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terça-feira, 9 de fevereiro de 2016

Porque é tempo de máscaras e as novas formas de religiosidade

É intrigante, mas está a ser refletido este sinal dos tempos que não me inibo de partilhar e pensar um pouco neste banquete onde se serve abundantemente as palavras.
Está na moda o empreendedorismo. Esta moda apresenta palestras bonitas, com palestrantes muito ativos e bem aparaltados com roupas de marcas famosas e caras, termos em inglês abundantemente em cada ideia que se apresenta, as pessoas são muito vivaças com microfone na mão tipo os grandes cantores, há muitos powers points e de negócio propriamente dito, zero... Eis a nova forma de religião.
Por isso, o autor Ícaro de Carvalho considera assim: «O empreendedorismo é a nova religião do homem moderno. Materialista e secular, ele substituiu os Santos do seu altar por fotografias de homens bem-sucedidos; os seus Evangelhos são livros como “O sonho grande” e “A força do Hábito”. Ele acredita, de alguma maneira, que tudo aquilo irá aproximá-lo do seu objetivo principal: sucesso, fama e dinheiro… de preferência agora!»
É curioso que quando visitamos uma livraria os escaparates que apresentam livros relacionados com o empreendedorismo e os negócios cresceu de forma astronómica. Eles são obras que revelam quais sãos os segredos da riqueza, da abundância e quais são os passos para alcançar o sucesso e como podemos pensar ao jeito dos grande empreendedores que tiveram sucesso rápido tornando-se ricos em pouco tempo.
Se antes se dizia que «quem não rouba ou não herda, não senão m…», hoje basta que se leia um livro ou dois que apresentam as tais metodologias do sucesso para se ficar rico e famoso num piscar de olhos.
Muitos encontros de empreendedores são tipo aqueles encontros das igrejas carismáticas onde a assembleia pula e grita louvando o deus mercado para que o sucesso não se faça rogado e aconteça rapidamente. Como a maior parte nunca atinge o paraíso anunciado nem muito menos encontra oportunidade de fazer os tão propalados negócios, muitas vezes tudo acaba na maior das frustrações, na depressão e alguns no suicídio.
O vazio abunda por todo o lado e as máscaras vão dando a ilusão de que se alcançou o sucesso e a riqueza até certo momento e medida. Por isso, cuidado com os novos charlatões que por aí vão aparecendo à conta de palavreado encantador, relacionado com empreendedorismo, negócios, dinheiros e mercados, mas que não conduz a nada e muitos deles nunca realizaram um negócio que se possa ver. São manipuladores da vida dos outros. Por isso, estejamos atentos, porque nem todas as máscaras nem muito menos todos os mascarados têm unicamente a intenção do divertimento, até porque muitos deles não andam em paradas carnavalescas, mas nos meandros concretos do quotidiano todos os dias do ano. Este carnaval é dispensável.

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