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sexta-feira, 2 de janeiro de 2015

A lição de um pobre

Sei que este tema irrita alguns. Mesmo assim não desistirei dele. A luta contra a pobreza não pode parar.
Como seria o mundo se todos nós acolhêssemos Jesus nos pobres? - Muito diferente por sinal, creio firmemente...
Há muitos anos, vi um homem que passava em frente da minha casa. Ele parecia cansado, sujo, tinha as roupas em mau estado. Caminhava encurvado. Fui à cozinha, peguei num litro de leite, preparei um sandes e corri pelas escadas para alcançá-lo.
- Tome – disse-lhe eu. E sorri com amabilidade.
O homem pegou o sandes, deu uma mordidela, olhou para mim e, de repente, começou a chorar.
- Eu estava com fome – gemia ele, no meio da sua dor.
Isso comoveu-me profundamente. Desde aquele dia, tento não negar nada a quem me pede alguma coisa para comer.
Todas vezes que chove, penso neste homem que mora na rua, e em muitos como ele, que não têm um teto, que estão se molhando e passam fome, frio.
Na verdade, já descuidei Jesus em tantos pobres...
Penso neles, mas é muito pouco o que faço.
Imagine como seria o mundo se todos nós acolhêssemos Jesus nos pobres.
Na segunda-feira passada, caiu uma forte chuva. Foi dessas que golpeiam com força as paredes de casa, como se estivessem chamando a nossa atenção.
Eu estava dormindo e acordei pensando que deveria verificar se o quintal estava inundado. Então, lembrei-me desses pobres, homens e mulheres, que se molhavam por não ter um teto, um abrigo.
Dormi novamente e sonhei que caminhava acompanhado por uma pessoa.
Era um jovem vestido de branco. Chovia e nós estávamos nos molhando.
Ele levou-me a um edifício que estava desocupado. 
- É aqui, repare – disse-me ele.
Olhei através de uma das janelas e parecia uma galeria. Estava limpa, cálida, acolhedora. Pensei em quão bem me sentiria lá dentro, no meio daquela chuva, tomando uma sopa quente.
- É para cá que você vai trazê-los – continuou dizendo o meu acompanhante. Quando chover, terão este lugar como refúgio. O nome deste lugar será “Refúgio São José”.
Acordei pensando nisto. Terá sido um sonho?
Se formos pensar bem, perceberemos que vivemos tão cómodos, sob um teto. E os outros, nossos irmãos, não têm nada.
Isto me fez lembrar daquelas palavras de São Alberto Hurtado, quando exclamava, emocionado: “O pobre é Cristo”.
Cristo vagueia pelas nossas ruas na pessoa de tantos pobres sofredores, doentes, despejados. Cristo encolhido sob as pontes, na pessoa de tantas crianças. Cristo não tem lar! Vamos providenciar-lhe um lar? ‘O que fizerem a um destes mais pequenos, é a mim que o fazem’, disse Jesus. O próximo, em especial o pobre, é Cristo em pessoa.”
Claudio de Castro, In Aleteia.org

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