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terça-feira, 26 de janeiro de 2016

A verdade é sinfónica

A verdade é sempre um ideal tão elevado e transcendente como o bem, a beleza ou a liberdade, que apenas nos é dado nomear. A verdade está ao lado destes valores que refletem o que é o mistério de Deus. E por serem atributos de Deus, são ideais insondáveis e só estão ao nosso alcance por aproximação ou por vestígios.
A pergunta de Pilatos a Jesus é sintomática e a reação de Jesus (ou a não reação) é reveladora de como estamos perante uma dimensão inefável da comunicação. Pergunta o Político Pilatos: «O que é a verdade?» (Jo 18, 38). A resposta de Jesus é profundamente esclarecedora. Isto é, Jesus remete-se ao mais profundo silêncio e deixa perceber que a verdade não tem outra definição senão o mais desconcertante silêncio. No entanto, não devemos esquecer que o mesmo Jesus já tinha ensinado que a verdade autêntica era a sua pessoa mesmo. E assumir hoje a riqueza da diversidade, o diálogo e escuta mútuos, a oração e o compromisso pela justiça, a verdade que «não é minha nem tua, para que possa ser tua e minha» (S. Agostinho).
A verdade é fácil de contemplar, mas difícil de realizar. Os caminhos tortuosos que a vida nos oferece nem sempre permitem a realização da verdade como o valor mais procurado, defendido e vivido. As circunstâncias do quotidiano obrigam ao mais profundo desgaste da verdade e conduzem, por vezes, ao esquecimento daquilo que é autêntico para a identidade das pessoas e das coisas. Muito facilmente a vida empurra para a não verdade das situações e das atitudes. E, como dizia o teólogo H. Urs von Balthasar, «a verdade é sinfónica».

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