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sábado, 30 de abril de 2016

Regresso

Para o nosso fim de semana. Sejam felizes sempre sem prejudicar ninguém.
Se me compenetro solitário
sobre um silêncio de uma mesa
regresso ao momento daquele
sorriso enrugado pelo tempo
e pelo trabalho incansável da terra
onde aquele avô semeava pão
por Deus e à sua conta
que as outras mãos femininas
da avó preparavam antes do encontro
naquele altar sagrado e divino
sobre a mesa da ceia eucarística
entre irmãos que degustavam
o convívio da alma daquela casa.

Pois se regresso a esse mundo antigo
quase que choro sentida uma saudade
daquele olhar miudinho encostado
ao bordão da esperança
incensada pelo fumo claro e aromático
por entre os dedos acastanhados
pelos cigarros Santa Maria
que nos valia a alegria nos portais das casas
sentados sobre as pedras rudes e vivas
do basalto irregular no cimo das paredes
nas tardes de domingo.

O poema que me transporta à infância
por mais que a ele regresse
nunca nele transparece
toda a densidade
que vi naqueles rostos harmoniosos
de uma gente que a terra segurou ao chão
eternamente neste pobre coração.
José Luís Rodrigues

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