversão sexual, têm uma origem comum, a família ou a ausência dela. Na maioria dos casos a origem radica no mau ambiente familiar, isto é, são provocados por filhos de pais alcoólicos ou de mães irresponsáveis que pura e simplesmente abandonaram os seus filhos. O divórcio é pai e mãe de muitos filhos.
Ambiente familiar onde predomina a demissão frequente dos pais, o divórcio, a palavra ensurdecedora e a pancada como únicos métodos de resolução de problemas e como as únicas formas de impor normalidade, só pode gerar gente insensível, violenta e perversa sexualmente.
A verdadeira educação para a liberdade e para a sexualidade integrada nunca pode ser transmitida por terceiros, mas sim pelos pais que devem ser os principais amigos dos filhos. Se os filhos não encontram abertura para o diálogo com os pais, procurarão fora de casa entre os companheiros, que é a pior forma para aprender tudo o que diz respeito à intimidade. Só a família pode realizar este trabalho essencial de educação.
Quando se fala de educação sexual nas escolas, penso que é uma boa medida e que pode ser um complemento daquilo que as crianças, os adolescentes e os jovens aprendem no seu ambiente familiar. Porém, dessa educação sexual é preciso desconfiar sempre, porque na maior parte dos casos reduz-se a pura informação sexual. E pelas notícias surgidas nos últimos tempos até os alunos estão cansados da educação sexual nas escolas. Ora, informação é fácil de se fazer e está aí à mão de todos, mas verdadeira educação, com referências positivas, só portas adentro e no segredo da intimidade, da afectividade e do amor. Quem melhor pode realizar isto verdadeiramente? – Só os pais...

quinta-feira, 19 de junho de 2014

Quando Deus é «comida»

Comentário à missa do Domingo do Corpo de Deus, 22 junho de 2014
De que falamos quando se diz Esse Corpo de Deus, que ao mesmo tempo é Corpo e não é também? – Confuso, mas é disso que se trata.
S. Paulo dirá que a sua realidade é da ordem do invisível (cf. Rom. 1, 20). Santo Tomás de Aquino ensinará que “não podemos saber o que são estas realidades espirituais” e citando Dionísio confirmará: “O raiar da luz divina ilumina-nos mas envolta numa multidão de santos véus... Delas sabemos que existem, e não o que são” (Expositio Super Librum Boetii de Trinitate). O Concílio Vaticano II também pronunciará que diante do Corpo de Deus, pelo Espírito Santo, caminhamos na fé, não na claridade” (Cons. Dogm. De Fide Catholica, cap. IV). A inteligência nada pode dizer sobre aquilo que à partida é por essência da ordem do indizível. Como vemos, as realidades de Deus e, acima de tudo, a que se refere a um Corpo, que à partida não se trata de corpo físico, mas de corpo espiritual, porque dele não temos outro conhecimento senão o da contradição? - Estamos perante Aquele que é e não é ao mesmo tempo. O Copo de Deus em cada Eucaristia, é a presença constante do amor de Deus que se manifesta na mais crua invisibilidade para saciar a alma inquieta no banquete mais «esquisito» que alguma vez a humanidade viveu. É como os mais altos sentimentos das nossas relações humanas, vivem-se sem serem tocados nem vistos. O nosso tempo também está marcado pela inquietação da procura da definição do indefinível. A clarividência de Fernando Pessoa, é sintomática: “Ele, a que, por indefinido, não podemos dar atributos, é, por isso mesmo, o substantivo absoluto”(o Livro do Desassossego).
Em outro momento deste tempo, descobrimos a fé na transcendência absoluta do Espírito Santo, lembro-me de Sophia de Mello Breyner Anderson, quando diz de uma forma tão sublime: “Não te tocam nem as almas, / Pois não te vemos nem Te imaginamos”. Mas Fernando Pinto do Amaral dirá que sempre estaremos “mais próximos de uma obscura verdade” (A assinatura de Deus, in Ler). A nossa vida é sempre um caminho de espera com esperança, assim o desejamos, mas previne-nos Herberto Hélder que “esperamos na obscuridade”, e nesse lugar da errância, o grito inevitável levanta-se à procura do inominável: “Vinde, ó Vós, mostrar-nos o caminho” (- Extraordinário este pedido do poeta, pois, esta é a principal tarefa do Espírito Santo: guiar-nos no caminho certo da vida).
Miguel Torga mostrou ser mais explícito nos seus sentimentos, por isso, pronuncia estas palavras com uma densidade de sentido fundamental para a nossa aposta de fé. “Amo o que me foge”; “Namoro-O na distância”; “Vi-O junto de mim e fiquei mudo. / Neguei-lhe o coração. / E então, perdi-O, como perco tudo” (M. Torga, Antologia Poética). Tudo o que é realidade do coração é invisível e muito difícil de ser dito de forma clara.
Vitorino Nemésio procurava resposta num som distante, num eco que vinha de longe, que apenas consola um pouco a inquietação: “Puro eco de Alguém...”. E Virgílio Ferreira, no livro Na Tua Face, provar-nos-á que o rosto do indefinido existe, embora na distância do sem sentido humano e material. E embora de forma escondida, Ele está lá no fundo da existência. O autor faz o seu desabafo deste modo: “... a face lisa de esplendor e imprevistamente era aí que eu repousava, na tua face, na imagem final do meu desassossego”.
Também foi S. Paulo que nos ensinou que se Cristo não ressuscitasse a nossa fé seria vã. Na mesma ordem de ideias, se não fosse o alimento da Missa, sinal-sacramento que Cristo ressuscitado nos oferece toda a nossa vida seria um inferno, porque, sem esperança no amanhã de uma vida sempre melhor. É este sonho que comanda a vida dos crentes.

