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quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Os pequenos nadas

Para nos ajudar a criar o «espírito natalício», que é o melhor presente de Natal...
Numa tira de banda desenhada, uma criança contava a uma amiga que, para este Natal, tinha pedido aos seus pais que não lhe oferecessem presentes, mas antes «espírito natalício», e que eles tinham ficado desconcertados, sem entender nem saber o que fazer. A pergunta deve provocar em nós a pergunta: o que é o «espírito de Natal?» - Acho que pode ser o seguinte... Feliz Natal e Boas Festas para todos os leitores do Banquete da Palavra.
Há pequenos nadas que têm grande influência sobre as pessoas: sobre os seus actos, sobre o seu relacionamento, sobre a sua vida toda.
Marta casou-se e a mãe ofereceu-lhe entre outra coisas, uma pequenina caixa vermelha, de cor desgastada pelo uso.
Colocou-a numa prateleira da cozinha e pediu várias vezes ao marido que não a abrisse porque continha umas ervas secretas oferecidas pela mãe, que davam cozinhados saborosos.
É claro que estas recomendações aguçavam imenso a curiosidade do marido, que sempre que passava junto da caixinha lhe lançava um olhar guloso de saber o que estava lá dentro.
Marta, sempre que cozinhava ou confecionava algum bolo abria a pequena caixa, metia a mão e em seguida, como arte mágica, aspergia sobre a carne ou o peixe ou a massa do doce em preparação... Mas o marido nunca via sinais de ervas sobre a comida, que era sempre esplêndida, como aliás reconhecia toda a gente que lá comia.
Certo dia, Marta adoeceu e o marido levou-a ao hospital onde ficou internada. Quando ele regressou a casa, procurou no frigorífico alguma coisa para comer. Levantou o olhar para a caixinha misteriosa. Não resistiu à tentação. Pegou nela com todo o cuidado. Abriu receosamente. E ficou espantado. Não continha ervas nenhumas, nem sinais delas. Apenas viu no fundo um papelinho dobrado.
Abriu-o cautelosamente e reconheceu logo a caligrafia da sogra.
E sentindo um calafrio de emoção leu a frase lá escrita: «Marta, a tudo o que fizeres acrescenta uma pitada de amor!»
Descobriu então o segredo que fazia saborosa e feliz a vida naquela casa humilde...
E vale a pena cada um de nós adoptar este segredo miraculoso: juntar uma pitada de amor - de devoção, de generosidade - a tudo o que fazemos: na vida familiar, na vida profissional, em todas as dimensões da nossa vida...
Mário Salgueirinho

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