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terça-feira, 13 de janeiro de 2015

O desnorte ou bacalhau com todos

Há algo de estranho na Madeira neste momento. Nada que não se esperasse. A palavra que melhor me ocorreu para designar o que vejo foi esta, o desnorte ou a expressão da indispensável iguaria culinária "bacalhau com todos". Um desnorte que alimenta ambas as facções que compõem o quadro político partidário da Madeira.
Por um lado, o partido maioritário, que governou a seu belo prazer a Madeira durante 37 anos, está desnorteado. Obviamente, que as campanhas afirmam ao contrário, está tudo certinho, unido e em caminho de "renovação".
Por outro, a oposição desnorteou-se totalmente, porque pensava que seriam favas contadas a sua subida ao poder madeirense. Que para tal bastava assistir de bancada ao desmoronar daquele que combatia, porque pelas suas convictas divisões internas até às eleições regionais estaria em caos. Reparem bem como são as divisões nos partidos, estão todos lá metidos, nenhum ficou sem um rebuçado de poder na orgânica partidária.
Ambos se enganam redondamente. E os eleitores também.
Um não está unido como aparenta nem muito menos em processo de renovação, porque se está unido não pode ser pelos lindos olhos do novo líder ou pelo amor ao bem comum dos madeirenses em geral. Se estiver em processo de renovação, acharemos esquisito porque não se torna plausível renovar com quem está dentro da mesma máquina há mais de uma década. Em política partidária, tipo como esta à moda da Madeira, os mesmos não se renovam, mascaram-se de renovação. Porque tudo se resume a sobrevivência a quanto obrigas.
Depois há uma oposição que se fixou numa palavra "mudança", onde quer meter todos os partidos da oposição sem que choque com o ingrediente que alguém elegeu ser o principal, só porque satisfaz a sua ambição pessoal. Assim sendo, porque num determinado contexto vingou, não porque apontava melhores alternativas, mas porque era diferente, precisávamos de punir quem tinha deixado de brilhar da mesma maneira desde sempre e tinha sido apanhado a usar e abusar da benevolência do povo Madeirense. Afinal, havia uma conta que era preciso pagar e isso dói a muitos.
Esta brilhante oposição, convenceu-se erroneamente que esta poção mágica chamada "mudança" podia continuar a dar vitórias sempre e em todos os contextos. Nada disso. Desnorte total para não dizer engano, que cai no ridículo frequentemente, porque insiste, insiste e insiste no mesmo menu.
Face a tudo isto, os tais renovadores ganharão isto brincando. Mas não que o mereçam e que vão fazer tudo pela Madeira e pelos madeirenses como agora travestidos de renovadores unidos apregoam, mas sim porque não há alternativas sérias e credíveis.
Se antes a apreensão era grande, hoje ainda é maior. Porque não vemos para a governação da Madeira seriedade e vamos continuar a ser governados pela fachada com notícias bombásticas sem que tenham nada de conteúdo nem muito menos qualquer alteração às condições sobejamente difíceis da vida do povo madeirense. Assim continua o desnorte que se chama bacalhau com todos.
Só espero que não nos tirem a liberdade de expressão e que a consciência da cidadania torne a nossa terra um exemplo. Se centrarmos a vida presente e futura aos saltos e baixos da política partidária a vida na Madeira será um inferno. Livrem-nos deste terrorismo.

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