quarta-feira, 18 de junho de 2014

Mulheres devem comprometer-se a não engravidar

A comunicação social está a adiantar esta manhã (18 de junho de 2014), que algumas empresas pedem às mulheres que contratam que assinem que não vão engravidar nos próximos cinco anos.
Curiosamente enviaram-me esta frase esta manhã: «quando os que comandam perdem a vergonha os que obedecem perdem o respeito», ensina Georg Lichtenberg, escritor e matemático alemão. Realmente, já se trata disto mesmo, perda de vergonha total e que consiste em levar ao extremo o que o Papa Francisco denunciou na entrevista que concedeu a Henrique Cymerman. O Papa denunciou o seguinte: «estamos num sistema económico mundial, em que, no centro, está o dinheiro, não a pessoa humana. Num verdadeiro sistema económico, no centro devem estar o homem e a mulher, a pessoa humana. E hoje, no centro, está o dinheiro (...)». É disto que se trata. O lucro, o dinheiro acima de tudo, mesmo que a dignidade e a vida sejam remetidos às calendas da indiferença e do esquecimento propositado por causa do lucro desenfreado. Não pode valer tudo e temos que nos indignar com tamanha desgraça.
A confirmar-se esta denúncia estamos perante uma barbaridade. Uma forma camufladas de violação dos direitos humanos. Os empresários não devem em nome do lucro e da ganância cometerem esta violência contra o futuro da família e contra o futuro do nosso país.
Onde é que isto vai parar? – É preciso arrepiar caminho e concentrarmo-nos na construção da pessoa humana. Tudo em função da dignidade da pessoa e nada contra o património mais importante do mundo que é o ser pessoa. Quem assim procede, deve ser criminalizado e o Estado deve fazer vigilância cerrada para que comportamentos destes não se passeiem por aí a impor tamanha violência contra o bem mais extraordinário da vida que é a geração de filhos.
Por estas e por outras diz o Papa e bem: «O tráfico de seres humanos é uma ferida no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo. Trata-se de um delito contra a humanidade». Pode não dizer respeito diretamente esta questão colocada por este pensamento do Papa, mas tráfico, manipulação, condicionamento da vida humana e impedir o seu desenvolvimento natural, resulta na conclusão do Papa. Por isso, face a este condicionamento a que são sujeitas as mulheres que algumas empresas empregam, estamos perante um «delito contra a humanidade» e, particularmente, contra o futuro da nossa população que hoje se vê tão ameaça por todos os lados.   

O “meu” Francisco

Artigo | Qua, 18/06/2014 - 03:31 | Por LUÍS FILIPE MALHEIRO, in Jornal da Madeira 



Várias vezes tenho escrito que João Paulo II foi o “meu” Papa. Com todos os seus defeitos e virtudes, a verdade é que aquele polaco desconhecido que um dia inesperadamente chegou ao Vaticano, cativando a atenção e o carinho de milhões da minha geração, admiração e respeito que se foram consolidando à medida que o novo Papa começou a viajar pelo mundo indo ao encontro das pessoas, ouvindo-as, falando com elas, dirigindo-lhes a sua mensagem.
Havia, houve certamente, também uma questão geracional, que João Paulo I, no seu curto pontificado de 30 dias de sorriso e de esperança deixou antever. João Paulo II foi muito importante para o nosso tempo e para a Igreja, obviamente sem ter estado isento de críticas, algumas delas facilmente desmontadas porque carregadas de uma carga ideológica que pouco ou nada tem a ver com a Igreja, com a religiosidade das pessoas, com a religião de uma maneira geral. Ninguém é perfeito neste mundo, mas também entendo que ninguém tem autoridade moral para apontar o dedo seja a quem for. Não temos autoridade moral para julgar os outros, sejam eles quem forem. Tal como afirma Francisco, todos cometem erros, a começar por ele próprio. Bem vistas as coisas, quem somos nós para acusarmos – e muitas vezes o fazemos hipocritamente – também sacerdotes, bispos e outras personalidades da Igreja, independentemente das suas responsabilidades acrescidas no contexto da Igreja Católica e do cristianismo no mundo, sem que antes tenhamos a honestidade intelectual de perceber se temos autoridade para o fazer?
(...) A propósito do euro, alguns querem voltar atrás... Destas coisas, não entendo muito. Mas o desemprego é uma palavra-chave. É grave, porque estamos num sistema económico mundial, em que, no centro, está o dinheiro, não a pessoa humana. Num verdadeiro sistema económico, no centro devem estar o homem e a mulher, a pessoa humana. E hoje, no centro, está o dinheiro (...)”. Hoje não tenho dúvidas em afirmar que Francisco é o “meu Papa”, um sentimento que, apesar de alguns não ser o adequado – no pressuposto que para qualquer católico o Papa é sempre o seu Papa – assumo sem complexos e hesitações. Reconheço que sempre tive uma enorme dificuldade em sentir que o seu antecessor, Bento XVI – por muito importante que ele tenha sido, e alguns dizem que foi, como pensador da Igreja (mas não quero discutir isso) tivesse sido o “meu Papa”, ao contrário do que afirmo, sem hesitação, em relação a Francisco e antes a João Paulo II.
A verdade é que este "Papa Chico" revela-se cada dia que passa, um Papa adaptado ao nosso mundo, que percebe os nossos problemas, que tem uma leitura não radicalizada e muito pragmática da Bíblia e dos textos fundamentais do cristianismo: “Sucede que os idosos são considerados um peso, enquanto os jovens não vêem à sua frente perspectivas seguras para a sua vida. E, no entanto, idosos e jovens são a esperança da humanidade: os primeiros trazem a sabedoria da experiência, enquanto os segundos nos abrem ao futuro, impedindo de nos fecharmos em nós mesmos”.
Tenho a certeza de que é um homem que recusa, com convicção, os fundamentalismos desajustados e incompreensíveis, que olha para os jovens, para o sofrimento das crianças e das mulheres, para os idosos, para os pobres, para os mais fracos, como alguém que os defende, que a todos quer defender, no quadro de um cada vez necessário combate à ganância, ao lucro fácil transformado no único objetivo de alguns idiotas que por aí andam. O Papa Francisco nada tem a ver com o primado do dinheiro tão presente na nossa sociedade e em muitas governações (incluindo a portuguesa), tal como não se revê no capitalismo selvagem, nos especuladores, nos mercadores de seres humanos que ganham dinheiro à custa da fragilidade humana e do sonho e do sofrimento de milhões de cidadãos africanos asiáticos, latino-americanos, árabes e mesmo europeus que procuram o sonho de uma vida mas que são colhidos pelos tentáculos desumanos da emigração ilegal e da exploração humana (“O tráfico de seres humanos é uma ferida no corpo da humanidade contemporânea, uma chaga na carne de Cristo. Trata-se de um delito contra a humanidade”).
O "Papa Chico" nada tem a ver com certos políticos bandalhos que temos por aí, que roubam os cidadãos, incluindo os mais pobres, é um declarado adversário da corrupção e do atual modelo económico. Perante um Homem destes, temos que nos curvar humildemente perante ele. Sente-se, ouvindo o "Papa Chico", que há ali algo de diferente, de bom, de novo, de esperançoso, uma forma nova de alguém nos falar, de transmitir-nos uma mensagem, de nos trazer esperança, alguém que temos que apoiar, assumir e proteger como o nosso "Papa Chico". Estou entre esses.

