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quinta-feira, 10 de dezembro de 2015

O que fazer?

Breve reflexão para o fim de semana sobre a Eucaristia... Já vamos para o 3º domingo do Advento.
Ao decorrer o Advento vamos sendo confrontados com verbos fortes, vigiar e preparar. Temos sido convidados a acolher o desafio da partilha, com o verbo repartir. Novamente um verbo forte repartir ou partilhar, que pela voz de João Baptista aponta como dimensão essencial do Natal de Jesus. Nada mais urgente e pertinente nos tempos que correm, onde somos confrontados diariamente com necessidades de trabalho, pão e sentido de realização pessoal de tanta gente, particularmente, os jovens, que se debatem com um presente sem possibilidades que lhes faça sorrir o futuro.
O apelo de João Baptista que, já no Advento de Jesus, nos convida a repartir alguma coisa com quem nada tem. O mundo está cheio de injustiça, porque são muito poucos os que têm muitos bens para viverem na abastança, no desperdício e na riqueza desmedida; mas são muitos os que nada têm para sobreviver com a mínima dignidade, a pobreza e com ela a fome alastram de forma terrível por todos os lugares. E lá vamos nós vivendo com este escândalo, habitando um mundo que produz bens suficientes para que ninguém fosse chamado de pobre, mas não há forma de acabar com a fome, com a miséria que afecta todas as sociedades.
As políticas actuais ao invés de apresentarem medidas de protecção social e mecanismos de partilha que levassem os Estados a serem solidários e a contribuírem para acabar com a exclusão e com todo o género de pobreza, fazem precisamente o contrário, o que resta de proteção dos mais necessitados está a ser cruelmente retirado ou então a sofrer investidas taxistas nesta loucura de impostos que os governantes impiedosamente estão a levar a cabo.
O que dizer face à corrupção e ao roubo que mina a política, a justiça, o bem comum e a saudável convivência da sociedade em geral. O nosso mundo enferma por causa da ganância, do egoísmo e do desejo de enriquecimento fácil. Por isso, os roubos são uma realidade do dia-a-dia e a insensibilidade em relação ao bem comum é regra que comanda a vida de muita gente. Daí a pobreza e a exclusão social de uma multidão imensa. À luz do sermão de João Baptista, Indira Ghandi, dizia: «De punhos cerrados, não se pode apertar a mão a ninguém». Que o Advento nos abra o coração e as mãos para partilhar a vida na paz, na amizade e na fraternidade.

1 comentário:

José Ângelo Gonçalves de Paulos disse...

Padre José Luís Rodrigues o que é o Natal se não for tempo de Esperança, de Generosidade, de Partilha e de Fraternidade? Para quê que ele serve? Evangelhemos, portanto, por mais paradoxal que pareça, o próprio Natal. O Menino JESUS nasceu pobre e morreu pobre. Tudo isto está voltado do avesso. Mas, eu já não conto com nada....Um Bom Fim de Semana . Grande abraço.