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quarta-feira, 31 de dezembro de 2014

Paz Perfeita

1 janeiro de 2015, Dia Mundial da Paz...
Certa vez um rei teve de escolher entre duas pinturas, qual mais representava a paz perfeita. A primeira era um lago muito tranquilo, este lago era um espelho perfeito onde se reflectiam algumas plácidas montanhas que o rodeavam, sobre elas encontrava-se um céu muito azul com nuvens brancas. Todos os que olharam para esta pintura pensaram que ela reflectia a paz perfeita. 
Já a segunda pintura também tinha montanhas, mas eram escabrosas e não tinham uma só planta, o céu era escuro, tenebroso e dele saíam faíscas de raios e trovões. Tudo isto não era pacífico. Mas, quando o rei observou mais atentamente, reparou que atrás de uma cascata havia um pequeno galho saindo de uma fenda na rocha. Neste galho encontrava-se um ninho. Ali, no meio do ruído da violenta camada de água, estava um passarinho calmamente sentado no seu ninho. Paz Perfeita. O rei escolheu esta segunda pintura e explicou: 
«Paz não significa estar num lugar sem ruídos, sem problemas ou sem dor. Paz significa que, apesar de se estar no meio de tudo isto, permanecemos calmos e tranquilos no nosso coração. Este é o verdadeiro significado da paz». Um ano feliz para todos.

O Papa Francisco escreveu uma acutilante mensagem para este dia quem desejar ler pode fazê-lo aqui

terça-feira, 30 de dezembro de 2014

O milagre chamado sorriso

Para que seja sempre Natal todo o ano. A magia do sorriso.


A desconfiança perante as dádivas

Eis a foto da grande hipocrisia que comanda esta terra. O órgão de comunicação que passou o tempo todo a perseguir Miguel Albuquerque, faz machete hoje sobre a sua mais que previsível retumbante vitória, como se nada tivesse passado.  É caso para ser dito e redito: «Timeo danaos et dona ferentes» (receio os gregos mesmo até quando eles dão dádivas).
A partir de agora, espero que impere o bom senso e que tudo o que andou para aí a lançar lama à ventoinha seja chamado à responsabilidade. Queremos ver o fim de tudo o que tem sido perseguição, enxovalho público contra tanta gente da Madeira e de fora da Madeira, desrespeito constante contra os valores da democracia e a sã convivência humana... Eis apenas alguns entre tantos outros impropérios e toda a rebeldia barata, boçal e irresponsável tenham fim à vista. Caso seja ao contrário voltamos a este clima de guerra e hipocrisia que nos tem desgovernado e isso será uma hecatombe para nossa terra, para o povo da Madeira. O fim dos interesses instalados tem que ser bem visível por todos.
Almejamos dias felizes. Porque pensamos que pode ser possível começar a governar com e para o povo da Madeira. Que esteja sempre em primeiro lugar a população da Madeira e de pois os restantes interesses. São estes os meus desejos para 2015. 

sábado, 27 de dezembro de 2014

A Família e a educação dos filhos

Comentário à missa do domingo da Sagrada Família, 28 dezembro de 2014
Perante as múltiplas barbaridades que a sociedade actual apresenta, estão a tornar-se muito frequentes as opiniões que defendem o regresso à educação tradicional. Outros ainda vão mais longe, tendo em conta que os comportamentos que alguma sociedade apresenta, defendem que a verdadeira educação só pode ser garantida pela família tradicional.
Obviamente, que diante destas perspectivas muitos acharão que estamos perante o regresso a um conservadorismo piegas, compreensível apenas nos meandros de uma qualquer instituição de caris religioso. A questão é mais séria do que se pensa, neste caso não contam os preconceitos, é preciso antes de tudo colocar o dedo na ferida e procurar curá-la.
Antes de mais, é necessário salvaguardar que dizer o "regresso à família tradicional" é apenas uma forma de reforçar a ideia. Por isso, dizer "regresso à família tradicional" é o mesmo que dizer "só uma verdadeira família pode ser criadora de homens e mulheres autênticos para viverem em sociedade". Não se trata propriamente de um regresso, mas antes de um tomar a sério os valores que só as famílias podem incutir no coração daqueles que gera.
Todos os problemas actuais de violência e de perversão sexual, têm uma origem comum, a família ou a ausência dela. Na maioria dos casos a origem radica no mau ambiente familiar, isto é, são filhos de pais alcoólicos ou de mães irresponsáveis que pura e simplesmente abandonaram os seus filhos.
Ambientes familiares onde predominam, a demissão frequente dos pais, a palavra ensurdecedora e a pancada como único método de resolução de problemas e como única forma de impor autoridade, só podem gerar gente insensível, violenta, desonesta, corrupta e perversa sexualmente.
Quando se fala em regresso à família tradicional, falamos de que é necessário retomar a transmissão dos valores no seio familiar. A verdadeira educação para a liberdade e para a sexualidade integrada nunca pode ser transmitida por terceiros, mas sim pelos pais que devem ser os principais amigos dos filhos. Se os filhos não encontram abertura para o diálogo com os pais, procurarão fora de casa entre os companheiros, que é a pior forma para aprender tudo o que diz respeito à intimidade.
Quando se fala de educação sexual nas escolas, penso que é uma boa medida e que pode ser um complemento daquilo que as crianças, os adolescentes e os jovens aprendem no seu ambiente familiar. Porém, dessa educação sexual é preciso desconfiar sempre, porque na maior parte dos casos reduz-se a pura informação sexual. Ora, informação é fácil de se fazer e está aí à mão de todos, mas verdadeira educação, com referências positivas, só portas adentro e no segredo da intimidade, da afectividade e do amor. Quem melhor pode realizar isto verdadeiramente? - Só os pais.

