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sábado, 26 de março de 2016

A inocência

Salmo...
Sábado Santo ou Sábado de Aleluia
Na mesa senta-se o poeta
e escreve magoado na brancura do papel
onde a luz do candeeiro
se derrama numa nódoa
infinda de melancolia
como se o negro da noite
fosse a alma da luz cintilante
e daquela palidez soberba.

As letras letra a letra saltam no papel
nesse ambiente de anémicas penumbras,
mágoas íntimas acordadas pelo silêncio
que por momentos desceu das estrelas
e trespassa as fendas pedra a pedra
nas paredes da nossa casa.

Neste ambiente quimérico
saturado de anímicas essências,
emanações astrais divinizadas
onde há sonhos de anjos e de homens
que anunciam o poema,
uma fina flor celeste
numa paisagem sinistra, infernal
ladeada de montes tisnados pelo sol
e à noite povoados de fantasmas penitentes.

E não é que o autor e o leitor de cada texto
são os mais trágicos penitentes?
- São. Ficou registado para todo o sempre
quem sofre em nós não é o pecado:
é a inocência.  
José Luís Rodrigues

3 comentários:

M.H. R.M. disse...

Lindo, como sempre. Vou partilhar, com imenso gosto. Uma Santa e Feliz Páscoa, cheia de Piedade, neste Ano da Misericórdia, rev.padre.
Bem haja.

José Luís Rodrigues disse...

Muito obrigado caro amigo e leitor do Banquete da Palavra, M.H.R.M.. Uma Páscoa feliz para si. Que este desejo seja também extensivo a todos os seus.

easy disse...

Vou roubar! Abraço. JJ