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quarta-feira, 11 de novembro de 2015

A partilha está nas mãos

A partilha é a manifestação mais bela quando o coração se deixou irrigar por um sorriso de amor diante da necessidade do outro que se impõe na passagem do quotidiano da vida.
Às vezes não é fácil rasgar a veste que nos cobre o corpo e deixar-se ficar pela metade, depois de ter oferecido a outra metade ao pobre ou ao amigo que pede um sinal de partilha. A vida será mais fecunda se todos nós permitirmos que a partilha se expresse não apenas pelas vestes e pelos géneros alimentares ou outros. A partilha expressa-se pelo sorriso e pela palavra de saudação que se oferece no face a face que passa pelo caminho. Nesse entrecruzar de rostos diariamente podemos e devemos manifestar que é possível a partilha, que nessa medida se torna alimento essencial para a fraternidade e melhor ainda para percebermos que somos semelhantes, carne e osso da mesma massa. Esta luz iluminará o mundo, a vida e será o remédio seguro para a paz.
Um certo dia uma jovem estava à espera da hora do seu voo numa sala de embarque de um aeroporto. Como tinha várias horas para esperar, resolve comprar um livro para ler e não sentir tanto o tempo que tinha de espera. Também comprou um pacote de biscoitos.
Num recanto da sala de espera, encontrou uma poltrona onde podia estar reservada e em paz a ler o seu livro. Ao seu lado sentou-se também um homem. Entre os dois estava o pacote de biscoitos, ele tirou o primeiro, o homem também tirou. Ficou indignada, não disse nada e pensou para si: «este homem é um sem vergonha. Se eu tivesse mal disposta, enfiava-lhe um soco na cara que ele nunca mais esqueceria do seu atrevimento».
A cada biscoito que ela tirava, lá ia ele também e tirava um. Aquilo deixava-a cada fez mais furiosa, mas não conseguia reagir. Por fim, restava apenas um biscoito, ela pensou: «o que será que este sem vergonha vai fazer agora?». O homem delicadamente dividiu ao meio o último biscoito, deixando a outra metade para ela. Aquele gesto deixou-a ainda com mais raiva. Chegada a hora de embarque, dirigiu-se para o seu voo, quando estava sentada confortavelmente no seu assento, para surpresa sua, o seu pacote de biscoitos estava dentro da sua bolsa.
A jovem ficou muito envergonhada, pois quem estava errada era ela e já não tinha mais tempo para pedir desculpas. O homem dividiu os seus biscoitos sem se sentir indignado, enquanto ela tinha ficado fora de si. Tomei conhecimento desta história há tempos. Não tinha autor que a assinasse, achei curiosa e importante para nos ensinar que a partilha faz-se no silêncio sem nos indignarmos com o que os nossos olhos vêm, mesmo que seja uma realidade que não nos agrada.
Quantas vezes na nossa vida andamos a comer os biscoitos dos outros e não temos consciência disso? – Há sempre pessoas que procedem de modo diferente daquele que nós pensamos e esperamos. Isso até pode tirar-nos a calma e dar-nos a impressão de que ninguém gosta de nós. Quando tal acontece, manifesta que estamos ainda muito fechados sobre nós mesmos, loucos para ter o ego satisfeito e nada mais importa. Se assim andamos, é preciso transformação pessoal.
É preciso dar mais e estar menos preocupado em receber mais. Quem dá receberá cem vezes mais. O receber por acréscimo é uma realidade que está garantida naturalmente e transcendentalmente. Só assim podemos transformar o mundo, se essa mudança começar antes por nós mesmos. Partilhar é fácil. Basta que se tenha a certeza de que a alma da vida e do mundo está dentro desse simples valor. Para isso é preciso que tenhamos o coração dos outros na palma das nossas mãos.  

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