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terça-feira, 10 de novembro de 2015

A natureza da bondade e da compaixão

Não acredito que se a humanidade não fosse naturalmente boa já teria desaparecido há muito tempo. Todos dizem e eu sei, vemos e sentimos muito mais todo o mal que existe no mundo. As coisas estão todas organizadas nesse sentido, para que o mal se propague, a maldade seja regra quotidiana. Mas no meio do oceano imenso do mal, no epicentro da tragédia, no eixo da fúria e no círculo do ódio emerge uma alma boa, um homem ou uma mulher que se destacam e, por isso, nos admiramos e comovemos com a sua heroicidade ou com a luz de um gesto, de uma palavra e uma atitude que deixou de pensar em si para dar lugar ao outro.
É disto que nos esquecemos tantas vezes. Mas é com isto que podemos afirmar seguramente, a humanidade é boa. Cada pessoa pode ser desconcertantemente boa se der lugar à bondade e à compaixão.
Obviamente que o que dói nunca mais se esquece. O que é erro sobressai com mais evidência e corre veloz como uma gazela nos prados de janeiro debaixo do sol ofuscado e irrelevante pelo frio do inverno.
Sempre nos falta alguma serenidade para nos segurarmos no pensamento próprio, na convicção das ideias e dos ideais pessoais para que nos salte à vista o que está lá, mesmo que num pequeno ponto, num pequeno sinal, num gesto que entra por uma brecha por uma porta que se entre abriu.
Nada está perdido. Dizemos milhentas vezes. Mas milhentas vezes somos fracos e milhentas vezes nos contaminados com o veneno do absurdo que é a vida e o mundo. Mas nada nos é mais certo do que isso, a humanidade há muito que teria desaparecido se fosse a sua propensão naturalmente boa, mesmo que seja apenas e só naquela criança que verteu uma lágrima de emoção e sorriu, porque alguém veio ao seu encontro deitou-lhe nas mãos uma estrela que tinha apanhado com amor. Sejamos então reanimados na esperança sempre.

1 comentário:

Paulina Ramos disse...

Bom dia!

Um belo texto!

Um dos seus melhores, na minha opinião.

Obrigada pela partilha