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

O Natal é festa

Mensagem de Natal 
sei que roncam
estômagos com fome
chagas enormes de solidão
frio em pobreza abandonada
envergonhada e sentida
nos campos e nas cidades
da injustiça e da desigualdade
quando todos calam
na frenética azáfama de compras
mesmo que alguma vez se lembre
o pensamento à solidariedade
que se esquece quando
se apagam outra vez
as luzes do tempo no fim do Natal.

sei disso tudo
e de mais ainda
que os olhos não escondem
e a compaixão me lembra
mas Natal é festa
nem que seja por um momento
que muitos fazem nas casas
e no coração
então não me foge o pensamento
se não fora este elemento Natal
a propensão para a barbárie
ainda seria maior
e não havendo este dia festa Natal
pior o desgosto da tristeza
de não ser gente
mas dor e pranto
na morte e no ódio
da tragédia para sempre.

sejamos lúcidos
despertemos para a festa Natal
digamos não à fome
e a todas as lágrimas deste mundo
que expressam quanto há de tristeza
e de toda a desgraça que alimenta
os tiranos Herodes e outros tantos
sanguinários da desigualdade
e da injustiça
e por favor
não roubem este sonho
este perene encanto
que a magia da vida
das cinzas em cada Natal
emerge solene qual fénix
que nos renasce o ideal
e a fé na feliz esperança
que se contraria
perante o caos de cada hora
que o egoísmo e a violência
semeiam nos campos inférteis
do ódio e da vingança.

sejamos Natal em festa
nestes dias e em todos os dias deste mundo
e que nos desperte a beleza profética
do amor e da justiça
para que o «Natal não seja um dia»
mas todos os dias eternamente.

Natal é festa e não nos tirem
esse feliz momento
para que não multipliquemos
ainda mais a vida ao choro constante 
que teimam rasgar a carne e o tempo
os caminhos escabrosos de tormento.

O Natal é festa… Bom Natal.
José Luís Rodrigues

terça-feira, 23 de dezembro de 2014

Catálogo das 15 doenças da Igreja e da Sociedade

Doenças que atacam a Cúria Romana, as Dioceses de todo o mundo, as paróquias, os grupos, movimentos, congregações, partidos políticos, governos, empresas, famílias e etc... Que nos faça reflectir esta mensagem essencial sobre o mundo de hoje... Discurso do Papa Francisco pronunciado perante os membros da Cúria Romana. Nem os jardineiros escaparam do crivo acutilante do Papa.
1 – SENTIR-SE IMORTAL, IMUNE OU ATÉ MESMO INDISPENSÁVEL, negligenciando os controles necessários e habituais. “Uma Cúria que não faz autocrítica, que não se atualiza é um corpo enfermo”. É o “complexo dos eleitos, do narcisismo”
2 – A DOENÇA DO “MARTALISMO” (que vem de Marta), da ocupação excessiva, os que trabalham sem usufruirem do melhor. A falta de repouso leva ao stress e à agitação
3 – A DOENÇA DO “EMPEDRAMENTO” MENTAL E ESPIRITUAL, isso é, daqueles que têm coração de pedra. Quando se perde a serenidade interior, a vivacidade e a audácia e nos escondemos atrás de papeis, deixando de ser “homens de Deus”
4 – PLANEJAMENTO EXCESSIVO E FUNCIONALISMO, tornando o apóstolo um contador ou comercialista. “Quando o Apóstolo planifica tudo minuciosamente e pensa que assim as coisas progridem torna-se num contabilista”. É a tentação de querer pilotar o Espírito Santo
5 – MÁ COORDENAÇÃO, sem harmonia entre as partes do “corpo”.
6 – “ALZHEIMER ESPIRITUAL”, ou seja, o esquecimento da história da Salvação, da história com o Senhor, do “primeiro amor”
7 – RIVALIDADE E ORGULHO, quando a aparência, as cores das vestes e insígnias de honra tornam-se o objetivo primário da vida. “Leva-nos a ser falsos e a viver um falso misticismo”
8 – ESQUIZOFRENIA EXISTENCIAL, que é a doença dos que vivem uma vida dupla, fruto da hipocrisia típica do medíocre e do progressivo vazio espiritual que licenciaturas ou títulos acadêmicos não podem preencher
9 – BISBILHOTICES, MURMURAÇÕES E MEXERICOS. “É a doença dos velhacos que não tendo a coragem de falar diretamente falam pelas costas. Defendamo-nos do terrorismo dos mexericos”
10 – A DOENÇA DE DIVINIZAR OS CHEFES, que é a daqueles que cortejam os superiores esperando obter sua benevolência. “Vivem o serviço pensando unicamente àquilo que devem obter e não ao que devem dar”. Pode acontecer também aos superiores
11 – INDIFERENÇA PARA COM OS OUTROS. “Quando se esconde o que se sabe. Quando por ciúme sente-se alegria em ver a queda dos outros em vez de o ajudar a levantar”
12 – DOENÇA DA “CARA FÚNEBRE”, de pessoas carrancudas que pensam que para serem sérias é preciso pintar a face de melancolia, de severidade e tratar os outros com rigidez, dureza e arrogância. “O apóstolo deve esforçar-se por ser uma pessoa cortês, serena, entusiasta e alegre e que transmite alegria…”. “Como faz bem uma boa dose de são humorismo”
13 – A DOENÇA DO ACUMULAR, quando o apóstolo procura preencher um vazio existencial no seu coração acumulando bens materiais, não por necessidade, mas para se sentir seguro
14 – DOENÇA DOS CÍRCULOS FECHADOS, onde a pertença ao grupinho se torna mais forte que aquela ao Corpo e, em algumas situações, ao próprio Cristo
15 – A DOENÇA DO LUCRO MUNDANO, do exibicionismo. “Quando o apóstolo transforma o seu serviço em poder e o seu poder em mercadoria para obter lucros mundanos ou mais poder”.
Papa Francisco