terça-feira, 17 de junho de 2014

O Padre Teixeira partiu para a casa de Deus

O Padre JOSÉ TEIXEIRA MARQUES, sacerdote da Diocese do Funchal, faleceu hoje, dia 17 de Junho de 2014 no Hospital Dr. Nélio Mendonça. Tinha 82 anos de idade, e era natural da freguesia do Porto da Cruz, concelho de Machico. Nasceu no dia 16 de Abril de 1932, era filho de João Teixeira Marques e de Luísa Carvalho.
Foi ordenado sacerdote, no dia 15 de Agosto de 1959.
Entre os diversos serviços pastorais que desempenhou na Diocese do Funchal, destacamos os seguintes:
Coadjutor do Estreito de Câmara de Lobos a 3 de Setembro de 1959;
Pároco da Ribeira da Janela a 31 de Dezembro de 1960
Pároco da Achada de Gaula
Pároco do Rosário e Feiteiras a 1 de Outubro de 1975
Pároco dos Lameiros a 23 de Setembro de 1991
Foi membro do Conselho Presbiteral e professor no Colégio de São Vicente.
Deixou o serviço pastoral nas paróquias Rosário, Feiteiras e Lameiros, em São Vicente, a 8 de Setembro de 2012, por motivo de idade.
Na sua vida dedicada ao serviço do Evangelho, deixou um testemunho de pastor, pela sua bondade e delicadeza.
O seu funeral será amanhã, dia 18 de Junho, quarta-feira, com missa às 11h30 horas, na Igreja Paroquial de São Martinho, seguida de funeral para o Cemitério de São Martinho, para jazigo da Diocese.
Estará em Câmara ardente a partir da 9; 30h na igreja paroquial de São Martinho no dia 18 de Junho. 
A este colega, irmão e amigo desejo paz à sua alma que junto de Deus interceda por todos nós. 

