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quarta-feira, 9 de março de 2016

É proibido condenar

Comentário à missa do domingo V tempo Quaresma. Pode servir aos que habitualmente vão à missa, mas não só... 
A mulher pecadora é acusada de um crime grave, "foi surpreendida em adultério", no tempo de Jesus, tais mulheres eram apedrejadas até à morte, em obediência a uma má interpretação da lei do Antigo Testamento.
Para Jesus, esta condenação era bárbara demais. Mais uma vez, Jesus Cristo, mostra que não tolera hipocrisias e que veio para estabelecer a compreensão e a misericórdia diante do pecado, mesmo que seja uma ofensa grave contra Deus e contra a dignidade humana. Todos e tudo têm o perdão de Deus, basta haver arrependimento e propósito de emenda.
A resposta de Jesus revela claramente que o perdão é possível e demove por completo os «inquisidores» de todos os tempos que de dedo em riste pretendem matar os pecadores. A hipocrisia é flagrante neste episódio, os moralistas que agora querem purificar a sociedade através da morte da mulher impura, foram, provavelmente, também eles beneficiados com os seus serviços. Os mesmos que gritam morte à mulher pecadora também foram servidos pelos seus préstimos. A sociedade humana é assim mesmo. É escrupulosa no cumprimento das regras, mas, serve-se miseravelmente dos outros levando-os à desgraça para servir os seus instintos pessoais, mesmo que para tal sejam violados os valores e os princípios da dignidade humana de forma descarada.
Ninguém é perfeito, todos têm as suas manchas pecaminosas que provocam distância em relação a Deus e desencontro pessoal com os outros. Jesus ensinará o seguinte: quem não tiver pecado que de imediato atire a primeira pedra. Todos virtuosos, todos pecadores. Eis uma substância essencial da humanidade inteira.
Hoje ainda persistem vários tipos de armas utilizadas na violência contra a mulher, eles são: agressão física, como socos, pontapés, bofetões, entre outros, o estupro ou violência carnal, atentados contra o pudor pela força física, com o intuito de satisfazer desejos sexuais, ameaças de morte ou qualquer outro mal, feitas por gestos, palavras ou por escrito (as redes sociais e os telemóveis são meios hoje muito utilizados para aplicar este género de violência), abandono material, porque o homem não reconhece a paternidade, obrigando assim a mulher a ter que andar numa rede judicial interminável para poder receber uma pensão de alimentos para sobreviver e criar os seus filhos.
Mas há outro género de violência que não deixa marcas físicas, como as ofensas verbais e morais, que causam dores ainda mais agudas que as dores físicas. Humilhações, torturas, abandono, etc, são considerados pequenos assassinatos diários, difíceis de superar e praticamente impossíveis de prevenir, fazendo com que as mulheres percam a sua dignidade.
A violência contra a mulher, não está restrita a um certo meio, não escolhe raça, idade ou condição social. A grande diferença é que entre as pessoas de maior poder financeiro, as mulheres, acabam calando-se contra a violência que recebem, talvez por medo, vergonha ou até mesmo por dependência financeira. E muitas vezes porque a sociedade considera a mulher culpada pela agressão que é vítima. Uma triste sina que faz com que muitas mulheres sofram todo o tipo de violência num silêncio ensurdecedor.
A condenação não tem lugar no coração de Deus, revelado plenamente em Jesus como o Pai/Mãe do reencontro e da reconciliação plena com todos os homens. Este é o caminho da graça de Deus mostrado por Jesus a todos nós mediante estes gestos de ternura amorosa.
Todo o pecado, mesmo que seja muito grave, é sempre uma pequena gota diante do oceano infinito da compaixão misericordiosa de Deus. E pelo que cada um de nós é capaz e como somos sempre vulneráveis diante dos instintos que nos assistem, deve ser proibido condenar.

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