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sábado, 23 de abril de 2016

Dois génios subiram ao céu no mesmo dia

Dois pilares da literatura mundial… 
Shakespeare: «A alegria evita mil males e prolonga a vida».
Cervantes: «Andar por terras distantes e conversar com diversas pessoas torna os homens ponderados».
 A 23 de abril de 1616 – há exatos 400 anos – houve festa no céu. Com certeza, um grande sarau literário. Naquela data, dois gênios da literatura universal deixaram o nosso mundo, que tão bem retratam em suas obras: o inglês William Shakespeare e o espanhol Miguel de Cervantes.
Se considerarmos que o calendário gregoriano havia sido adotado no reino de Castela desde o século XVI, e pela Inglaterra apenas em 1751, Shakespeare teria vivido 10 dias a mais do que Cervantes.
Shakespeare, nascido em 1564, viveu 51 anos. Cervantes, nascido em 1547, 68. Talvez os dois tenham se admirado com a coincidência de data ao se evadirem dessa Terra tão atribulada, e felizes por, afinal, se conhecerem pessoalmente. E exultaram se comungavam a esperança expressada, séculos mais tarde, por Jorge Luis Borges: "Sempre imaginei que o Paraíso fosse uma espécie de biblioteca.” Espero que sim, pois nesse curto período de vida é impossível ler todos os livros que me atraem.
Cervantes, com sua obra-prima, Dom Quixote de la Mancha, é considerado o pai do romance moderno. Assim como a obra de Shakespeare consolidou o idioma inglês, a de Cervantes produziu o mesmo efeito no espanhol.
Em 1569, aos 22 anos, Cervantes se refugiou na Itália, após ferir um desafeto com quem duelou. Em 1571, participou da batalha de Lepanto, quando a esquadra formada por países cristãos derrotou os soldados do Império Otomano, de fé islâmica. Ferido, ficou com a mão esquerda inutilizada.
Além da coincidência de falecerem na mesma data, Shakespeare e Cervantes foram mestres no modo de tratar temas políticos com refinado talento artístico e, ao mesmo tempo, dissecar as profundezas da alma humana.
Frei Betto, in Adital 23/04/2016

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