In Site da Diocese do Funchal aqui

Virtudes e pecados das comemorações dos 500 anos da Diocese do Funchal

Virtudes das celebrações dos 500 anos
1. Não podemos de forma nenhuma fazer uma análise honesta sobre qualquer acontecimento da vida sem ter em conta as virtudes e os pecados. As luzes e as sombras. 
Obviamente, que as celebrações dos 500 anos da Diocese do Funchal implicaram um trabalho enorme e muito tempo da parte de muitas pessoas chamadas a esta missão. Também devemos ter em  conta que pelo aparato de algumas delas, devem ter implicado gastos soberbos, que pelo hábito nesta Diocese, só alguns (muito poucos) e Deus é que saberão.
Neste sentido, devemos agora ser honestos e justos e salientar tudo o que de bom se passou, aprender com a mensagem que cada evento foi revelando quer do passado e como perspectiva para o futuro. Todos os momentos celebrativos brilharam e não envergonharam nenhum dos seus promotores e autores. Todos estiveram a altura dos acontecimentos e cumpriram com zelo o que estava devidamente preparado, previsto.
2. Neste âmbito destacamos as Eucaristias evocativas das datas mais determinantes do ponto de vista religioso, Machico, a primeira Missa na Madeira e 12 de junho a Missa evocativa da criação da Diocese do Funchal.
O lançamento do livro sobre as Paróquias e os seus Oragos, que vai ser um livro útil para muita gente.
O lançamento da medalha evocativa que apenas falha por não ser a imagem e semelhança da vontade do seu autor, Ricardo Velosa, mas imagem e semelhança do que pretendiam as entidades da Diocese (tudo isto ficou provado e confirmado no dia da apresentação da medalha pela boca de Ricardo Velosa e do bispo da Diocese António Carrilho). Ainda deste momento saliente-se a publicação de uma coleção deveras interessante de selos que irão perpetuar e divulgar pelo mundo fora alguns elementos importantes do património da Diocese do Funchal, por exemplo a réplica da bula da criação da Diocese do Funchal a 12 de junho de 1514 Pro Excellenti Preeminentia de Leão X; outro sobre a Sé Catedral do Funchal; a Cruz Manuelina, cruz processional da Sé do Funchal, em prata dourada, relevada e cinzelada em Portugal, Século XVI; São Tiago Menor, padroeiro secundário da cidade, e principal da Diocese do Funchal; Nossa Senhora do Monte, orago da Paróquia do mesmo nome, padroeira principal da cidade e secundária da Diocese do Funchal e João Paulo II, primeiro Papa a visitar a Diocese do Funchal.
Todas as fotos para os selos foram realizadas excelentemente por David Francisco.
Para os amantes de medalhas evocativas e coleccionadores de selos, aqui poderão encontrar um rico pretexto para valorizarem e embelezarem ainda mais as suas coleções.
Ainda neste ponto saliente-se a exposição de arte sacra que está patente ao público no Museu de Arte Sacra do Funchal, uma excelente amostra do tesouro patrimonial em estatuária, pinturas, pratas e dourados. Um pequeno tesouro que convido a uma calma e serena visita.
3. Os vários concertos musicais, cada um dentro do seu género, mobilizaram uma significativa multidão e serviram para relevar o quanto crescemos na nossa terra quanto à solicitude para a participação nestas iniciativas culturais. Os concertos hoje são a melhor forma para atrair razoável público. Neste âmbito a Madeira desenvolveu-se muito. Ainda bem. Os concertos foram momentos interessantes que mobilizaram crentes e pessoas que se confessam descrentes. A linguagem musical, essa sim, dá-nos a lição que não faz acepção de pessoas, é linguagem universal que congregam todos os homens que se desvelam à beleza e à interioridade.  

Pecados e Tentações ridículas
Ridículo e anacrónico
à margem do desprendimento do papa Francisco
4. Mas, vamos agora a alguns pecados que acusam, como não podia deixar de ser, as comemorações dos 500 anos da Diocese do Funchal. É assim a vida. Tudo tem prós e contras. Tudo tem virtudes e pecados. Temos de ser honestos e com serenidade saber olhar as coisas dessa forma.
No capítulo quarto de Mateus, Jesus desmascara as tentações satânicas de uma religião utilizada para proveito pessoal, uma religião onde se procura honras e poder entre os homens, sobretudo entre os poderosos deste mundo. Por isso, guardo com muito carinho uma frase de Santo Afonso de Ligório: «É uma grande injustiça impor às consciências normas e leis se não pudermos provar claramente que elas são queridas por Deus». Com base em São Mateus e na advertência de Santo Afonso de Ligório, podemos aplicar a mesma sabedoria aos eventos religiosos. Nada deve ser realizado se logo não soubermos que é querido por Deus, porque pode redundar em pura propaganda e isso não faz bem à evangelização nem muito menos se torna benéfico para Igreja nem muito menos para o mundo.
Está a fazer-nos impressão que há uma certa debandada da Igreja e pouco ou nada nos damos conta disso, que parece ter abrandado com o apreço geral à volta do Papa Francisco, embora isso não signifique nada que a simpatia pelo Papa se tradução em apreço pelos bispos e pelos padres em geral.
O sumo espiritual que resta em muitas expressões medievais que teimamos em manter hoje, reduz-se a uma religiosidade superficial e piegas, a intelectualidade é de uma pobreza atroz e a consciência do diálogo com a cultura e o mundo de hoje é zero. Daí que a mobilização das pessoas falha redondamente, ao lado de um arraial, de uma praia, mesmo que seja de calhau abundante como são as nossas, atraem mais do que uma celebração religiosa. É disto que se trata e é nisto que deve estar centrado o debate, a reflexão entre nós.
Sei apenas que Léon Bloy proferiu isto diante da pobreza do clero: «Como não amam ninguém, creem eles que amam a Deus». E mais ainda, «ninguém se aproxima de Deus afastando-se dos homens... E ninguém se dá reservando-se para Deus. Por que motivo nos teria Ele então oferecido o amor?» Assim sendo, como não pensar que é necessário arrepiarmos caminho e tomarmos a sério um «acto de contrição» que nos purifique a alma e nos relance no caminho da Evangelização com métodos novos para os tempos que são sempre novos. O Papa Francisco no seu texto Evangelii Gaudium (Alegria do Evangelho) apontou várias possibilidades e dá imensas sugestões.