segunda-feira, 22 de dezembro de 2014

A estátua do Ronaldo e a nossa autonomia

Ora aí está algo que nos deixa consolados, especialmente, as mulheres. O que nos falta em carne e osso as estátuas mostram às claras. Estou a mirar e a remirar mais esta estátua e concluo, agora entendo porque disse o sr. escultor Mestre Velosa que não havia nesta terra ninguém conhecesse melhor o Cristiano Ronaldo do que ele, porque ele mediu as pernas, os braços, cabeça, o tronco, as costas e etc. E pelo grandioso resultado terá medido também outras partes improváveis logo à partida.
O madeirense a fazer estátuas é tramado. A naquela época em que se falava da fama da Cicciolina, a famosa deputada italiana que a propósito e a despropósito mostrava os seios, tínhamos que ter um símbolo que retratasse ab aeternum uma máscula autonomia, coisa que se advinha ser mulher, mas não uma mulher que nos remetesse para algo mais efeminado, não, mulher viril, «macha-fêmea», como chama o nosso povo à mulher robusta, com jeitos próprios de homem… Então, temos ali na Praça da Autonomia a mulher desbragada, de mamas soltas, porque a Autonomia ou faz seduzir o macho madeirense ou então não serve para nada. Ultimamente tem andado meia «murchita», mas deve ser passageiro.
Em outros tempos, quando começaram os tempos loucos do milagre autonómico que semeava dinheiro por todo o lado, alguém, profeticamente, adivinhou o resultado, por isso temos, ali junto ao abandonado Madeira Palácio no fim da Ramboia a estátua do enforcado. Melhor retrato dos tempos que vivemos, não podíamos ter.
Mas, agora é que é. O Ronaldo, o melhor madeirense do mundo, tinha que revelar ali mesmo numa das entradas principais da cidade que há mais de 40 anos, o macho madeirense existe, mas anda escondido, agachado ao como no folclore, quase sem puder respirar, mas, assim de repente, bumba, pranta-lhe Mestre Velosa uma imagem ereta para o macho madeirense admirar sempre que por ali passar e o turista ver como é viril o macho da Madeira, a começar pelo bronze.
Um gozo tramado que nos faz rir imenso, mas que deve ter feito rebolar ainda mais em riso o Cristiano Ronaldo. Disso não duvido.
Bonito, foi vermos que lá estava o quase coitado povo, representado pelos principais coitados, os cangalheiros da defunta autonomia, a descerrar a estátua ereta com ar de gozo sobre o madeirense que não sabe agora para onde se virar, porque perdeu tudo, até essa maravilha da natureza de viver ereto, com dignidade perante a vida.
Mas, faltando tal maravilha da natureza, para nosso gaudio e consolo, deu Mestre Velosa extravagância à imaginação… E não é que, o que não temos em carne osso, devolve-nos em bronze o Cristiano Ronaldo, porque só ele, sendo o melhor madeirense do mundo endinheirado como ninguém, pode espetar assim à descarada nas «ventas» dos madeirenses o que lhe tem faltado durante estes anos todos.
Agora sim, temos ali o nosso David, estudado por Mestre Velosa exaustivamente. Não o David de Michelangelo, meio murchinho, mas ereto e bem ereto para mostrar ao turista que neste pedaço de terra no meio do Atlântico se erguem montanhas de falos e agora também estátuas.
Não precisa de ser algo assim tipo a Atenas Partenon nem muito menos Zeus Olympeios, porque não queremos ver ofendidos os deuses, mas espero, sinceramente, que Mestre Velosa viva tempo suficiente, para que quando o «nosso» Alberto João sair de cena, também possa esculpir-lhe a imagem sem mácula, como já se viu de tanga, a banhar-se na praia do Porto Santo e nos nossos carnavais. 
Mas, um corpo digno de Fídias, para que aí sim os tempos da Autonomia tenham os seus principais símbolos bem escarrapachados na nossa cidade. E desejamos que nessa ocasião não falte o antiste diocesano para derramar a sagrada água benta sobre tão nobre corolário da natureza e feito madeirense. Sem pobres e sem povo agachado, mesmo que seja para dançar o bailinho.
Viva o macho madeirense e viva a Madeira. 

sábado, 20 de dezembro de 2014

Desabafo em som menor

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém...
sabes de mim no sono e no sonho
calas a palavra cerce no silêncio
da água límpida que corre
nos cursos dos montes
e no rosto quando chora
a ferida da ausência para sempre

porém vemos os nomes
que não se esquecem
no breve encontro
que uma surpresa branca ditou
no momento dos sons perenes
que o teu olhar cintilou
na luz clara da amizade
do tempo e da solidão

- ah como fomos fraternos
na intensidade de uma luz
quando se partilhou um sentimento
azul incandescente
em fogo misterioso que diz
tudo do todo incompreensível
deste pesado momento
sem que se vergue sem nome
mas que se faz enorme e longe
sem ressentimento livre
na planície do silêncio
José Luís Rodrigues

