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quinta-feira, 11 de junho de 2015

Viver pela fé

Comentário à missa do domingo XI tempo comum, 14 junho de 2015
O Cristão, homem e mulher, são feitos da massa da esperança. São Paulo utiliza a palavra fé para designar essa condição do cristão. Porque estamos ainda neste corpo, nesta vida terrena, distantes do Senhor da vida verdadeira, "caminhamos pela fé" até ao dia em que seremos chamados a tomar parte na vida verdadeira, que não se encontra aqui neste mundo, mas no lugar de Deus, aquilo que a catequese designa como sendo o céu.
O ponto crucial da vida cristã radica na descoberta da fé. A fé, é uma só e acontece na vida de uma pessoa de forma mais intensa ou menos intensa, mas nunca pode estar votada para a simples privacidade ou pior ainda, é um assunto que só tem a ver com a dimensão pública, porque se manifesta de uma forma determinada. Assim sendo, entende-se que a fé, é uma realidade interior da pessoa que está para a vida toda. Uma pessoa de fé deixa envolver todo o seu viver mediante o caminho da fé.
Ninguém que se diga crente, pode num determinado momento da vida afirmar que agiu segundo a sua fé, mas noutro agiu segundo princípios estritamente humanos ou racionais. O assunto da fé é demais importante para ser algo que se usa e abusa quando nos convém apenas. Por isso, pretender reduzir a fé a um mero assunto privado sem nenhuma incidência prática e pública, redunda num profundo disparate. Porque a fé, vive-se em todos os lugares da vida e não apenas dentro de determinadas conveniências pessoais ou muito menos mediante interesses puramente materialistas. Por exemplo, quando a desgraça nos bate à porta ou quando se pretende prejudicar os nossos próximos. A fé não alimenta instrumentalizações nem se conjuga com interesses intimistas ou de ordem fanática.
Mas repare-se ainda no que nos ensina S. Tiago: "Meus irmãos, se alguém diz que tem fé, mas não tem obras, que adianta isso? Será que a fé poderá salvá-lo?..." E mais ainda acrescenta: "Assim também é a fé: sem obras, está completamente morta" (Cf Tia 2, 14-17). Ou a como a partir daqui formula o Papa Francisco confirma-o: «Uma fé que não dá fruto nas obras não é fé».
A convicção do Apóstolo prova-nos que a fé não pode obedecer de forma alguma à dicotomia privado e público a que se pretende remeter a fé.
Porém, vivemos num tempo onde alguém se atrever a confessar a sua fé ou a falar de religião no seu trabalho, nas escolas e nas ruas é logo atacado, mal interpretado e distorcido. Não se pode afirmar valores desta ou daquela religião porque os ambientes são adversos a tudo o que inspire religiosidade.
Por isso, o Papa Francisco esclarece-nos quanto ao verdadeiro conteúdo que deve nortear o caminho da nossa fé: «a fé é um encontro com Jesus Cristo, com Deus, e dali nasce e leva ao testemunho. É isso que o Apóstolo quer dizer: uma fé sem obras, que não envolva, que não leve ao testemunho, não é fé. São palavras e nada mais que palavras».
Estamos num tempo onde parece não existir lugar para a fé. Mas, nunca a fé foi tão necessária como hoje, porque, afinal, o tudo pronto à mão de semear nas prateleiras dos «templos» do consumo de hoje, que a sociedade oferece, não conduz à salvação, muito menos revela qual é o caminho da felicidade.

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