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terça-feira, 4 de agosto de 2015

Quando a rádio é uma escola


Uma das minhas primeiras paixões, foi sem sombra de dúvida a rádio. À luz da lanterna a petróleo escutava atentamente os parodiantes de Lisboa, as radionovelas, que delas guardo ainda na memória toda a aquela dicção perfeita das palavras bem pronunciadas e toda a graça que daí advinha para aquecer os dias sombrios e mergulhados na mais densa saudade inquietante. Aí na profundidade das cerejeiras ora cheias de folhas ora feitas pau seco a se prepararem para o novo ciclo dos frutos vermelhos, ouvia rádio nos tempos que sobravam entre o roçar da erva para alimentar as cabras e a lenha que se buscava pelas serras dentro para fazer o fogo debaixo das panelas para cozinhar os alimentos. Esse ambiente alegrava-se com rádio, que me ensinava que havia um mundo grande para se conhecer, havia música por todo o lado e não podia faltar pessoas importantes ligadas a todos os ramos da existência para partilharem o seu saber e a sua experiência. A Rádio foi para mim a minha primeira escola e logo depois os livros emprestados pela biblioteca itinerante da Gulbenkian. Bom, mas por tudo, um muito obrigado à Rádio Antena 1 por tudo o que fez despertar em mim e pelo que me sugeriu para eu procurar nas encostas do mundo e da vida. Parabéns à Antena 1 pelos seus 80 anos.

4 comentários:

Paulina Ramos disse...

"Aí na profundidade das cerejeiras ora cheias de folhas ora feitas pau seco a se prepararem para o novo ciclo dos frutos vermelhos, ouvia rádio nos tempos que sobravam entre o roçar da erva para alimentar as cabras e a lenha que se buscava pelas serras dentro para fazer o fogo debaixo das panelas para cozinhar os alimentos. Esse ambiente alegrava-se com rádio, que me ensinava que havia um mundo grande..."

Identifico-me com o cenário que descreve.

Na encosta da serra, ora rodeada de neve ora de um sol intenso que tornava douradas as imensas cearas que se estendiam pela Cova da Beira, ouvia-se rádio.

Foram as palavras bem pronunciadas e o seu significado que despertaram em mim a paixão pelo saber, pelo conhecimento na primeira pessoa, pela vivência, e isto será a única coisa que ninguém nos poderá tirar é esta a maior riqueza de um ser humano, e também a minha.

Gostei, muito mais do que as palavras o possam expressar, desta sua dedicatória.

José Luís Rodrigues disse...

Que grande e bonito o seu comentário. Obrigado pela sua partilha desta paixão comum que nos despertou para o mundo. Sempre a rádio... Companhia que ao contrário de outros meios de comunicação deixa-nos fazermos outras coisas.

Paulina Ramos disse...

"Companhia que ao contrário de outros meios de comunicação deixa-nos fazermos outras coisas."
No meu trabalho tenho por companhia a rádio... audível apenas para mim (há pessoas que não sentem este fascínio) permite-me trabalhar, faz-me sentir acompanhada.

Obrigada pelas sua palavras, grandiosa foi a sua mensagem.

Maria de Fátima Falcão e Silva disse...

A rádio é a minha grande paixão. Comecei a sentir a importância da rádio, quando lá em casa todos soltavam gargalhadas a ouvir os Parodiantes de Lisboa. Ainda hoje considero que os seus sucessores, os novos Parodiantes, são o melhor humor que se pode ouvir na rádio. Mas, também me recordo do programa "Quando o Telefone toca", de Matos Maia. "As noites longas do FM Esréreo", "Pão com Manteiga", "Café Concerto" e tantos outros...