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

O mistério de Deus escondido revelou-se no Natal

Comentário à missa do próximo domingo IV do Advento, 21 dezembro de 2014
No último domingo do Advento, a Liturgia intensifica o apelo à descoberta da vida plena e da salvação definitiva de Deus que nos é oferecida com a Incarnação de Jesus. O Natal é a manifestação dessa oferta.
A primeira leitura apresenta uma promessa que Deus faz ao rei David, anunciada pelo profeta Natã. O profeta garante que Deus nunca abandonará o seu povo e que o guiará sempre para a felicidade. O desejo profundo de Deus é oferecer ao seu povo a estabilidade, a prosperidade, a segurança, a paz, a fartura, a fecundidade, a felicidade para sempre. Tudo o que neste mundo provoca para o contrário indigno e desumano desta realidade está contra a vontade Deus. Por isso, o Natal quebra as correntes que amarram a humanidade no caminho da injustiça, da mentira, da corrupção, da violência e todas as desordens que põem em causa o bem e a felicidade dos povos.
A segunda leitura denomina este plano de salvação de «mistério». A palavra grega «mysterion» (Mistério) é uma palavra significativa na teologia de Paulo, ocorre vinte e uma vezes ao longo dos seus escritos. Ela refere-se ao conhecimento que vai além da compreensão de pecadores, mas, que agora tem sido graciosamente revelado por meio do Evangelho.
A própria palavra traduzida «mistério» ou «mistérios» no Novo Testamento (e estas palavras só se encontram no Novo Testamento) significa «segredo». E diante do Mistério, resta-nos o silêncio e uma verdade elementar, é mais o que não sabemos sobre a essência de Deus, do que aquilo que sabemos. Por isso, deixemos o nosso olhar interior contemplar essa realidade e isso é suficiente, para que a nossa fé encontre todo o sentido para ser útil à vida.
Neste sentido, São Paulo afirma que Deus revelou um pouco o seu «mistério» em Jesus, e, sobretudo, garante que Deus manifestou, em Jesus, a todos os povos, a fim de que a humanidade inteira integre a família de Deus.
O Evangelho mais uma vez nos atesta que Jesus faz parte da história humana, é realidade bem concreta, faz-se carne igual à nossa carne. Porém, nada disto é completamente novo, novo sim, é compreendermos que o fim deste acontecimento radica na intenção que assiste o coração de Deus que nos oferece a salvação. Mas, tudo isto acontece mediante a vontade e a liberdade dos homens e mulheres em todos os tempos quando se predispõem a dizer «sim» ao propjecto de Deus, acolher Jesus nas suas vidas e apresentar a Boa Notícia de felicidade e salvação para o mundo inteiro. Nada é feito como imposição, mas proposta livre para uma humanidade livre.
Assim, começa o Natal de Jesus que deve ser o «nosso» Natal, porque Deus não precisa de nascer, mas somos nós que devemos neste tempo fazer renascer a alma para a luz da fé e da esperança apesar das sombras negras que pairam sobre o mundo que nos rodeia. Sejamos luz que brilha pujante nos caminhos da felicidade.     

quarta-feira, 17 de dezembro de 2014

Parabéns ao Papa Francisco

O Papa Francisco faz hoje 78 anos. O maior líder mundial a todos os níveis. Esta idade é muita para percebermos como é importante para a sua grande sabedoria, mas não é a idade de um velho para nos admirarmos com a sua genica, a sua força, a sua boa disposição e a sua assertividade perante a realidade da vida e do mundo de hoje.
Vejo no Papa Francisco um verdadeiro líder, o maior do mundo neste momento, cheio de desprendimento, cheio de ternura pelas pessoas, que se expressa no sorriso e no cuidado para com todos, particularmente, os pobres, os doentes, os idosos e as crianças. Tomara que muitos líderes pelo mundo seguissem o seu exemplo e teríamos sociedades mais iguais, menos pobres e menos desamparadas. 
Debate-se com séria oposição da linha mais conservadora da Igreja Católica, mas não cede quanto à misericórdia de Deus e quanto à sua opção radicada no Evangelho pelos últimos, pelos que a lei dos homens tinha há muito colocado fora da comunhão fraterna.
É deste homem que se aprende que Deus aceita todas as pessoas, crentes ou não crentes, tal como elas são e em qualquer circunstância.
Por este meio manifestamos a nossa admiração ao Papa Francisco e invocamos a bênção de Deus para que o proteja de todas as ameaças, para que a sua graça continue a iluminar o mundo e a nossa vida com a sua palavra e o seu exemplo imprescindível. Parabéns ao Papa Francisco.