Verba volant
5. Nos vários eventos a palavra mudança esteve sempre presente. Mas que mudança? Qual mudança? – Se por todo o lado as coisas tendem a regredir e os padres, especialmente, os mais novos apresentam-se ornamentados com vestes caríssimas caindo num ridículo confrangedor, porque anacrónico e exagerado… Mas quanto ao pensamento e doutrina o que se vai passando fica muito aquém da doutrina e linguagem do Papa Francisco, para não ir mais longe... Mas, afinal, que mudança? Com quem? Quando? – Só e apenas com padres novos que saem do seminário com uma visão retrógrada, efeminados e sem a devida formação filosófica e teológica adequada que compreenda todos os campos do saber? – Não tenho visto nada além disto que me faça comungar desta mudança.
Aí está o resultado, baixou-se a fasquia quanto à recepção nos seminários, tudo e todos os que apareçam servem para serem padres, por isso, não se admirem dos problemas que advêm a partir desta ausência de critérios. A quantos jovenzinhos se vai ouvido agora a dizerem que até gostavam de serem padres, mas para o seminário não querem ir. Nem mais, cria a fama e deita à sombra. Foi precisamente o aconteceu. E há um descrédito enorme quanto aos seminários.
6. Outras palavras que não faltaram foram comunhão e unidade. São palavras bonitas e importantes para a Igreja Católica, mas como podemos construir este bem se logo à partida o clero está todo dividido. Outros, há que são padres de primeira e outros de segunda. Outros há vaidosos que correm para os primeiros lugares e que se altivam porque a alfaia é mais colorida ou mais vistosa. Santa pobreza espiritual e de carácter. Tudo se reduz a uma hierarquia fechada que faz acepção de padres, que combina os acontecimentos apenas com alguns e os outros devem limitar-se a fazer número e a mobilizar ovelhas para preencher os espaços. Com esta comunhão e unidade estamos bem serviços e não vamos longe. Quanto à pessoas em geral nem se fala. É povo que deve rezar, bater palmas e dar ofertas.

Nos Barreiros o discurso do cardeal
7. A palavra família esteve muito presente nos discursos a par das palavras missão, evangelização e anúncio. O momento alto do desenvolvimento desta temática esteve muito bem patente no Estádio dos Barreiros, onde se celebrou uma Assembleia Jubilar Diocesana, que pretendeu reeditar a Missa celebrado pelo Papa São João Paulo II, no dia 12 de maio de 1991. Esta assembleia nem por sombras chega aos pés dessa tal Eucaristia.
O cardeal presidente deste encontro, Fernando Filoni, fez-nos uma homilia longa, sem que nos dissesse muita coisa. Mais do mesmo. Saliente-se a parte em que fala da família rebuscando algumas citações do Papa Francisco, mas que fica apenas e só como apelo para a geração de mais filhos, porque daí advém a falta de vocações na Europa. Não fez como faz o Papa que aponta o problema, mas logo denuncia profeticamente onde está a fonte que o provoca.
A família está numa crise profunda. Os casais não geram filhos. Qual a novidade disto? – Nenhuma. Novidade seria um cardeal, com a autoridade que o assiste, entre nós proclamar profeticamente, alto e bom som, que há uma crise tremenda provocada por especuladores e por políticos irresponsáveis que governaram a seu belo prazer o bem comum, esbanjando e violando todos os princípios da justiça. Agora, estes mesmos senhores colocaram-se na linha da frente para impor uma série de medidas de austeridade que empobrecem os casais e as famílias sem sombra nenhuma de piedade. Neste ambiente os casais não estão interessados em gerar filhos para os lançar na pobreza.
A celebração dos Barreiros encheu meio olho. Deve ter ficado muito aquém do esperado. Saliente-se o trabalho extraordinário dos professores, «obrigados» a acompanhar e preparar aquele grupo enorme de crianças para a coreografia inicial da celebração. Valeu este momento inicial, porque tudo o resto revelou-se fastidioso para as cerca de 5 mil pessoas ali presentes. Discursos muito longos e cerimonial a mais que maçou por demais, a intensidade do sol fez o resto.
Políticos no seu melhor
8. Outro aspecto que em nada é novidade. Como é hábito na nossa terra o aproveitamento político das comemorações fez jus à tradição. Assim, se instalaram em devido destaque nas poltronas os senhores do tempo e ofereceram os banquetes da praxe à conta da fome e da pobreza do povo.

Esquecimentos propositados?
9. Mas dramático é termos constado, que nem uma palavra sobre os momentos negros da história da Diocese nem uma palavra de perdão, como fizeram incansavelmente os últimos Papas, que sempre que houvesse pretextos pediam perdão pelos pecados da Igreja. O Papa Francisco já o fez mesmo somando ainda um reduzido tempo de pontificado.
Algumas figuras da Igreja do passado (poucas) foram nomeadas. Mas, acho que resulta deselegante não fazer referência ao sr. D. Teodoro de Faria, que é nosso conterrâneo e foi bispo da Diocese do Funchal durante um episcopado, provavelmente, dos mais longos da história da Diocese e ainda está vivo. Nem uma palavra à sua ação nem para bem nem para mal. 
Será que tem que ver com o seu episcopado ter sido polémico e cheio de peripécias esquisitas que ainda hoje não foram devidamente explicadas? - Algumas delas é mesmo bom que não sejam lembradas, porque nos enojam e revoltam solenemente. Mas, no meio disso tudo, penso ter existido muita coisa boa e relevante para Igreja Católica da Madeira. Quem diz do tempo de D. Teodoro de Faria diz de outros momentos e de outras pessoas ligadas à Igreja da Madeira que mereciam destaque nestes momentos festivos. Mais ainda se se diz do clero podemos dizer de figuras religiosas, leigos e homens e mulheres de boa vontade que prestaram elevados contributos para o bem da Igreja da Madeira. 
Neste sentido faço referência ao seguinte: «500 anos. E agora?» - pergunta e bem o Padre Aires Gameiro numa magnífica carta do leitor no Dnotícias de 17 junho de 2014 (pode ser lida aqui). Põe o dedo na ferida e fala de coisas que deviam ter sido faladas por estes dias. Há muito que reclamava por isso, alguém o faz sabiamente como só o Padre Aires o sabe fazer. Bem-haja por esta reflexão.

