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quinta-feira, 29 de outubro de 2015

Meu Deus

Toma-me pela mão;
seguir-te-ei decididamente,
sem muita resistência.
Não me furtarei
a nenhuma das tempestades
que se abaterão sobre mim
nesta vida;
Suportarei o embate
com o melhor de minhas forças.
Mas dá-me, de vez em quando,
um breve instante de paz.
E não acreditarei,
em minha inocência,
que a paz que descer sobre mim
é eterna;
Aceitarei a inquietude
e o combate que se seguirão.
Gosto de demorar-me
no calor e na segurança,
mas não me revoltarei
quando tiver de enfrentar o frio,
desde que me guies pela mão.
Seguir-te-ei por toda parte
E tentarei não ter medo.
Onde quer que eu esteja,
tentarei irradiar um pouco de amor,
desse verdadeiro amor ao próximo
que há em mim. (…)
Não quero ser nada especial.
Quero tão somente tentar
tornar-me aquela que já está em mim,
mas ainda busco seu pleno desabrochar.
Etty Hillesum (1914 – 1943): Jovem holandesa de família judaica, a mística foi voluntária no campo de passagem de Westerbork, quando começou a escrever o seu diário, em 1941. Durante os dois anos em que esteve nos campos de concentração, até à sua morte em Auschwitz, Etty expressava no seu diário as suas angústias e o seu encontro com Deus, demonstrando uma experiência espiritual, relatando o seu testemunho e compartilhando a dor dos horrores do Holocausto. Teve a oportunidade de salvar a si própria, mas decidiu compartilhar o destino do seu povo.

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