terça-feira, 16 de dezembro de 2014

O Êxodo que faz Moisés mais bondoso do que Deus

Filme
A sinopse de Exodus, do aclamado Ridley Scott, realizador de Gladiador e Prometheus, informa que este é uma adaptação da história bíblica do Êxodo, segundo livro do Antigo Testamento. O filme narra a vida do profeta Moisés (Christian Bale), nascido entre os hebreus na época em que o faraó ordenava que todos os homens hebreus fossem afogados. Moisés é resgatado pela irmã do faraó e criado na família real. Quando se torna adulto, Moisés recebe ordens de Deus para ir ao Egipto, na intenção de libertar os hebreus da opressão. Finalmente, consegue a libertação dos israelitas, após a concretização das famosas e duríssimas sete pragas contra os egípcios. No caminho, ele teve de enfrentar a travessia do deserto e passar pelo Mar Vermelho.
Destaco do filme três momentos. Primeiro, os diálogos entre Moisés e Deus. Segundo, o regresso e encontro com o seu filho e a sua mulher. Terceiro, a travessia do mar vermelho.
Obviamente, que me assaltava uma certa curiosidade para ver como o realizador do filme encenaria a figura e a voz de Deus. Imaginava que seria apenas uma voz. Mas não, enganei-me. Quando Moisés tomado pela curiosidade e com o pretexto de perseguir as ovelhas perdidas na encosta da montanha sagrada no meio de uma enorme tempestade, mergulhou pela ravina no meio do turbilhão de pedras e terras que se desprenderam, soterrado com apenas com a cabeça de fora da lama vê a sarça-ardente, ao lado uma criança, um jovenzinho, que lhe fala e confia-lhe a missão da libertação do povo hebreu. Achei interessante a representação de Deus. Deus é pequenino, é jovem um adolescente imberbe que se estabelece diálogo com a humanidade e manifestando-lhe todo o seu poder libertador. A serenidade e a paciência de Deus não podiam ser representadas por um adulto.
Os diversos diálogos que se estabelecem entre Deus e Moisés são de uma riqueza interessante. A dada altura quase que se percebe que a bondade de Moisés parece ser maior do que a de Deus. Curiosa é também a impaciência de Moisés, que ralha com Deus e insulta-O por ter permitido uma escravidão de 400 anos. Nisto aprendemos que o tempo de Deus nada tem que ver com o tempo da humanidade. Como escreveu Santo Agostinho, «Existem duas vontades: a tua vontade deve ser corrigida para se identificar com a vontade de Deus; e não torcida a de Deus para se acomodar à tua». Esta luta é a de Moisés, mas também tem sido a da humanidade em todos os tempos. Por aí essa conjugação nem sempre tem andado com as agulhas acertadas. Esta é a luta da fé.
O segundo momento que considero brilhante do filme, está naquela ocasião do regresso de Moisés à tribo onde ele tinha sido acolhido e onde se casou com uma hebreia, chamada Séfora, (María Valverde), deste casamento nasceu um filho. No diálogo ternurento sobre a fé que se segue entre ele e a esposa sobre a fé, Moisés, pergunta se ela renegou a sua fé, ela responde que nunca. «Ainda bem», responde Moisés, «vais precisar dela a partir de agora mais do que nunca». A Câmara faz um travelling extraordinário e revela-nos a grande multidão de pessoas que seguem Moisés sobre a encosta que os rodeia.
Finalmente, destaco a cena espectacular da travessia do Mar Vermelho. O abaixamento da maré até ao ponto de ficar enxuto o fundo do mar até estar adequado para atravessar a multidão e depois quando finalmente todo o povo já está na outra margem, o exército do Faraó Ramsés é literalmente engolido pela soberba junção das águas.
Um filme entre os vários que já existem sobre o mesmo assunto, que considero ser o melhor que vi. A todos os que puderem não dispensem uma ida ao cinema por estes dias para ver este filme interessante: «Exudus, Deuses e Reis». Ao menos desanuvia do «êxodo» folclórico que algum Natal vai apresentando por aí.
Elenco: Christian Bale (Moisés); Aaron Paul (Josué); Sigourney Weaver (Tuya); Joel Edgerton (Ramsés); Indira Varma (Miriam); Ben Kingsley (Nun); John Turturro (Seti)…

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

Papa Francisco recusa encontro com Dalai Lama

Estão algumas vozes lacrimosas a confessar a sua desilusão em relação ao facto de o Papa Francisco não se ter encontrado com o Dalai Lama no Vaticano, que segundo as informações que estão a circular, este pediu uma audiência ao Papa e não lhe foi concedida. Adiantam as notícias que tal se deveu ao peso do gigante chinês e que por medo ou outra razão de política puramente mundana justifica, a administração do Vaticano, que o encontro não se realize.
Não sou assim tão linear. Compreendo as razões invocadas. Só quem tem acompanhado o sofrimento da Igreja Católica chinesa, que se suspeita reunir cerca de 100 milhões de fiéis ao Papa e que vivem a sua religiosidade na mais profunda clandestinidade. A Igreja controlado pelo Estado Chinês rodará os 12 milhões de fiéis. Face a isto e tendo em conta a imprevisibilidade desmedida das reações das autoridades chineses, mais ainda a perseguição que movem continuamente contra os católicos que obedecem a Roma, compreendo que o Papa Francisco não tenha recebido o Dalai Lama e que consequentemente não receberá nenhum laureado com o Nobel da Paz presente nesta cimeira de Roma.
Sempre que uma autoridade ocidental recebe o Dalai Lama, provoca enorme irritação ao poder chinês, ainda mais seria se o Papa Francisco recebesse o Dalai Lama e o acentuar da perseguição religiosa contra os católicos chineses fiéis a Roma poderia ser ainda mais feroz. É preciso ter em conta toda a humanidade que sofre, mas não esquecer que a cura de uns não poder ser o preço em maior sofrimento para outros.
Obviamente que a atitude de Roma tem uma dimensão política que não se pode descurar, mas tem também uma atenção cautelosa em relação a tantos cristãos católicos chineses que sofrem na clandestinidade há imensos anos a perseguição do Partido Comunista Chinês. Neste sentido, antes de fazermos um julgamento redutor do gesto do Papa Francisco, será importante descobrir quais as verdadeiras razões. Um funcionário do Vaticano disse que a decisão do papa «não foi tomada por medo, mas para evitar mais sofrimento para os que já sofreram». Deve ser elementar ter em conta esta realidade, sem descurar de forma nenhuma a legítima e importante luta dos tibetanos pela sua autonomia e o respeito pela sua peculiar expressão religiosa.
Finalmente, se alguns consideram que o gesto do Papa é assim tão escandaloso e motivo de desilusão tão grande, que dizem ou disseram quanto ao facto desta cimeira estar a se realizar em Roma como segunda escolha, porque estava prevista inicialmente para a África do Sul, mas o governo sul africano recusou o visto ao Dalai Lama... 

sábado, 13 de dezembro de 2014

Poema em retrato

Para o fim de semana. Sejam felizes sem prejudicar ninguém...
tu que nos vês no silêncio
frio que os matizados
traços atestam
numa solidão
sorridente e solene
mesmo que o ambiente
seja tosco
 e feio de tudo
mas nesse momento
sorriu o enigmático rosto
com todo gozo
da alma que busca
a serenidade de um olhar
que se perde e encontra
entre as mãos cruzadas
da ternura invisível
de uma mulher
que se reflecte
em luz
e brilho refulgente
em cada manhã
que desperta
de Deus para nós
José Luís Rodrigues

sexta-feira, 12 de dezembro de 2014

O juízo final segundo Alberto João Jardim

Eis a surpreendente mensagem enigmática, mas contundente, que o Alberto João deixou na Assembleia Regional da Madeira aos delfins concorrentes à liderança do seu partido. O contexto não parecia ser o mais apropriado para a citação, mas lá veio aquele momento de catequese enternecedora no fim do discurso de encerramento do debate sobre o Orçamento Regional da Madeira para 2015. A citação foi tirada do Evangelho de São Mateus 25, 31-46. A meu ver revela que o seu reinado ao chegar ao fim acarreta um drama terrível para o próprio. Nesta mensagem sobre o «Juízo Final», há «ovelhas» e «cabritos» ou «bodes» pelo meio, cada um que faça a devida destrinça. Os delfins devem ter a cabeça a andar à volta.  

