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terça-feira, 29 de março de 2016

A eutanásia não é um avanço mas um retrocesso

A eutanásia, para além de ser um problema jurídico ou de direito, é antes, uma questão de cultura e de educação ética fundamental. Isto é, o modo como se encara a vida, refletirá, inevitavelmente, o modo como se acolherá o sofrimento e a morte.
A morte provocada para aliviar o sofrimento de doenças incuráveis – eutanásia – enquadra-se no contexto da cultura de morte e na cultura do pragmatismo tão característicos da sociedade a atual. Se continuarmos na crescente desvalorização da vida e no encarar a vida não como uma totalidade que vai até à eternidade, mas apenas como algo puramente terreno que termina com a morte, estarão, daqui para algum tempo, reunidas condições psicológicas e sociais para que a eutanásia seja um facto tão natural como um doente tomar um sedativo para uma dor de dente. Ou expulsa a vida como se extrai um dente.
Mesmo perante a dureza da dor e diante da debilidade física, o dom da vida emerge como bem supremo que merece respeito absoluto. Assim sendo, a morte não é apenas uma inevitabilidade fatal e dramática, mas um «dom» que confirma a esperança na eternidade da vida.
O nosso tempo marcadamente materialista e pragmático, perante uma população elevada de anciãos – característica das nossas sociedades – corre também o risco de se ver cada vez mais na convicção de considerar os idosos uns inúteis e um fardo para a população jovem trabalhadora, por isso, a melhor solução será suprimi-los através da pílula da morte.
Qualquer tipo de eutanásia não soa bem para quem aposta na vida desde a fecundação até à morte natural. Se a sofisticação científica dos nossos tempos serve para argumentar-se de que será um avanço civilizacional defender-se a aplicação da eutanásia para quem a solicite, serve também o mesmo argumento para defender-se o prolongamento da vida e o acontecer da morte naturalmente sem dor e com dignidade. A não existirem tais condições que tratem das pessoas na sua fase terminal, aí sim estamos perante um retrocesso civilizacional.
Os cuidados paliativos devem ser uma aposta e deve a sociedade criar todas as condições para que o final da vida neste mundo seja vista também como um bem e a morte aconteça com a maior naturalidade e se for possível com o mínimo de sofrimento. Se existirem elementos científicos para aliviar todo o género de sofrimento devem ser usados. É do quer de Deus que ninguém sofra e se existirem remédios que travem o sofrimento devem ser aplicados e nesse domínio devemos dispensar poupanças. Porém, já não será do quer de Deus que ninguém tire a vida a ninguém, mesmo que seja protegido pelo crivo da lei ou outra razão deste mundo por mais elevada e nobre que seja. 

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