Mais uma pergunta
10. Será que disseram ao Cardeal Fernando Filoni que há uma Paróquia na Diocese onde o bispo diocesano não entra, Ribeira Seca, Nossa Senhora do Amparo? - Curioso que nos agradecimentos a todos os párocos no livro sobre os Oragos e Paróquias o nome do Padre Martins Júnior, apareça timidamente escrito desta forma «José Martins», quem será este «José Martins»?

Exposição
11. A tentativa de exposição na Avenida Arrigada revelou-se isso mesmo. Uma tentativa, porque estava tão pobre que ouvi várias manifestações de desagrada. Paneis rudes, assim tipo lugar de informações num estaleiro de obras. Textos longos com letra pequena. Fotocópias de fraca qualidade. No geral um grafismo muito pobre e a disposição do que se pretendia expor sem nexo e sem sombra de critério, porque não se sabia onde era o começo, o meio e o fim... Foi pena. O conteúdo merecia qualidade mais elevada e foi uma oportunidade perdida.

A catequese e o sócio-caritativo o sangue da pastoral da Igreja

12. Duas vertentes da Igreja que foram totalmente descuradas nestas comemorações, que marcam o passado, o presente e o futuro: primeiro, a dimensão catequética da Igreja, onde são transmitidos os valores e todos os princípios que enforma a nossa civilização cultural e religiosa. Segundo aspecto, a dimensão sócio caritativa. Esta dispensa qualquer comentário, porque está bem aos olhos de toda a gente.
Muito mais ainda poderia ser dito, obviamente que sim. Porém, que se reflicta sem medo do debate e com honestidade sejamos humildes sem qualquer tentativa para afunilar o pensamento e a reflexão. Assim, deve ser, porque lá se foi o tempo em que a Igreja tinha poder de atração para fazer com que as pessoas participassem em massa numa Eucaristia deste calibre. Não devemos temer nada quanto a isso. Apenas pensar, reflectir e incentivar outras formas de participação que não sejam apenas e só participação onde se pretende reunir grandes quantidades de pessoas. Esse trabalho hoje pertence ao futebol e ponto final.

sábado, 14 de junho de 2014

Entrevista com o Papa Francisco

O melhor que se pode ver... Não percam.



Eis aqui também algumas passagens transcritas pelo Jornal espanhol «La Vanguardia»:

«EU CREIO QUE JESUS QUER QUE OS BISPOS NÃO SEJAMOS PRÍNCIPES, MAS SERVIDORES» (Papa Francisco ao Jornal espanhol «La Vanguardia»).

REVOLUÇÃO = VOLTAR ÀS RAÍZES
«Para mim, a grande revolução é ir às raízes, reconhecê-las e ver o que essas raízes têm a dizer ao dia de hoje. Não há contradição entre ser revolucionário e ir às raízes. Mais ainda, creio que a maneira de fazer verdadeiras mudanças é ir à identidade. Nunca se pode dar um passo na vida se não é desde atrás, sem saber de onde venho, que sobrenome tenho, que sobrenome cultural ou religioso tenho» (Papa Francisco ao Jornal espanhol «La Vanguardia»).

A ESTRUTURA MENTAL DO FUNDAMENTALISMO É VIOLÊNCIA EM NOME DE DEUS
A violência em nome de Deus não corresponde ao nosso tempo. É algo antigo. Com perspectiva histórica é preciso dizer que nós cristãos, às vezes, a praticamos. Quando penso na guerra dos Trinta Anos, era violência em nome de Deus. Hoje é inimaginável, não é verdade? Chegamos, às vezes, pela religião a contradições muito sérias, muito graves. O fundamentalismo, por exemplo. Nas três religiões (Judaísmo, Cristianismo e Islã – nota do tradutor) temos nossos grupos fundamentalistas. Pequenos em relação ao todo. Um grupo fundamentalista, ainda que não mate ninguém, ainda que não bata em ninguém, é violento. A estrutura mental do fundamentalismo é violência em nome de Deus» (Papa Francisco ao Jornal espanhol «La Vanguardia»).
 
PERSEGUIÇÃO RELIGIOSA
«Os cristãos perseguidos são uma preocupação que me afeta de perto como pastor. Em alguns lugares está proibido ter uma Bíblia ou ensinar o catecismo ou ainda levar uma cruz... O que quero deixar claro é uma coisa: estou convencido de que a perseguição contra os cristãos hoje é mais forte que nos primeiros séculos da Igreja. Hoje há mais cristãos mártires que naquela época. E não é fantasia, são números» (Papa Francisco ao Jornal espanhol «La Vanguardia»).

A IDOLATRIA DO DINHEIRO
«Creio que estamos num sistema econômico mundial que não é bom. No centro de todo sistema econômico deve estar o homem, o homem e a mulher, e tudo mais deve estar ao serviço deste homem. Porém nós temos posto o dinheiro no centro, o deus dinheiro. Temos caído num pecado de idolatria, a idolatria do dinheiro. A economia se move pelo afã de ter mais e, paradoxalmente, se alimenta uma cultura do descarte. Descarta-se as crianças quando se limita a natalidade. Também se descarta os anciãos porque já não servem, não produzem, são uma classe passiva… Ao descartar as crianças e os anciãos, descarta-se o futuro de um povo porque as crianças vão puxar com força pra frente e porque os anciãos nos dão a sabedoria, têm a memória desse povo e devem transmiti-la às crianças. E agora também está na moda descartar a os jovens com o desemprego. A mim me preocupa muito o índice de desemprego juvenil, que em alguns países supera os 50%. Alguém me disse que 75 milhões de jovens europeus menores de 25 anos estão desempregados. É uma barbaridade. Descartamos toda uma geração para manter um sistema econômico que já não se aguenta, um sistema que para sobreviver deve fazer a guerra, como fizeram sempre os grandes impérios. Mas, como não se pode fazer a Terceira Guerra Mundial, então se fazem guerras regionais. E isso o que significa? Que se fabricam e se vendem armas, e com isso os balanços das economias idolátricas, as grandes economias mundiais que sacrificam o homem aos pés do ídolo do dinheiro, obviamente se saneiam. Este pensamento único nos tira a riqueza da diversidade de pensamento e portanto a riqueza de um diálogo entre pessoas. A globalização bem entendida é uma riqueza. Uma globalização mal entendida é aquela que anula as diferenças. É como uma esfera, com todos os pontos equidistantes do centro. Uma globalização que enriqueça é como um poliedro, todos unidos mas cada qual conservando sua particularidade, sua riqueza, sua identidade, e isto não acontece» (Papa Francisco ao Jornal espanhol «La Vanguardia»).

