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segunda-feira, 20 de julho de 2015

Antes de falar é preciso ver todos os pontos da questão

O que acontece à Grécia é grave de mais para não estarmos bem cientes...
Após a leitura do fim de semana dos jornais, retenho e destaco aqui esta crónica de José Pacheco Pereira. Dada a sua relevância e importância, convém que estejamos bem cientes de quais são os mecanismos de pensamento que orientam hoje os líderes europeus e como os interesses partidários, pessoais e de grupo estão a comandar os destinos da Europa, contra as mais elementares regras democráticas e contra a vontade dos povos.
Ontem visualizei na RTP1 o belíssimo filme «Na terra de sangue e mel», filme escrito e realizado por Angelina Jolie, retrata uma história de amor destroçado pelo peso terrível que a guerra representa para as pessoas comuns, cujas vidas são profundamente abaladas por circunstâncias que não puderam prever e sobre as quais pouco ou nada podem fazer.
É desta guerra que se conta às portas da Europa uma brutalidade impressionante gerada pelo ódio entre povos, que se revela na mortandade indiscriminada, na violência sexual contra as mulheres e em toda a barbárie que o filme magistralmente descreve, mas que, obviamente, na realidade ainda deve ter sido mais brutal e cruel. 
A Guerra da Bósnia que arrasou e dividiu a Região dos Bálcãs nos anos 90, “In the Land of Blood and Honey” conta a estória de Danijel (Goran Kostic) e Ajla (Zana Marjanovic), duas pessoas em lados opostos de um brutal conflito étnico. Danijel, um militar Sérvio, e Ajla, uma prisioneira Bósnia presa em um campo de prisioneiros, se conheciam antes do conflito. Poderiam até ter sido felizes juntos, porém o conflito armado tomou conta de suas vidas, fez seu relacionamento ficar sombrio, tornou sua ligação ambígua e suas lealdades incertas. “In the Land of Blood and Honey” retrata o dano físico, moral e emocional que a guerra exerce sobre os indivíduos, e as terríveis consequencias que a falta de vontade política pode gerar em uma sociedade paralisada por um conflito. À medida que via o filme, pensava, com preocupação, não estamos livres de ver tudo isto outra vez na Europa ou às portas dela.
Para além do texto na íntegra, que pode ser lido AQUI, destaco o seguinte: 
«Muitas das propostas gregas logo de início eram bastante moderadas (recordam-se de como os fans de Dijsselbloem disseram que os gregos tinham vergado como Hollande…), mas a perigosidade evidente de um governo como o do Syriza obter qualquer ganho de causa era inaceitável para governos como o português e o espanhol, e era uma bofetada para os socialistas colaboracionistas. A questão nunca foi conduzir bem ou mal as negociações, mas o facto de, por imposição da Alemanha, se ter sempre decidido que não havia acordo com os esquerdistas do Syriza» (...).
«Os alemães e os seus acólitos tinham um programa de humilhação, com um acordo que foi afinal escrito pelo Syriza a branco, para eles o reescreverem a preto. O acordo com a Grécia, na realidade um diktat, só tem uma lógica: obrigar os gregos a engolir tudo o disseram que não desejavam. Não tem lógica económica, nem financeira, tem apenas uma lógica política de humilhação. Querias isto? Pois levas com um não-isto. Foi assim que foi feito o chamado acordo.
É uma exibição brutal de poder, que coloca a Grécia a ser governada de Bruxelas e Berlim, por gente que vai decidir os horários das lojas ao domingo, quem pode ter uma farmácia, como funcionam as leitarias e as padarias, e quem pode conduzir ferrys para as ilhas. Mas há mais: são revertidas decisões constitucionais de tribunais gregos e, como em Portugal se fez, mudanças legais para acelerar despejos, expropriações, falências e para retirar aos trabalhadores direitos sindicais e de negociação».
Tudo isto é seriamente grave...

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