«31*«Quando o Filho do Homem vier na sua glória, acompanhado por todos os seus anjos, há-de sentar-se no seu trono de glória. 32*Perante Ele, vão reunir-se todos os povos e Ele separará as pessoas umas das outras, como o pastor separa as ovelhas dos cabritos. 33À sua direita porá as ovelhas e à sua esquerda, os cabritos. 34O Rei dirá, então, aos da sua direita: 'Vinde, benditos de meu Pai! Recebei em herança o Reino que vos está preparado desde a criação do mundo. 35Porque tive fome e destes-me de comer, tive sede e destes-me de beber, era peregrino e recolhestes-me, 36estava nu e destes-me que vestir, adoeci e visitastes-me, estive na prisão e fostes ter comigo.' 37Então, os justos vão responder-lhe: 'Senhor, quando foi que te vimos com fome e te demos de comer, ou com sede e te demos de beber? 38Quando te vimos peregrino e te recolhemos, ou nu e te vestimos? 39E quando te vimos doente ou na prisão, e fomos visitar-te?' 40*E o Rei vai dizer-lhes, em resposta: 'Em verdade vos digo: Sempre que fizestes isto a um destes meus irmãos mais pequeninos, a mim mesmo o fizestes.' 41Em seguida dirá aos da esquerda: 'Afastai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, que está preparado para o diabo e para os seus anjos! 42Porque tive fome e não me destes de comer, tive sede e não me destes de beber, 43era peregrino e não me recolhestes, estava nu e não me vestistes, doente e na prisão e não fostes visitar-me.' 44Por sua vez, eles perguntarão: 'Quando foi que te vimos com fome, ou com sede, ou peregrino, ou nu, ou doente, ou na prisão, e não te socorremos?' 45Ele responderá, então: 'Em verdade vos digo: Sempre que deixastes de fazer isto a um destes pequeninos, foi a mim que o deixastes de fazer.' 46*Estes irão para o suplício eterno, e os justos, para a vida eterna» (Mt 25, 31-46).

quinta-feira, 11 de dezembro de 2014

Anúncio da luz que vence as trevas deste mundo

Comentário à missa deste domingo III do Advento, 14 dezembro de 2014
As leituras do 3º Domingo do Advento revelam-nos que Deus não se esqueceu do seu povo e que tem um plano de salvação e de vida em abundância para fazer passar a humanidade à luz da felicidade.
Logo no primeiro texto tirado do profeta Isaías, é apresentada a Boa Nova de Deus, que consiste em anunciar a esperança de um tempo novo, onde Deus fará acontecer a felicidade da salvação para todos, particularmente, para os pobres, porque estes em todos os tempos são as vítimas indefesas dos poderosos que nunca se fartam. E, obviamente, que a predilecção de Deus é precisamente para estes. A visão do profeta assinala que Deus, tudo fará para que a tristeza que se tornou o pão quotidiano dos pobres seja dissipada e venha um tempo cheio de luz que fará sorrir quem teve a má sorte de ser vítima da ganância dos dominadores das sociedades.  
São Paulo apresenta como se faz esta descoberta de Deus à comunidade de Tessalónica para que esse tempo novo possa surgir. Este apelo encaixa-se perfeitamente em qualquer comunidade esteja onde estiver em todos os tempos históricos.
Paternalmente transmite práticas, exortações, lembrando que o Evangelho não lhes foi pregado somente com palavras, mas com eficazes manifestações do Espírito Santo, que os estimulava a se tornarem imitadores do Senhor e dos Apóstolos, apesar das tribulações de cada dia. Dessa forma, eles se concretizariam como modelo para os fiéis não só da Macedônia e da Acaia, mas para todos os que creem no Deus Vivo e Verdadeiro.
O Apóstolo realça a necessidade de se progredir na busca de um maior polimento espiritual, cultivando a santidade e lembrando-lhes os seus ensinamentos de como devem viver para agradar mais a Deus, exercitando o amor fraterno, apartando-se da luxúria, tratando a esposa com carinho e respeito, sem se deixar levar pelas paixões desenfreadas do mundo.
Para São Paulo todos ressuscitarão mesmo aqueles que estão adormecidos (mortos). Ninguém sabe o momento e a hora, por isso, todos devem viver como verdadeiros «filhos da Luz» e não como «filhos das Trevas». Vivendo dignamente e permanecendo preparados para a chegada do Senhor. Paulo pregava uma cristologia que insistia na vinda iminente do Senhor Ressuscitado. Por isso, apela insistentemente: «Não apagueis o Espírito…» e aconteça o que acontecer «vivei sempre na alegria».
O Evangelho apresenta-nos João Baptista, a «voz» que prepara os homens para acolher Jesus, o salvador do mundo. A principal preocupação de João não é centrar em si próprio a atenção dos que o escutam, mas apontar para Jesus, Aquele que Deus envia ao mundo para fazer da vida uma festa que se recheia com o dom da paz e da felicidade, que se vive na liberdade, na fraternidade e no respeito para com todos os que no rodeiam.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2014

Profecia

Dia da celebração Internacional dos Direitos Humanos... Só para que não seja um dia só, mas todos os dias do ano.
«Envio-vos como ovelhas para o meio de lobos. Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas. Tende cuidado com os homens» (Mt 10, 16.

