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terça-feira, 24 de fevereiro de 2015

Folha amachucada

Quaresma 2015
Um professor tinha numa das turmas, um garoto muito irrequieto que implicava frequentemente com os companheiros: discutia, insultava, agredia.
Certo dia, o professor quis dar ao pequeno uma lição especial. Chamou-o, entregou-lhe uma folha em branco e ordenou: vais amachucar esta folha o mais que puderes.
O rapazinho agarrou a folha, apertou-a na mão, amachucou-a com toda a sua força. A folha ficou amolgada, vincada, feia, quase inutilizável.
Em seguida, o mestre disse ao aluno que endireitasse aquela folha: desdobrando-a com todo o cuidado e alisando-a o melhor que pudesse. O pequeno desdobrou-a e alisou-a o melhor que pôde. Mas a folha apresentava sinais das amolgadelas que sofrera. Esticou-a ainda mais, mas sempre visíveis os traços das amolgadelas.
Então o professor explicou ao aluno: recebeste a folha limpíssima e lisa. Amachucaste-a e ficou irreconhecível. Tentaste pô-la como antes, mas, não obstante o teu esforço, ficou irremediavelmente marcada. Assim acontece quando desgostas alguém por palavras ou por acções, maltratando, ferindo e esmagando. Passado algum tempo, reflectiste e arrependeste-te. Tentaste limpar essas rugas, essas manchas que puseste na pessoa que ofendeste. Arrependido, tentaste voltar ao primeiro relacionamento com a pessoa ofendida: falaste com simpatia, trataste com amabilidade, mas por mais simpático que sejas, por mais desculpas que peças, por melhor que te comportes, as marcas das tuas ofensas continuam a fazer sofrer quem foi ofendido e a ti próprio que injustamente e ingratamente feriste. Folha amolgada nunca mais será igual...
Mário Salgueirinho

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