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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Já chegamos à Madeira

Ganhou quem estava previsto ganhar, a coligação Pàf. Foi pena não terem sido vencidas as sondagens, exatamente como desejei e procurei contribuir.
Não venham agora dizer que o povo é masoquista, não serve nesta hora inventar eufemismos para justificar derrotas ou ganhos. A democracia é assim mesmo, ganham uns perdem outros. Os eleitores são soberanos. Mais ainda de nada contribui inventar análises que justifiquem esta ou aquela opção do eleitorado, só porque não está de acordo com a nossa opção ou a que desejamos mais que tivesse acontecido. A maturidade democrática mede-se pela capacidade de acolher a decisão da maioria. Desta vez, como tem sido nas outras, comigo, será novamente assim.
Porém, não me livro de olhar o que aconteceu ontem a partir desta análise que a minha atenção me provoca. Agora podemos também a partir da Madeira saborear com um certo gozo o que aconteceu lá para os lados do Continente. Não foram as poucas vezes que durante 40 anos do lado de lá do Atlântico fomos considerado um povo imbecil, só porque foi votando consecutivamente no PSD do Alberto João. Bastava entrar nalgum táxi em Lisboa para ouvir impropérios contra a Madeira, porque votava sempre no mesmo.
Tudo isto para perguntar-se o seguinte: e agora Portugal Continental? Em quem votaram? – Nos mesmos, aqueles que prensaram durante 4 anos o povo português com uma austeridade desumana, que deixava boquiaberta a Troica, que considerava não ser necessário espezinhar tanto.
A questão a meu ver é esta, a maioria votou sob um engano, colocassem coligação PSD/CDS e logo veríamos este partidos seriam cilindrados. O engano estratégico resultou. Porém, obviamente, que tudo isto deixa perplexos os cidadãos mais conscientes e informados sobre todas as questões da governação e mais ainda deixa estupefacta a opinião pública europeia, especialmente, aqueles países que foram intervencionados como nós, mas que na hora da verdade manifestaram o seu desgosto nas urnas imprimindo outras opções de governação, alguns deles até bem radicais e surpreendentes. Pois então, estúpida e imbecil era a Madeira. Não consideram irritante e insultuosa a expressão: «Já chegamos à Madeira»? Agora sim, podem aplicá-la por aí, porque face a este contexto só nos faz sorrir de gozo.
Nisto tudo a maior derrota vai para o nosso país e o seu povo, que faz isto mergulhar na instabilidade. Aliás, nada que nos venha a surpreender, o país fica como está a maioria dos portugueses, que há muito experimenta a instabilidade derivada dos pesados sacrifícios a que foi votada.
Quanto à derrota do PS, deriva da divisão interna que o norteia desde sempre e que foi intensificada desde a saída do Seguro. António Costa enredou-se na estratégia da coligação, que soube manter a chama de que quem ia ser julgado nestas eleições era o PS e o seu líder. A restante oposição ajudou à festa.
Os corvos que vivem dos tachos políticos e que não sabem fazer mais nada na vida senão andar instalados em cargos à conta dos partidos, é melhor que tenham em conta que face a este domínio conjuntural onde o vosso PS foi a vítima, com o António José Seguro, a PàF teria a maioria absoluta. Com isso então é que veríamos o quanto seria desastroso para o nosso país e para o seu povo uma governação absoluta destes Pàf’s.
Na Madeira. Nada de especial. Apenas o BE surpreende positivamente. O PSD perde pouco e o CDS muito, era mais que previsível depois de ter sido notório o terem passado a perna ao Rui Barreto. Sai José Manuel Rodrigues entra Rui Barreto. É assim a vida. O PS não descola e continua a fazer festa com pouco. 

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