Sou enviado
Ante o incerto
Embora me prenda na vertigem
Do medo
Da vergonha.
Mas sei do que venho
Cheio de felicidade
Na Boa Nova que faço
Sentido e liturgia
Da fé.
Aí face à curiosidade do teu olhar
Prego o orvalho de Israel
Nos prados de Janeiro
Onde depois do mistério primaveril
Florirá o lírio
E lançará raízes o cedro do Líbano.
Os seus ramos serão abrigo a muitos
E serão estendidos até à maior distância do mundo.
A oliveira dirá também presente
E a sua fragrância será como o olhar feliz.
A sua sombra será bálsamo
E um abrigo.
O trigo loiro dirá
Estou pronto
Faz-me pão do amor.
A vinha generosa em cachos
Fará o vinho famoso do Líbano.
E ao alto do mundo
O cipreste verdejante
Proclamará a majestade de Deus.
E só graças ao seu aconchego de amor
Darás muito fruto. 
José Luís Rodrigues

terça-feira, 9 de dezembro de 2014

A solidariedade vai ter que mudar o formato

Plenamente de acordo...

Vou dizer uma coisa devagarinho mas antes salvaguardo, gosto de solidariedade, quero solidariedade, deve existir solidariedade para colmatar a cegueira dos poderosos, deve haver gente que se dedique à solidariedade, eu sou solidário mas, o formato vai ter que mudar. O actual vai se tornar contra-producente... E eu entendo a pressão sobre as instituições de solidariedade.
"Toneladas" de pessoas dedicadas à solidariedade, entrincheiradas à porta dos supermercados, é contra-producente e explico. Há gente que tem o mínimo para comer e que vai ao supermercado; há gente que gere o orçamento comprando aos poucos, conforme precisa, para gerir o dinheiro pelas necessidades imperiosas; há gente que está farta de não poder entrar tranquila num supermercado tendo já contribuído ou não o podendo fazer.
A solidariedade já está com os métodos das operadoras móveis ou de serviços de internet e roçam algo que não é solidariedade, nem respeitam a boa vontade das pessoas nem da sua decisão. Andam no "tem que dar à força". Este país pode não ter mais para dar, já pensaram nisso? Este país já não aguenta mais. Toda a solução passa pelos que trabalham, desde os impostos até à solidariedade... Acham que continua a haver o mesmo dinheiro nas algibeiras?
Vai suceder o seguinte, a solidariedade vai ser castigada, porque com a violência de angariar para dar, terão os hipermercados a notar que já há pessoas a dar meia volta e a desistir, para não passar pelas trincheiras da solidariedade à porta dos supermercados. Fica tudo gravado nas câmaras de vigilância. As pessoas topam e disfarçadamente dão meia volta. As pessoas sentem-se agredidas no seu espaço pessoal e na sua capacidade ou não para decidir. Elas também sofrem em silêncio e andam revoltadas.
Quem desejar ouve, quem desejar crítica, mas não se esqueçam que vai acontecer. Dá-se menos porque não temos mas também se pode dar menos pela contínua agressão.
Com a devida vénia de um grande amigo facebookiano 

domingo, 7 de dezembro de 2014

A pastoral do segredo

Caros amigos jornalistas, durante a cerimónia de inauguração da Estátua dos 500 anos da Diocese do Funchal perguntem ao sr. Bispo quanto custou a estátua, porque já o fiz no «local próprio» (como pedem que se faça), mas, como sempre, porque se vive numa bem vincada pastoral do segredo, predominou o habitual, baralharam e voltaram a baralhar e nada para ninguém. Há mais um segredo à vista. Embora ache que está escondido com o rabo de fora.
Ainda respondi que não era honesto não ser público quanto ia custar a estátua e andar a pedir esmolas para esse fim. Prevaleceu a igrejinha piramidal, nós (alguns pretensamente iluminados sentados no topo da pirâmide)  é que sabemos. A vocês compete rezar, calar e dar esmolas. Ai como estamos ainda longe, muito longe, da Igreja do Papa Francisco de onde sobressai a sobriedade, a simplicidade, a transparência e a provocação para o debate dos mais diversos pontos de vista. Diz o Papa, que é bom e saudável que as diferenças e as resistências se expressem.
Alguns para mais esta inutilidade mobilizaram-se entusiasticamente, mas para a proposta de se criar um espaço para os sem abrigo para comerem com alguma dignidade, foi zero, caiu em saco roto, exactamente como tantas outras propostas que sempre vou apresentando.
É pena que deste ano das celebrações dos 500 anos da Diocese do Funchal não fique um sinal forte e bem visível de algo que marcasse uma atenção especial em relação aos mais pobres. Fiz ver que um espaço para acolher os sem abrigo da cidade podia ser um excelente sinal do ano das comemorações dos 500 anos da Diocese do Funchal. Acharam boa ideia, mas prática, zero... Esquecimento total. Vamos a estátuas que enchem mais o olho, servem melhor para regozijar o ego e animar a festa.
Pelo segredo e pelo incómodo que causou a singela pergunta que coloquei no tal local, estou desconfiado que esta estátua custará uma «pipa de massa». Pergunta final: será oportuno nestes tempos absurdos de pobreza grave, andarmos entretidos a erguer estátuas, mesmo que carregadas de legitimidade, quando há pessoas despejadas nos recantos da frieza da rua, falta pão na mesa de tantas famílias madeirenses, dinheiro para comprar remédios e outros bens essenciais?
Caros jornalistas, não se esqueçam destas questões... Porque, sinto-me triste quando penso nelas.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2014