Concerto dos 500 anos da Diocese do Funchal

Nesta noite passada decorreu na Sé Catedral do Funchal o Concerto dos 500 anos da criação da Diocese do Funchal. Um momento glorioso de beleza estética e cheio de sonoridade musical que estalou todos os recantos da nossa vetusta Sé Catedral e fez sorrir o numeroso público que preenchia todo o espaço da Sé.
A Orquestra Clássica da Madeira dirigida pelo maestro convidado Filipe Veríssimo, que juntamente com a soprano Raquel Camarinha e os vários coros (Coro de Câmara da Madeira; Coro Juvenil da DRE/Ed. Artística; Grupo coral do Est. de Câmara de Lobos) proclamaram aos nossos ouvidos e aos céus o encanto da música solene dos grandes mestres: J. Haydn – Te Deum; J. S. Bach – Cantata BWV51 Jauchzet Gott in allen Landen; A. Vivaldi – Gloria em Ré maior; W. A. Mozart – Moteto «Exultate Jubilate» K. 165 e por fim G. F. Haendel.
Obviamente que se faz jus a este momento grande e eloquente, que mostrou o resultado de um trabalho árduo com vista à harmonização de uma diversidade e pluralidade de artistas. A soprano Raquel Camarinha esteve muito bem e revelou uma portentosa voz que convida à interioridade e à leveza espiritual. O maestro revelou-se assaz condutor do conjunto.
Fica-nos o desejo que este momento sirva para crescermos na fé e na esperança. A melhor forma de fazer encontrar a humanidade pode ser por esta via, a beleza da música que desce à rua, à praça, às nossas igrejas convidando à estética do amor e à beleza da fraternidade. A Igreja Católica deve ser esta escola do encontro da humanidade, oferecendo o melhor que o coração humano é capaz de realizar. Que as vontades de todos os quadrantes para aí estejam inclinadas. 

sexta-feira, 13 de junho de 2014

Deus Pai/Mãe, o Filho e o Espírito Santo

 Comentário à missa do domingo da Santíssima Trindade
 15 junho de 2014
Quem é a Santíssima Trindade? Quando falamos da Santíssima Trindade, é do nosso Deus que falamos. O Deus dos cristãos é trinitário, isto é, constituído por três pessoas: Deus Pai/Mãe, Deus Filho e Deus Espírito Santo. O Pai/Mãe, é Deus omnipotente incriado e que preside a toda a criação. O Deus Filho, é o enviado pelo Pai, revela o Pai/Mãe plenamente e envia o Espírito Santo, que é o resultado do amor entre o Pai/Mãe e o Filho. Isto é, mostra-nos o rosto verdadeiro do Pai/Mãe. Um Pai/Mãe amoroso que não desiste de salvar todos os homens e que pacientemente espera pela remissão de toda a natureza humana (podemos lembrar aqui a famosa Parábola do Filho Pródigo).
O Filho, foi enviado pelo Pai/Mãe para anunciar a Boa Nova da justiça ou da salvação de toda a humanidade, Ele é o rosto visível do amor que informa a Trindade. Será da boca do Filho que recebemos a promessa do envio do Espírito Santo, o outro Deus da Trindade. 
O Espírito Santo, é aquele que vem depois de Jesus para acompanhar todas as acções humanas em favor da causa de Deus. Ele é o Espírito da verdade. Ele nos guiará para a verdade plena. Porque o Espírito Santo, pode ser definido como aquele que unifica as três pessoas da Trindade, Ele é o nome do amor de Deus.  
A celebração da Santíssima Trindade, abre-nos caminhos para o exemplo de como podemos e devemos viver. Ninguém se realiza sozinho. Cada um de nós só é capaz de futuro, se acolher a riqueza da dimensão comunitária da vida humana. O que seria da nossa existência se não fossemos capazes de reconhecer a importância da vida dos outros para a nossa realização pessoal? Está mais que provado que ninguém é capaz de viver totalmente isolado, todos necessitámos de ser e viver em comunidade. 
A Santíssima Trindade, é antes de mais uma verdadeira comunidade. A comunhão é o seu elemento principal, por isso, não nos surpreende a expressão de intimidade de Jesus: "Tudo o que o Pai tem é meu". Esta formidável riqueza de comunhão serve de exemplo ou revela-se como desafio para a nossa vida de cristãos e para todos os homens de boa vontade. 
Como enquadrar o mistério da Santíssima Trindade na nossa vida concreta? - Sim falamos de mistério, porque, por mais que se diga, por mais que se faça e por mais que se acredite, a Santíssima Trindade será sempre o mistério dos mistérios. Pois, não serão os pensamentos e as palavras humanas que traduzirão o que é e o que representa este mistério. Assim sendo, mais do que dizer deste mistério, o melhor será fazer silêncio diante Dele. Este é um mistério mais para ser contemplado do que para ser dito ou mostrado. É um mistério inefável, próximo e distante ao mesmo tempo, que nos envolve. Esta riqueza de comunhão revela-se como desafio para a nossa vida de cristãos e para todos os homens de boa vontade. Mais ainda para o mundo que, teimosamente, «criamos» carregado de egoísmos e de individualismos cerceadores. 

