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sexta-feira, 6 de março de 2015

A discrepância da lei

É deveras doloroso que o sistema democrático, o melhor entre os piores que as sociedades já experimentaram, esteja, hoje, a nos deparar tanto descrédito dos agentes políticos que o compõem. É um drama que tal antipatia resulte da falta de respeito da aplicação da lei, porque é deveras incompreensível, que os mesmos que a produzem sejam os primeiros a fugirem, a contornarem e a aplicarem a lei de acordo com as suas conveniências.
Outro dado radica na corrupção. É dramático que sejam os agentes políticos eleitos pelo povo, os que mais falam de equidade na aplicação da lei, na transparência dos agentes políticos e no combate à corrupção, mas na realidade, sejam estes os primeiros a subverteram tudo o que defendem quanto a esses aspetos.
Outro dado prende-se com o desplante que muitos deles assumem perante a verborreia de mentiras perante o que vão fazer, mas chegando aos cargos mantêm todos os privilégios que criticaram e as mordomias que a conveniência de algumas leis absurdas feitas à sua medida ainda lhes confere. São surdos, cegos e mudos perante a injustiça de rendimentos duplicados e outras trapaças que só quem é zarolho não reconhece ou anda a leste de tudo o que se passa de injustiça e de maldade dentro deste sistema democrático, que o grande estadista inglês Winston Churchill, considerou ser «a democracia a pior forma de governo imaginável, à exceção de todas as outras que foram experimentadas».
E face à aplicação da lei no que está relacionado com o Fisco e a Segurança social é caso de trazermos à liça de lembrança a frase do Padre António Vieira: «Não são ladrões apenas os que cortam as bolsas. Os ladrões que mais merecem este título são aqueles a quem os reis encomendam os exércitos e as legiões, ou o governo das províncias, ou a administração das cidades, os quais, pela manha ou pela força, roubam e despojam os povos. Os outros ladrões roubam um homem, estes roubam cidades e reinos; os outros furtam correndo risco, estes furtam sem temor nem perigo. Os outros, se furtam, são enforcados; mas estes furtam e enforcam» (In Sermão do Bom Ladrão, Padre António Vieira).
Neste âmbito não nos demitamos de responsabilidades. Somos cidadãos. Amamos a democracia, este sistema que nos coloca no centro das decisões, por isso, consideremos seriamente e façamos tudo o que esteja ao nosso alcance para que a sociedade se organize na igualdade imprescindível para a paz pessoal e social, na liberdade responsável e na fraternidade que conduz o nosso mundo à beleza e grandeza da vida. Pensemos e consideremos seriamente para meditação: «O que me preocupa não é o grito dos maus. É o silêncio dos bons» (Matin Luther King).

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