O egoísmo e o culto do só eu

É soberbo constatarmos que se generalizou a mentalidade do «eu» contra os «outros». O nosso ensino não está ele todo assente na concorrência, na pressão psicológica para vencer na vida a todo o custo e na pressão dos valores dos exames não pelo grau de inteligência, mas pela ditadura das denominadas notas numerais? – Dá que pensar esta escola que temos!
O egoísmo emerge da forma como a sociedade se estrutura e do modo como as nossas famílias se constituem. Segundo este singelo apreço, percebemos que o egoísmo está radicado no consumismo e no tipo de sociedade mercantilista que o mundo moderno inventou. Perderam-se totalmente os valores antigos da partilha, a eficácia do diálogo, o desprendimento dos bens e a satisfação dos sentidos com o pouco que a vida dava. Estes aspectos estão reduzidos a cinza e não estão nem por sombra presente no coração das gerações mais novas.
Ninguém hoje que se preze minimamente não pode deixar de ser dono dos seus livros comprados a preço de ouro, das suas roupas caras e de marca, do seu quarto com televisão (este é o principal bem responsável pela falta de diálogo e pelo egoísmo familiar) e todas as comodidades que a vida actual exige que cada ser humano possua. Nenhuma pessoa se imagina a vestir roupas que pertenceram a outra pessoa, as crianças e os adolescentes não se revêm nos livros e nos materiais que pertenceram aos outros. Tudo tem que ser novo e caro para que satisfaça plenamente as investidas do ego. Tudo isto pode ser grave se assumido em desmedida e soberbamente, por isso, deve fazer-nos pensar, até porque «a raiz de todos os males é o egoísmo» (Madre Teresa de Calcutá).

quarta-feira, 3 de dezembro de 2014

A conversão que edifica o bem e a felicidade

Comentário à missa do II domingo do Advento, 7 de dezembro de 2014
A missa deste segundo domingo do Advento coloca-nos diante de um desafio importante, a conversão. Isto é, é da vontade de Deus que nós nos encontremos no bem e que procuremos purificar o coração de todas as coisas que se vão instalando aí dentro e que depois perturbam a relação com os outros e a verdadeira descoberta do sentido da vida cheio de felicidade. Pela parte de Deus descobrimos a sua vontade em nos conceder um mundo novo onde impere a liberdade, a justiça e a paz. Porém, este mundo só acontecerá quando a humanidade entender que não há outra alternativa à felicidade senão esta que Deus lembra pela força da Sua Palavra.
A Primeira leitura apresenta-nos um profeta anónimo da época do exílio do povo de Deus, que garante a fidelidade de Deus, que deseja conduzir o Seu povo pelo caminho direito e livre de escolhos até à terra da liberdade e da paz. Ao povo é pedido que se converta e que se purifique do comodismo, do egoísmo, dos rancores, das vinganças e de todas as armas que conduzem à tristeza e à morte.
Na segunda leitura, temos uma passagem da segunda carta de São pedro onde encontramos uma perspectiva de fé que por vezes pode ser tentada pela dúvida, no homem que vive na história sob o peso do mal, das contradições e da morte. Mas a certeza é esta, não percamos a esperança, pois, um dia perante Deus, «é como mil anos e mil anos como um dia».
A ideia principal desta Carta narra isto, reflectindo a objecção dos que suspeitam e são cépticos ou até «escarnecedores cheios de zombaria» que perguntam: «Onde está a promessa da Sua vinda? Desde que os nossos pais morreram, tudo continua da mesma maneira, como no princípio do mundo» (2 Pd 3, 3-4). Ora, a vida mergulhada no mal e na miséria, alimenta-se pelo sonho de uma realidade nova que um dia vai surgir. Também se aprende com o poeta (Sebastião da Gama): «pelo sonho é que vamos» e de outro poeta: «Eles não sabem, nem sonham, / que o sonho comanda a vida, / que sempre que um homem sonha / o mundo pula e avança / como bola colorida / entre as mãos de uma criança» (António Gedeão, In Movimento Perpétuo, 1956).
Não percamos a vontade de construir um mundo novo à nossa volta, não adiemos esse ideal para depois da morte ou sempre para amanhã, mas que pautemos a vida no empenho na transformação do mundo e na construção de «novos céus e a nova terra onde habita a justiça» para que a missão de sermos gente se cumpra na fidelidade ao bem que em nós começou pela força de Deus. Sejamos merecedores dessa realidade.
No Evangelho, descobrimos João Baptista a convidar todos os homens e mulheres de todos os tempos a acolherem o Messias libertador. Este Messias será Aquele que manifestará a vida nova de Deus e que por isso convidará a humanidade a viver na dinâmica do amor fraterno para que ninguém fique para trás como tem reafirmado até à saciedade o Papa Francisco. Também será este Messias que oferecerá a liberdade verdadeira, porque nunca será uma liberdade fora do crivo da responsabilidade, porque requer respeito por si mesmo, pela natureza e pelos outros.
Tudo isto acontecerá, insiste João Baptista, em quem fizer um caminho essencial de conversão, de mudança de vida «velha» que fez sofrer e da mentalidade tacanha que conduz ao fechamento egoísta profundamente desumano que vai acompanhado a humanidade por todo o lado. Que não nos falte a vontade de dar uma reviravolta ao que não nos serve para que aconteça a construção da vida à nossa volta na base de valores que edificam tudo o que é necessário à felicidade.

terça-feira, 2 de dezembro de 2014

A pobreza da iluminação no Funchal

Também já andei a apreciar a tão falada iluminação no Funchal para este Natal - 2014. As imagens falam por si. Apreciem e digo o que pensam. Papa mim uma tristeza como está tanta gente a dizer. Até nisto conseguiram tirar-nos a alegria, a cor, a beleza que sempre engalanou o Funchal nesta quadra natalícia. É pena.