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sábado, 6 de junho de 2015

Cristo e o corpo

Porque entre nós amanhã é dia de «Corpus Christi»... Sejam felizes sempre sem nunca prejudicar ninguém.
«Isto é o meu corpo» (Mc 14,22)
Eis a entrega da única riqueza
a maior fortuna
vida feita doação,
dom que se oferece
no altar do coração
sacrário de cada corpo
animado pelo fermento da vida.

É pão carregado de humanidade
no corpo divino feito carne
irrigado pelo vinho consagrado
sangue da alegria
que na fraternidade faz a festa
que liga céu e terra
no abraço da comunhão solene do amor.

Corpo de Cristo são todos
os homens e mulheres
da humanidade inteira
partida em pão de cada dia
para que todos comam
o amor solidário
e real da festa da vida.

Corpos… amor… respeito… doação…
no encontro com o outro
traduzido na densidade de cada palavra
significada pelo vento que faz ecoar
olhar… valorizar… respeitar… amar... cuidar…
o nosso corpo e o corpo do outro
para que se faça sentido ao discorrer do tempo
«Corpo de Cristo»… «unidade»… «comunhão»…
partido e distribuído como «pão»
misteriosamente como alimento.

E assim há e haverá eternamente
um corpo eucaristia que é oferta como dom
que cura – corpos doentes
que ama – corpos desamparados
que perdoa – corpos pecadores
que abençoa – corpos desorientados
que encoraja – corpos desesperados
que alimenta – corpos esfomeados
que protesta – corpos que roubam
que recusa – corpos que exploram
que dá vida – aos corpos mortos…

Este é o corpo entregue
vida toda e inteira
que comunica e faz crescer
a exigência como alimento
diante de todas as formas de morte
e de toda a fragilidade do mundo
porque irrompe na grandeza divina e humana
contra toda a violência da injustiça
deste mundo sem amor
e perdido no desencanto da solidão.

Eis o corpo em corpo destravando os corpos dos outros
porque grita vida nova «jovem, levanta-te»
porque diz contra o poder deste mundo desumanizado
«covil de ladrões»; «fariseus hipócritas»;
«túmulos caiados» e «ai de vós»…
os das aparências dos «corpos» que desprezam o interior
que forma o «Corpus Christi» na cosmovisão do futuro
onde haverá a humanidade reconciliada
em fraternidade na longa mesa do banquete
onde haverá pão e palavra em abundância
para todos os corpos no corpo eterno de Deus.
José Luís Rodrigues

4 comentários:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luís Rodrigues, Amigo e Irmão, é essa a Igreja que eu acredito. É essa que é continuação do SERMÃO DAS BEM AVENTURANÇAS, que vai do Mar à Serra. Não gosto de JESUS em custódia ou em sacrários, gosto de vê-lo nesse lindo Poema, que hoje fez, em comunhão com os que mais sofrem nas prisões, nos hospitais, nos desnudados, nos sedentos e nos famintos. JESUS encontra-se nos nossos rostos sofridos e abalados por estas "economias assassinas".

M.H. R.M. disse...

São também estes o Corpo e o Sangue que sempre procurei e procuro, como alimento da minha vida.Sou católica apostólica romana.
Sou de há muito sua seguidora. Se me permite e respeitando todos os seus direitos, partilharei este seu poema maravilhoso numa mensagem deste Dia do Corpo de Deus, em www.pretobrancoe.blogspot.com.
Bem haja, Padre José Luís Rodrigues, por tantas verdades que tem a coragem de divulgar!

José Luís Rodrigues disse...

Muito grato M. H. R. M. Esteja à vontade...

José Luís Rodrigues disse...

Caro amigo Angelo...
Muito grato pela sua atenção que vai dando ao blog. Seja bem-vindo sempre com os seus clarividentes comentários. Acrescentam-me muito. Um abraço.