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quinta-feira, 12 de março de 2015

A radicalidade da luz quando brilha no amor

Comentário à missa domingo IV Tempo da Quaresma, 15 de março de 2015
 O amor de Jesus consagrou-nos para a vida ressuscitada e gloriosa. Nisso está a descoberta do sentido da vida, não só para o «já» da existência, mas também para o «ainda não». Para o presente e para o futuro.
As nossas teimosias, o egoísmo, a soberba e a constante tendência para os rancores muitas vezes por coisas de nada do quotidiano, podem ser trevas terríveis, que cada um deve saber identificar para melhor ultrapassar e não molestar o sentido da vida nem pôr em causa a relação fraterna com os outros. Tem razão Shakespeare quando diz: «o rancor é como tomar veneno e esperar que o outro morra». Este caminho pode ser causa de infelicidade e de morte para tanta gente à nossa volta.
A descoberta do «grande amor de Deus por nós» deve levar cada um a acabar com a prática das «más acções». Porque Jesus pretende aplicar uma verdadeira ruptura com todo o sistema que oprime e mantém o mundo coberto de trevas, isto é, envolvido na injustiça, na fome, nas doenças e todo o género de calamidades que ferem a dignidade humana e que tantas vítimas inocentes vai semeando no mundo envolto ainda no ódio.
Os fariseus actuais, ditos muito crentes em Deus, mas envolvidos em instituições carregadas de poder, alienam e marginalizam, porque se fecham à verdadeira acção de Deus, manifestada pela mão misericordiosa de Jesus. Não sabem o que é o amor incondicional. Porque não sabem, continuam a condenar e a não saber fazer a verdadeira destrinça do bem e do mal. Tornam-se, por isso, contrários ao Reino do amor e continuam teimosamente no sem sentido da vida de modo que a própria acção de Jesus e o testemunho de todos os discípulos não conseguirão demovê-los dos seus doentios preceitos e regras desumanas.
Muitos são os caminhos contra a vida que Jesus destemidamente enfrenta. A sua acção desmascara totalmente todos os que se acham mais do que os outros e mostra que o acesso à vida plena passa pela radical entrega humilde e sincera à causa do amor manifestada pela Sua Acção e aqui, de modo especial, manifestado pelo grande Apóstolo São Paulo. As trevas deste mundo e a alienação nunca podem levar a melhor diante do mais elevado testemunho sobre Aquele que diz ser: o caminho, a verdade e a vida. Por isso, deixemos o nosso coração ser digno para dizer: «a luz veio ao mundo e foi muito o nosso amor por ela». Deixemos que a luz nos ilumine a vida toda.

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