quinta-feira, 12 de junho de 2014

500 anos Diocese do Funchal – vamos pedir perdão

Há muita coisa bonita que não pode ser descurada em 500 anos de Diocese do Funchal. Há a grandeza da Diocese que foi a maior do mundo, mesmo que por pouco tempo. Tudo isso está mais que reafirmado. Repare-se: «Nestes 500 anos quantas histórias maravilhosas de santidade nos iluminam; quantas obras inflamadas de misericórdia e do génio da caridade: no impulso do Evangelho fundaram-se hospitais, trataram-se os doentes da peste, socorreu-se a fome, atendeu-se aos órfãos e aos idosos; quanto serviço silencioso e apaixonado no campo da educação: criaram-se escolas e dinâmicas pedagógicas, numa aposta clara na pessoa humana. O Cristianismo, podemos dizer, tem sido entre nós uma constante sementeira de cultura, cidadania e solidariedade» («Igreja em Missão», D. António Carrilho, Bispo do Funchal).
Muito importante que se saliente tudo isto. Faz parte da história da Diocese, é inegável. Todos os diocesanos devem sentir orgulho nesse passado e fica o exemplo de que a dedicação, a entrega inteira ao serviço dos outros, surtem frutos de salvação para todos os povos. E o povo da Madeira, muito provavelmente, teria sido ainda mais infeliz se não fosse muita da acção da Igreja Católica.
Porém, não devíamos descurar o sofrimento experimentado por tanta gente ao longo destes 500 anos. Por exemplo, o Sistema da Colonia que gerou uma plêiade de escravos e de gente submissa aos poderosos donos da Madeira. Falta fazer um estudo sobre a pregação da Igreja perante esse sistema desumano que vigorou durante quase estes 500 anos Madeira.
Sobre as revoltas que a Madeira sentiu em alguns momentos, o apoio da Igreja do Funchal foi quase nulo ou em vários momentos colocou-se ao lado dos sistemas dominadores contra o povo simples espezinhado. O Padre Teixeira da Fonte é um exemplo que devia ser falado nestes dias. Foi ele que encabeçou a conhecida Revolta do Leite em 1936. Uma figura ímpar do século passado da Madeira. Um homem interessante que soube ler a vontade do seu povo e que por ele sofre a miséria das prisões da «velha senhora», isto é, os calaboiços inumanos da ditadura de Salazar. Um padre livre no pensar e sem dúvida nenhuma quanto às opções a fazer. Não pondera o que pensará o poder político e religioso. Diante das necessidades do seu povo coloca-se ao lado dos injustiçados e com eles vai até às últimas consequências. Dizem os seus familiares que por causa do sofrimento e da injustiça que passou nunca mais pronunciou o nome Salazar, porque lhe sujava boca.
Hoje fala-se muito no diálogo com a cultura e ainda bem. Mas notamos que os vários sacerdotes que a essas lides se dedicaram quase todos na sua maior não tiveram apoio nenhum da Igreja oficial da Madeira. Alguns até sofreram e muito o crivo da ostracização.
O sofrimento de muito clero foi enorme. Quantos sacerdotes eram literalmente desterrados e abandonados à sua sorte por esses montes e vales que a orografia da Madeira acusa? – Quantos foram desprezados, porque eram diferentes, porque divergiam do pensamento dominante ou simplesmente tinham tido a má sorte de ter caído no pecado ou então dito uma palavra que fosse contra os poderes políticos dominantes da Madeira? – É enorme também o rol de gente que dominava e outra dominada em nome de Deus e da santa obediência.
No domínio da perseguição há o século XIX, o período negro da Diocese do Funchal, com a perseguição contra o Protestantismo. Mais ainda se juntarmos à segunda metade do séc. XX, a perseguição contra o comunismo e os comunistas que «comem crianças ao pequeno-almoço», para que esta «pastoral» impusesse a hegemonia política do partido dominante que coloriu de laranja a Madeira há quase 40 anos.
Há uma outra face da moeda na história da Diocese do Funchal que é negra, onde sobressai a intolerância, o fundamentalismo, a corrida atrás do vil metal e uma vontade de domínio hegemónico que bradam aos céus.
Em todo o caso, alegramo-nos muito com o passado da Igreja Católica da Madeira, mas até certo ponto, não queremos ser zarolhos, vendo só que importa ser visto, mas honestamente tomar tudo o que nos revela o passado de 500 anos. Os momentos bons e os menos bons.
Hoje deviam ser pensados estes «pecados pastorais», para que no meio da festa se fizesse um tempo de penitência e de reconhecimento do menos bom desta história de 500 anos, para que aos olhos da sociedade a Igreja da Madeira se apresentasse virtuosa, mas também com manchas que a envergonham e a colocam diante de Deus e do seu povo de joelhos para pedir o perdão. Não há futuro saudável sem que se remedeie o passado menos bom. A consciência de que fizemos mal é importante para que amanhã atitude seja outra perante a diversidade e a pluralidade que o nosso mundo hoje apresenta.